{"id":6405,"date":"2017-11-05T09:03:51","date_gmt":"2017-11-05T11:03:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6405"},"modified":"2017-11-06T19:05:00","modified_gmt":"2017-11-06T21:05:00","slug":"o-brasil-ja-errou-demais-afirma-ilan-goldfajn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o-brasil-ja-errou-demais-afirma-ilan-goldfajn\/","title":{"rendered":"O Brasil j\u00e1 errou demais, afirma Ilan Goldfajn"},"content":{"rendered":"<h2>ANA DUBEUX, ANTONIO TEM\u00d3TEO, PAULO SILVA PINTO E VICENTE NUNES<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2><i>Flamenguista roxo \u2013 sua \u00faltima experi\u00eancia no est\u00e1dio n\u00e3o foi boa, pois viu o Flamengo ser derrotado pelo S\u00e3o Paulo \u2013, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, n\u00e3o baixa a guarda. Ele garante que a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 pronta para agir, caso as turbul\u00eancias pol\u00edticas, advindas das elei\u00e7\u00f5es de 2018, coloquem em risco o controle da infla\u00e7\u00e3o e a estabilidade da economia. \u201cNosso papel no BC ser\u00e1 o de manter o sistema mais est\u00e1vel e calmo poss\u00edvel\u201d, avisa.<br \/>\nPara o presidente do BC, mesmo com a atividade econ\u00f4mica reagindo, ainda n\u00e3o se pode dizer que houve um descolamento total da economia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica. \u201cNa medida em que se consegue avan\u00e7ar na economia, dar confian\u00e7a e tranquilidade, a atividade pode ter seu pr\u00f3prio ritmo. Mas nunca h\u00e1 um descolamento perfeito\u201d, afirma. Na vis\u00e3o de Ilan, a economia realmente est\u00e1 se recuperando, mas h\u00e1 um longo caminho a ser percorrido.<br \/>\nEle diz que, mantidas as atuais condi\u00e7\u00f5es, os juros podem cair para 7% em dezembro, como prev\u00ea o mercado, e d\u00e1 um recado aos consumidores neste Natal, que, acredita, ser\u00e1 bem melhor: \u201cComprem apenas o que cabe no bolso\u201d. Ressalta ainda que o Brasil j\u00e1 cometeu erros demais e n\u00e3o pode se negar a reformar a Previd\u00eancia Social sob o argumento de que n\u00e3o h\u00e1 deficit no sistema. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao <b>Correio<\/b>.<\/i><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A longa crise pol\u00edtica e a imprevisibilidade das elei\u00e7\u00f5es atrapalham o processo de recupera\u00e7\u00e3o da economia?<\/b><br \/>\nEu, como cidad\u00e3o, poderia responder de forma mais direta. Como presidente do Banco Central, tenho mantido um esfor\u00e7o relevante de nos manter fora da pol\u00edtica, de uma forma t\u00e9cnica, sem entrar nessas quest\u00f5es. Acho que isso ajudou a economia a continuar se recuperando, apesar de as pol\u00edticas andarem com alguma volatilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Teremos um 2018 agitado?<\/b><br \/>\nNosso papel no BC ser\u00e1 o de manter o sistema mais est\u00e1vel e calmo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Existe um debate muito grande sobre o descolamento da economia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica. Isso, de fato, ocorreu?<\/b><br \/>\n\u00c9 uma quest\u00e3o de grau. N\u00e3o h\u00e1 um descolamento perfeito e n\u00e3o precisa ter uma rela\u00e7\u00e3o de um para um. Na medida em que se consegue avan\u00e7ar na economia, dar confian\u00e7a e tranquilidade, a atividade pode ter seu pr\u00f3prio ritmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A economia vai ditar os rumos das elei\u00e7\u00f5es?<\/b><br \/>\nN\u00e3o sei. O que podemos fazer \u00e9 tentar melhorar a economia dentro do que for poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A situa\u00e7\u00e3o fiscal do pa\u00eds ainda \u00e9 muito preocupante. At\u00e9 que ponto os problemas fiscais atrapalham os planos do BC em rela\u00e7\u00e3o aos juros?