{"id":6421,"date":"2017-11-06T14:16:03","date_gmt":"2017-11-06T16:16:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6421"},"modified":"2017-11-06T15:20:05","modified_gmt":"2017-11-06T17:20:05","slug":"enorme-diferenca-entre-desejo-e-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/enorme-diferenca-entre-desejo-e-realidade\/","title":{"rendered":"A enorme diferen\u00e7a entre desejo e realidade"},"content":{"rendered":"<h2>A equipe econ\u00f4mica, em sua maioria, est\u00e1 convencida de que o Banco Central levar\u00e1 a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) para 6,75% ao ano at\u00e9 janeiro de 2018. Isso implica dizer que, na reuni\u00e3o de dezembro do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), os juros cair\u00e3o mais 0,5 ponto percentual, para 7%, e, no m\u00eas seguinte, o corte ser\u00e1 de 0,25 ponto. T\u00e9cnicos do governo acreditam que o time comandado por Ilan Goldfajn testar\u00e1 juros abaixo de 7%, mesmo que, mais adiante, seja obrigado a elevar a Selic para evitar um assanhamento da infla\u00e7\u00e3o.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o, por\u00e9m, est\u00e1 ficando de fora do debate entre os que visualizam um quadro t\u00e3o otimista para os juros: a possibilidade de o BC enfrentar o que muitos chamam de press\u00e3o de demanda. Ou seja, o consumo das fam\u00edlias, que est\u00e1 puxando a retomada do Produto Interno Bruto (PIB), continuar crescendo, mas os investimentos produtivos ficarem empacados. Isso implicar\u00e1 em uma oferta menor de mercadorias, incentivando a remarca\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os e, por consequ\u00eancia, os \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o. A amea\u00e7a de descompasso entre demanda e oferta \u00e9 real.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, o governo vai difundir um discurso sobre a necessidade de retomada dos investimentos. O argumento que ser\u00e1 usado tanto pelo presidente Michel Temer quanto pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, \u00e9 o de que o momento \u00e9 de tirar projetos da gaveta para amplia\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas, pois as bases para o avan\u00e7o do consumo est\u00e3o consolidadas. A infla\u00e7\u00e3o girando em torno de 3% deu uma folga de R$ 7 bilh\u00f5es no or\u00e7amento das fam\u00edlias somente neste ano. Os juros est\u00e3o caindo sistematicamente e as fam\u00edlias reduziram o n\u00edvel de endividamento. \u201cN\u00e3o \u00e9 pouca coisa\u201d, diz um t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Incertezas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo reconhece, por\u00e9m, que, para retomarem os investimentos, as empresas precisam resolver dois problemas: a renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas e a redu\u00e7\u00e3o da capacidade ociosa. No caso do endividamento, dizem t\u00e9cnicos da equipe econ\u00f4mica, o refinanciamento dos quase R$ 500 bilh\u00f5es que estavam afogando o setor produtivo j\u00e1 est\u00e1 quase no fim. \u201cFalta uma pequena parcela desse montante\u201d, diz um integrante do governo. Quanto ao baixo n\u00edvel de utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade instalada da ind\u00fastria, \u00e9 poss\u00edvel que, j\u00e1 no fim do primeiro trimestre de 2018, o saldo seja bem melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEstamos confiantes de que os investimentos voltar\u00e3o antes do que a maioria dos economistas acredita\u201d, afirma um assessor muito pr\u00f3ximo de Temer. \u201cMuitos diziam que o emprego seria a \u00faltima vari\u00e1vel a se recuperar quando a economia voltasse a crescer. Mas estamos vendo a rea\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho ocorrendo junto com a retomada do PIB. Acreditamos que a din\u00e2mica da economia mudou. E os investimentos v\u00e3o despontar logo\u201d, frisa o mesmo auxiliar presidencial. Ele diz, ainda, que, com os leil\u00f5es na \u00e1rea de infraestrutura que o governo vem fazendo, os empres\u00e1rios ver\u00e3o que o momento n\u00e3o \u00e9 para ficar parado. N\u00e3o h\u00e1 porque esperar o crescimento do PIB estar a todo vapor para dar in\u00edcio a projetos de expans\u00e3o dos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os mais c\u00e9ticos do governo alertam que \u00e9 preciso cautela, pois foram erros de avalia\u00e7\u00e3o que empurraram o pa\u00eds para a mais grave recess\u00e3o da hist\u00f3ria. Para esse grupo, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a recupera\u00e7\u00e3o da economia \u00e9 para valer, mas o processo ser\u00e1 mais lento do que o desejado. H\u00e1 muitas incertezas no horizonte, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o ao que emergir\u00e1 das urnas nas elei\u00e7\u00f5es de 2018. Tamb\u00e9m n\u00e3o se sabe at\u00e9 que ponto Temer ter\u00e1 for\u00e7as para aprovar as reformas que o pa\u00eds tanto precisa, como a da Previd\u00eancia Social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEstamos saindo de uma crise grav\u00edssima na economia, contudo, a instabilidade pol\u00edtica continua. Isso est\u00e1 no radar do empresariado. N\u00e3o conhe\u00e7o nenhum empres\u00e1rio que esteja disposto a rasgar dinheiro. S\u00f3 se voltar\u00e1 a investir quando se tiver a certeza de que haver\u00e1 para quem vender o que for produzido a mais\u201d, destaca um importante t\u00e9cnico da Esplanada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 14h16min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A equipe econ\u00f4mica, em sua maioria, est\u00e1 convencida de que o Banco Central levar\u00e1 a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) para 6,75% ao ano at\u00e9 janeiro de 2018. 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