{"id":6431,"date":"2017-11-08T06:50:18","date_gmt":"2017-11-08T08:50:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6431"},"modified":"2017-11-08T13:45:45","modified_gmt":"2017-11-08T15:45:45","slug":"os-riscos-fragil-recuperacao-da-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/os-riscos-fragil-recuperacao-da-economia\/","title":{"rendered":"Os riscos \u00e0 fr\u00e1gil recupera\u00e7\u00e3o da economia"},"content":{"rendered":"<h2>ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>O ambiente internacional favor\u00e1vel tem garantido ao Brasil tranquilidade para que o pa\u00eds se concentre no debate da reforma da Previd\u00eancia. O reconhecimento, por\u00e9m, do governo de que a aprova\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as propostas ao Congresso ficou dif\u00edcil acendeu o sinal de alerta dos investidores. A pergunta que todos est\u00e3o se fazendo \u00e9: at\u00e9 quando o pa\u00eds aguentar\u00e1 conviver com rombos crescentes nas suas contas. A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 no limite.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es nas normas para concess\u00e3o de benef\u00edcios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), destacam economistas, s\u00e3o fundamentais para o reequil\u00edbrio das contas p\u00fablicas e para que o processo de recupera\u00e7\u00e3o da economia seja sustent\u00e1vel. Entretanto, engana-se quem cr\u00ea que press\u00f5es externas n\u00e3o podem se materializar ao longo de 2018. O alerta \u00e9 da economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour. Ela explica que a forte recupera\u00e7\u00e3o da economia dos Estados Unidos, com a taxa de desemprego comportada e dados de atividade surpreendendo positivamente, pode pressionar os \u00edndices de pre\u00e7os da maior economia do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Solange explica que o risco \u00e9 de que o Federal Reserve (Fed) esteja atr\u00e1s da curva de juros, o que evidenciaria a necessidade de aumentar a taxa mais r\u00e1pido do que o esperado anteriormente. \u201cA infla\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos deve voltar em algum momento e, se houver alguma surpresa, o Fed teria de tomar medidas para evitar que a varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os seja superior a sua meta. Esse risco existe\u201d destaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A escolha de Jerome Powell, integrante do Conselho de Governadores do Fed para suceder Janet Yellen no comando da autoridade monet\u00e1ria norte-americana, trouxe tranquilidade ao mercado. O nome definido pelo presidente Donald Trump representa a continuidade do trabalho realizado at\u00e9 o momento e aponta para uma retomada gradual dos juros da maior economia do mundo. Entretanto, n\u00e3o h\u00e1 garantia de que o ritmo de alta ser\u00e1 o mesmo se a infla\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos acelerar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As eventuais press\u00f5es externas n\u00e3o se limitam ao Fed. Conforme Solange, o Banco Central europeu tamb\u00e9m tem sinalizado que os est\u00edmulos econ\u00f4micos concedidos at\u00e9 o momento para fortalecer a Zona do Euro podem estar pr\u00f3ximos do fim. A melhora dos indicadores da Europa \u00e9 outra fonte de preocupa\u00e7\u00e3o e pode trazer press\u00f5es para a economia brasileira. Outro ponto de tens\u00e3o pode surgir caso a China mostre uma desacelera\u00e7\u00e3o do ritmo de crescimento maior do que a esperada. \u201cOs riscos existem\u201d, sentencia a economista da ARX Investimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A possibilidade de press\u00f5es internacionais tamb\u00e9m est\u00e1 no radar do economista-chefe do Ita\u00fa Unibanco, Mario Mesquita. Para ele, o crescimento global est\u00e1 melhorando, mas ainda h\u00e1 espa\u00e7o para se tornar mais disseminado. O maior banco privado do pa\u00eds elevou as proje\u00e7\u00f5es para a gera\u00e7\u00e3o de riquezas dos Estados Unidos, Europa e China. Com isso, a estimativa de eleva\u00e7\u00e3o do PIB mundial passou para 3,8% em 2017 e 2018, de 3,6% e 3,7%, respectivamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse contexto, Mesquita comenta que a infla\u00e7\u00e3o global iniciar\u00e1 processo de normaliza\u00e7\u00e3o gradual \u00e0 medida que a recupera\u00e7\u00e3o nas economias desenvolvidas se materialize e a press\u00e3o deflacion\u00e1ria da China diminua. \u201cO principal risco \u00e9 uma corre\u00e7\u00e3o acelerada nas taxas de juros de mercados desenvolvidos devido \u00e0 r\u00e1pida aprova\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00f5es de impostos ou press\u00f5es inflacion\u00e1rias nos EUA, tendo em vista uma eventual retomada da din\u00e2mica da Curva de Phillips. Mas esses riscos n\u00e3o parecem preocupantes no momento\u201d, ameniza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com os juros mais altos dos t\u00edtulos do Tesouro dos Estados Unidos, detalha o economista-chefe do Ita\u00fa, a maioria das moedas latino-americanas enfraqueceu em outubro. Ele explica que o peso mexicano apresentou desempenho inferior aos pares, refletindo os rumores em torno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais no pr\u00f3ximo ano e das renegocia\u00e7\u00f5es do Nafta, enquanto o aumento dos pre\u00e7os do cobre favoreceu o peso chileno e o sol peruano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA atividade na regi\u00e3o est\u00e1 se recuperando gradualmente, mas os n\u00fameros mistos de infla\u00e7\u00e3o est\u00e3o suscitando rea\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica monet\u00e1ria divergentes. Em outubro, dois bancos centrais surpreenderam as expectativas: na Col\u00f4mbia, a taxa b\u00e1sica de juros foi reduzida em 0,25 ponto percentual ap\u00f3s a surpresa negativa da infla\u00e7\u00e3o, e, na Argentina, houve um aumento de 1,50 ponto percentual em resposta \u00e0 persist\u00eancia da infla\u00e7\u00e3o. De qualquer modo, mesmo em pa\u00edses que est\u00e3o reduzindo os juros, os ciclos de flexibiliza\u00e7\u00e3o est\u00e3o se aproximando do fim\u201d, diz Mesquita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Brasil, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central cortou a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual em outubro, sinalizou um corte de 0,5 ponto em dezembro e deixou a decis\u00e3o de fevereiro em aberto. Para Mesquita, a Selic deve terminar o ano em 7% e, em 2018, chegar a 6,5% ao ano. Nas contas dele, a infla\u00e7\u00e3o de 2017 chegar\u00e1 a 3,3%, diante da maior press\u00e3o de pre\u00e7os administrados, mas a estimativa para o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2018 permanece em 3,8%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB), o economista-chefe do Ita\u00fa espera uma alta de 0,8% em 2017 e de 3% em 2018. Entretanto, alguns riscos podem atrapalhar esse processo. \u201cOs fatores dom\u00e9sticos apresentam um vi\u00e9s negativo, enquanto o ambiente global mais forte trabalha na dire\u00e7\u00e3o oposta. Nossa proje\u00e7\u00e3o para a taxa de desemprego no fim de 2018 foi revisada para baixo, de 12% para 11,8%. As proje\u00e7\u00f5es para a taxa de c\u00e2mbio permaneceram inalteradas, em R$ 3,25 por d\u00f3lar em 2017 e R$ 3,50 em 2018\u201d, estimou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 06h50min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO O ambiente internacional favor\u00e1vel tem garantido ao Brasil tranquilidade para que o pa\u00eds se concentre no debate da reforma da Previd\u00eancia. O reconhecimento, por\u00e9m, do governo de que a aprova\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as propostas ao Congresso ficou dif\u00edcil acendeu o sinal de alerta dos investidores. 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