<\/b><br \/>\nO que temos dito \u00e9 que existem duas fases. A primeira \u00e9 derrubar a infla\u00e7\u00e3o e, como consequ\u00eancia disso, os juros ca\u00edrem. A segunda \u00e9 conseguir manter a infla\u00e7\u00e3o e os juros baixos. S\u00e3o quest\u00f5es sequenciais. Para poder garantir a sustentabilidade desse processo, s\u00e3o importantes o ajuste fiscal e as reformas, entre elas, a da Previd\u00eancia. Se voc\u00ea, de fato, colocar as contas p\u00fablicas em ordem \u2014 e n\u00e3o falo s\u00f3 deste ano mas, sim, ao longo do tempo \u2014 teremos uma taxa de juros estrutural menor. Se a taxa estrutural de juros n\u00e3o cair, a quest\u00e3o ser\u00e1 temporal. Nesse sentido, as reformas colocadas s\u00e3o importantes para a pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Na pr\u00e1tica, sem reformas, n\u00e3o teremos juros baixos de maneira sustent\u00e1vel?<\/strong><br \/>\nQuanto mais a gente perseverar, nas reformas e nos ajustes que ainda n\u00e3o vieram, melhor. Isso n\u00e3o significa que as outras reformas que foram feitas n\u00e3o ajudaram a reduzir os juros estruturais no pa\u00eds. Tivemos reformas credit\u00edcias, a TLP (Taxa de Longo Prazo), o teto de gastos, a reforma trabalhista. V\u00e1rias quest\u00f5es podem ter ajudado a mexer nos juros estruturais. N\u00e3o se pode dizer que, sem as reformas que est\u00e3o faltando, nada acontecer\u00e1. Mas, para o ajuste fiscal, \u00e9 preciso uma reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A reforma sair\u00e1 ainda este ano?<\/strong><br \/>\nEssa n\u00e3o \u00e9 a minha \u00e1rea de expertise, mas a gente gostaria que fosse tentado. A\u00ed tem que ver um pouco como est\u00e1 o clima pol\u00edtico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nunca uma gest\u00e3o do BC esteve t\u00e3o pr\u00f3xima do Congresso Nacional. Por que a decis\u00e3o de ter uma diretoria mais pr\u00f3xima do Legislativo?<\/strong><br \/>\nA agenda do BC virou uma agenda p\u00fablica. Voc\u00ea entra no site e v\u00ea toda a agenda BC+. Tudo que a gente mandou (para o Congresso) est\u00e1 l\u00e1. E algumas coisas que vamos mandar tamb\u00e9m est\u00e3o l\u00e1. Da mesma forma que temos transpar\u00eancia com o p\u00fablico, tem tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s reformas que a gente faz. \u00c9 importante que os diretores estejam dispon\u00edveis para esclarecer d\u00favidas. N\u00e3o \u00e9 obrigado que todo parlamentar tenha 10 anos de experi\u00eancia sobre o BC. Nem todo o parlamentar entende o que s\u00e3o algumas das mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAs reformas colocadas, como a da Previd\u00eancia, s\u00e3o importantes para a pol\u00edtica monet\u00e1ria. De uma certa forma, significa juros menores por mais tempo\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No Brasil e em outros pa\u00edses emergentes, as pessoas costumam achar que a bonan\u00e7a \u00e9 para sempre e que as crises s\u00e3o tempor\u00e1rias. Isso n\u00e3o pode atrapalhar as reformas?<\/strong><br \/>\nAcho que a recupera\u00e7\u00e3o est\u00e1 vindo, \u00e9 gradual. Mas a estrada ainda \u00e9 longa. Foram dois anos de recess\u00e3o, uma queda acumulada de quase 8% (do Produto Interno Bruto, PIB), aumento do desemprego, que come\u00e7a a cair. Se voc\u00ea olhar, a quantidade de empregos criados este ano chegou a 1 milh\u00e3o. Esse n\u00famero n\u00e3o \u00e9 pequeno, mas, perto do que aconteceu na recess\u00e3o, a sensa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 das melhores. Ainda temos 13 milh\u00f5es de desempregados. A gente tem de perseverar no caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Congresso e a sociedade est\u00e3o atentas a isso?