{"id":6468,"date":"2017-11-12T06:08:35","date_gmt":"2017-11-12T08:08:35","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6468"},"modified":"2017-11-12T13:03:47","modified_gmt":"2017-11-12T15:03:47","slug":"coluna-no-correio-e-muito-cedo-para-comemorar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-e-muito-cedo-para-comemorar\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: \u00c9 muito cedo para comemorar"},"content":{"rendered":"<h2>A confus\u00e3o no governo em torno da reforma da Previd\u00eancia \u00e9 t\u00e3o grande que o maior ganho do pa\u00eds, a queda da infla\u00e7\u00e3o, j\u00e1 come\u00e7ou a entrar nos cen\u00e1rios de risco para 2018. Especialistas dizem que, num quadro de normalidade, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) fechar\u00e1 o pr\u00f3ximo ano abaixo do centro da meta, de 4,5%. O problema \u00e9 que a turbul\u00eancia pol\u00edtica poder\u00e1 provocar fortes oscila\u00e7\u00f5es no d\u00f3lar, contaminando os \u00edndices de pre\u00e7os. Por enquanto, \u00e9 uma hip\u00f3tese de baixa probabilidade, mas que pode se transformar em alerta amarelo se, al\u00e9m da derrota da reforma da Previd\u00eancia, o governo n\u00e3o conseguir aprovar as medidas do ajuste fiscal, como o adiamento dos reajustes de servidores de 2018 para 2019.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sem os mais de R$ 12 bilh\u00f5es que o Tesouro pretende arrecadar com tais medidas, o governo, muito provavelmente, ser\u00e1 obrigado a rever, mais uma vez, a meta de deficit prevista para 2018. Inicialmente, o rombo poderia ser de, no m\u00e1ximo, R$ 139 bilh\u00f5es. O Minist\u00e9rio do Planejamento, inclusive, chegou a enviar ao Congresso uma proposta de Or\u00e7amento com esse n\u00famero. Mas, depois, acabou ajustando o dado e passou a trabalhar com deficit de R$ 159 bilh\u00f5es. Sem as restri\u00e7\u00f5es impostas aos servidores \u2014 al\u00e9m do adiamento dos reajustes, o funcionalismo ter\u00e1 que pagar 14% de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, e n\u00e3o 11% \u2014, ou o governo ampliar\u00e1 a previs\u00e3o de buraco nas contas ou ter\u00e1 de cortar pelo menos R$ 50 bilh\u00f5es em gastos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os alertas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 grave situa\u00e7\u00e3o fiscal s\u00e3o cada vez maiores. N\u00e3o por acaso, a equipe econ\u00f4mica est\u00e1 desesperada para que o Pal\u00e1cio do Planalto mantenha o m\u00e1ximo poss\u00edvel das propostas da reforma da Previd\u00eancia. Um projeto que resulte em economia inferior a 50% da economia prevista pelo Minist\u00e9rio da Fazenda de nada adiantar\u00e1. Pior, poder\u00e1 levar o governo a descumprir o que os especialistas definem como regra de ouro, ou seja, o pagamento de despesas correntes, como sal\u00e1rios, com a emiss\u00e3o de d\u00edvida. Seria um crime fiscal pior do que as pedaladas que derrubaram Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Abaixo da meta<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Rafael Le\u00e3o, economista-chefe da consultoria Parallaxis, mesmo com a gravidade da situa\u00e7\u00e3o fiscal, n\u00e3o h\u00e1 por que se preocupar com a infla\u00e7\u00e3o. Ele ressalta que os dados divulgados na sexta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) apontam que o custo de vida est\u00e1 sob total controle. A previs\u00e3o dele \u00e9 de que o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu 0,42% em outubro, encerre o ano em 3,2%, praticamente no piso da meta definida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN). Para 2018, prev\u00ea taxa de 4,1%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO n\u00edvel de atividade est\u00e1 muito fraco. A recupera\u00e7\u00e3o da economia ser\u00e1 bastante lenta. Tanto que, somente em meados de 2019, voltaremos a atingir o n\u00edvel do Produto Interno Bruto (PIB) de antes da crise que levou \u00e0 recess\u00e3o\u201d, explica Le\u00e3o. \u201cO mercado de trabalho tamb\u00e9m est\u00e1 fraco, longe de provocar press\u00e3o de demanda. A destrui\u00e7\u00e3o da renda das fam\u00edlias foi intensa\u201d, acrescenta. Por isso, ele acredita que o Banco Central levar\u00e1 a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), hoje em 7,50% ao ano, para abaixo de 7% at\u00e9 janeiro pr\u00f3ximo. \u201cMinha proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a Selic chegue a 6,75%.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro do governo, a torcida tamb\u00e9m \u00e9 para que o BC corte os juros o m\u00e1ximo poss\u00edvel. Por diversas vezes, o presidente Michel Temer afirmou que os juros podem cair abaixo de 7%. Contudo, entre o discurso presidencial e a realidade, h\u00e1 uma enorme dist\u00e2ncia. O BC n\u00e3o quer p\u00f4r em risco todas as conquistas obtidas at\u00e9 agora. Os juros v\u00eam cedendo desde outubro de 2016, quando estavam em 14,25%. Foi a reconstru\u00e7\u00e3o da credibilidade da pol\u00edtica monet\u00e1ria que permitiu que a Selic baixasse tanto. Como diz o presidente do BC, Ilan Goldfajn, \u00e9 preciso ter liberdade para as decis\u00f5es sobre juros. Mas sempre com muita cautela. Ainda h\u00e1 muito a fazer na \u00e1rea fiscal, sendo a mais urgente das tarefas a reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h08min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A confus\u00e3o no governo em torno da reforma da Previd\u00eancia \u00e9 t\u00e3o grande que o maior ganho do pa\u00eds, a queda da infla\u00e7\u00e3o, j\u00e1 come\u00e7ou a entrar nos cen\u00e1rios de risco para 2018. 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