<\/strong><br \/>\nEu quero crer que sim. A minha vis\u00e3o \u00e9 de que houve muitas mudan\u00e7as neste ano, mesmo legislativas. Mudan\u00e7as na \u00e1rea de petr\u00f3leo e g\u00e1s. Na \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o, est\u00e3o sendo discutidos v\u00e1rios temas, inclusive a privatiza\u00e7\u00e3o. A reforma trabalhista, que n\u00e3o \u00e9 simples, j\u00e1 que h\u00e1 diferen\u00e7as de opini\u00e3o importantes, inclusive nos pr\u00f3prios tribunais. Teve a discuss\u00e3o do ensino m\u00e9dio. No nosso mundo, tivemos a discuss\u00e3o da TLP, que n\u00e3o foi un\u00e2nime, sempre com dois lados. Hoje, temos o projeto do cadastro positivo j\u00e1 aprovado no Senado. V\u00e1rios debates est\u00e3o ocorrendo e nenhum deles \u00e9 unanimidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O governo est\u00e1 no caminho certo? Vemos que o ajuste fiscal ainda \u00e9 um problema. Inclusive j\u00e1 se discute a possibilidade de o Tesouro descumprir a regra de ouro e emitir d\u00edvida para pagar despesas correntes.<\/strong><br \/>\nO ajuste est\u00e1 acontecendo. Mas por que est\u00e1 batendo na regra de ouro? Por que foram anos de deficit prim\u00e1rio. E como se resolve isso de uma forma perene? Quando o deficit vai a zero ou se tem superavit. A\u00ed se resolve o problema de forma permanente. O ajuste est\u00e1 sendo feito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A retomada do crescimento trar\u00e1 uma nova din\u00e2mica para a quest\u00e3o fiscal com a alta da arrecada\u00e7\u00e3o? O crescimento resolve ou ameniza o problema fiscal?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o resolve. O pa\u00eds precisa das reformas e de mais ajustes. Mas acho que h\u00e1 uma parte c\u00edclica. A arrecada\u00e7\u00e3o come\u00e7ar\u00e1 a recuperar \u00e0 medida que a economia voltar a crescer. Na din\u00e2mica da d\u00edvida p\u00fablica, n\u00e3o s\u00f3 a arrecada\u00e7\u00e3o subindo ajuda, mas tamb\u00e9m o fato de se ter uma taxa de juros estrutural menor. Ent\u00e3o tem uma parte que a gente consegue fazer, que \u00e9 c\u00edclica, e outra, que \u00e9 estrutural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00edvida p\u00fablica, h\u00e1 risco de que o governo d\u00ea calote, uma vez que a trajet\u00f3ria \u00e9 preocupante? Em 2018, a d\u00edvida deve passar de 80% do PIB. O endividamento do governo est\u00e1 sob controle?<\/strong><br \/>\nNos \u00faltimos tempos, dado o caminho que a gente est\u00e1 perseverando, acho que esse risco (de calote) n\u00e3o est\u00e1 colocado. Mas \u00e9 preciso continuar nessa trajet\u00f3ria que estamos. Eu ficaria mais preocupado se ainda estiv\u00e9ssemos andando para o lado contr\u00e1rio, com alguns dos excessos. Excesso de gastos, por exemplo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAcho que a recupera\u00e7\u00e3o est\u00e1 vindo, \u00e9 gradual. Mas a estrada ainda \u00e9 longa. Foram dois anos de recess\u00e3o, uma queda acumula de quase 8% (do PIB), aumento do desemprego\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando o senhor diz que o caminho \u00e9 longo para a recupera\u00e7\u00e3o da economia, existe alguma expectativa de quando veremos uma melhora efetiva?<\/strong><br \/>\nQuando eu digo que \u00e9 longo \u00e9 porque o Brasil pode crescer muito mais do que as proje\u00e7\u00f5es que estamos vendo. A expectativa dos analistas \u00e9 de queo pa\u00eds crescer\u00e1 2,5% no ano que vem. Eu acho que est\u00e1 bom. Mas creio que o Brasil pode crescer muito mais do que isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A retomada do crescimento vem sendo puxada pelo consumo. Mas falta outro pilar, que \u00e9 o cr\u00e9dito. Por que os bancos continuam restritivos na oferta, mesmo com a queda da inadimpl\u00eancia?<\/strong><br \/>\nA raz\u00e3o principal \u00e9 que essa recess\u00e3o \u00e9 diferente e veio com desalavancagem (redu\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas por fam\u00edlias e empresas). Quando h\u00e1 uma recess\u00e3o com desalavancagem, significa que houve excessos antes. As empresas e as fam\u00edlias chegaram \u00e0 recess\u00e3o endividadas. Ent\u00e3o, h\u00e1 uma demora para normaliza\u00e7\u00e3o. As d\u00edvidas n\u00e3o s\u00e3o pagas de uma hora para outra. Isso ocorre na medida em que h\u00e1 renda. Voc\u00ea n\u00e3o gasta e, sim, paga. Enquanto s\u00f3 est\u00e1 se pagando d\u00edvidas, a economia n\u00e3o se recupera. Mas, recentemente, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias, tivemos uma mudan\u00e7a nesse quadro. O processo de desalavancagem andou mais r\u00e1pido. O cr\u00e9dito para pessoa f\u00edsica est\u00e1 positivo h\u00e1 cinco meses. Por coincid\u00eancia ou n\u00e3o, o consumo anda junto. Sob o nosso ponto de vista, tivemos a queda da infla\u00e7\u00e3o. Isso ajudou bastante. As empresas, entretanto, ainda n\u00e3o acabaram esse processo. Temos boas chances de isso ocorrer em pouco tempo. O cr\u00e9dito na pessoa f\u00edsica j\u00e1 cumpre o seu papel e, na pessoa jur\u00eddica, ainda n\u00e3o chegou l\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A recupera\u00e7\u00e3o do investimento vai demorar muito?<\/strong><br \/>\nAcho que o investimento \u00e9 o pr\u00f3ximo passo. Uma recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode estar baseada s\u00f3 no consumo. Precisa do consumo para come\u00e7ar a vender. Quando vende, a ind\u00fastria come\u00e7a a utilizar a capacidade ociosa. Uma vez que a capacidade ociosa diminui, vem o investimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas o investimento est\u00e1 abaixo at\u00e9 da poupan\u00e7a. Quando voltar\u00e1 a ser uma coisa razo\u00e1vel?<\/strong><br \/>\nTem um lado c\u00edclico. Quando voc\u00ea utiliza a capacidade (produtiva dispon\u00edvel), voc\u00ea tem vontade de ampliar essa capacidade. Do contr\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 incentivo para investir. Outras quest\u00f5es s\u00e3o estruturais e dependem de esfor\u00e7o de infraestrutura. Tem que dar frutos para investimentos. Um esfor\u00e7o s\u00e3o as privatiza\u00e7\u00f5es. Quando (um ativo) muda de m\u00e3os, d\u00e1 um novo ar e vem investimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma vez que o consumo est\u00e1 crescendo antes, pode haver, mais \u00e0 frente, uma press\u00e3o de demanda?<\/strong><br \/>\nA nossa vis\u00e3o \u00e9 de que, dada a capacidade ociosa (das empresas), ainda temos um bom espa\u00e7o para a recupera\u00e7\u00e3o (sem press\u00e3o inflacion\u00e1ria), ainda mais porque a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 gradual. Isso \u00e9 uma quest\u00e3o que vai se colocar no futuro, mas n\u00e3o em um futuro pr\u00f3ximo. A gente acha que ainda h\u00e1 capacidade ociosa e uma recupera\u00e7\u00e3o gradual. Um problema de demanda que vem mais para frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Do ponto de vista do investimento, o ex-presidente do BC Arm\u00ednio Fraga afirmou que o investimento s\u00f3 voltar\u00e1 ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de 2018. Como o senhor avalia isso?<\/strong><br \/>\nEu diria que o investimento depende da capacidade ociosa, do esfor\u00e7o de infraestrutura, das privatiza\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m do grau de confian\u00e7a que voc\u00ea tem. A confian\u00e7a tem subido, mas existem incertezas que permanecem. E, quanto menor for incerteza e maior for a confian\u00e7a, mais o investimento se confirmar\u00e1. Algumas incertezas v\u00e3o ficar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que erros o Brasil n\u00e3o pode repetir?<\/strong><br \/>\nUm \u00e9 achar que n\u00e3o tem deficit onde tem deficit. \u00c9 o caso da Previd\u00eancia. Se a gente come\u00e7a a dizer que n\u00e3o tem deficit, \u00e9 o primeiro passo para ter muito deficit e ter, depois, que corrigir. Tamb\u00e9m temos que tratar bancos p\u00fablicos e bancos privados da mesma forma. Muitos perguntam por que o governo n\u00e3o usa os bancos p\u00fablicos para resolver determinados problemas. Isso ficou no passado. Congelamento de pre\u00e7os \u00e9 outro ponto. Algumas pessoas perguntam por que a gasolina subiu tanto. Subiu porque o pre\u00e7o estava congelado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAcho que j\u00e1 cometemos v\u00e1rios excessos no passado. Essa recess\u00e3o, que foi profunda, n\u00e3o seria poss\u00edvel s\u00f3 por in\u00e9rcia. Alguns erros foram cometidos\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A vontade de cometer os mesmo erros \u00e9 grande por parte de algumas pessoas?<\/strong><br \/>\nParece que h\u00e1 algo intuitivo e que atrai para esse tipo de solu\u00e7\u00e3o. Outro erro que a gente n\u00e3o cometeu, mas que \u00e9 sempre lembrado, \u00e9 usar reservas internacionais para cobrir o deficit fiscal. A minha resposta \u00e9 que, infelizmente, a gente n\u00e3o acumulou essas reservas com sobras, como em outros pa\u00edses que possuem fundo soberano. A gente acumulou emitindo d\u00edvida. Se gastar as reservas, s\u00f3 vai sobrar d\u00edvida. O Brasil j\u00e1 errou demais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Natal ser\u00e1 melhor?<\/strong><br \/>\nAcho que ser\u00e1 um Natal melhor. A economia est\u00e1 se recuperando. Mas, de novo, \u00e9 um processo gradual, a dona Maria n\u00e3o pode achar que mudou tudo. O brasileiro precisa perceber que as coisas est\u00e3o melhorando, n\u00e3o de uma hora para outra. Temos feito algumas campanhas e uma delas \u00e9 falar para as pessoas que t\u00eam cart\u00e3o de cr\u00e9dito que faz uma enorme diferen\u00e7a se elas pagam o m\u00ednimo da fatura. Quando o cidad\u00e3o paga pelo menos o m\u00ednimo, os juros s\u00e3o a metade daqueles que n\u00e3o pagam nem o m\u00ednimo. A campanha diz para as pessoas gastarem o que t\u00eam no bolso. N\u00e3o \u00e9 para deixar de comprar, mas, sim, comprar o que cabe no bolso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A \u00faltima ata do Copom n\u00e3o trouxe a express\u00e3o \u201cencerramento gradual do ciclo\u201d de baixa dos juros e deixou claro que o BC deve \u201cmanter liberdade de a\u00e7\u00e3o e adiar qualquer sinaliza\u00e7\u00e3o sobre as decis\u00f5es futuras de pol\u00edtica monet\u00e1ria\u201d, indicando uma disposi\u00e7\u00e3o do BC em estender o corte de juros para 2018. Esse foi o recado que o BC quis transmitir?<\/strong><br \/>\nNossa tentativa, em termos da comunica\u00e7\u00e3o, \u00e9 ser o mais transparente poss\u00edvel. A sua pergunta \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao ano que vem. Voc\u00ea n\u00e3o fez a pergunta em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo Copom. Por qu\u00ea? Porque voc\u00ea acha que a mensagem \u00e9 clara e estamos tentando ser o mais transparentes poss\u00edvel. N\u00e3o significa que a decis\u00e3o est\u00e1 tomada no pr\u00f3ximo Copom. Apenas dizemos que, se tudo ocorrer de acordo com o que projetamos, tomaremos aquela decis\u00e3o. Mas, se houver uma grande mudan\u00e7a, mudaremos tamb\u00e9m. Temos menos clareza para frente porque, dada as proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o, estamos caminhando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 meta (de 4,5%) quando olhamos para 2018 e 2019. A extens\u00e3o do ciclo n\u00e3o \u00e9 os juros estarem em 14% ou 13%. Est\u00e3o em 7,5%. Dada a extens\u00e3o do ciclo e dadas \u00e0s proje\u00e7\u00f5es, \u00e9 uma quest\u00e3o de olhar para frente e tomar uma decis\u00e3o mais fina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 um simbolismo em levar os juros para abaixo de 7% at\u00e9 dezembro?<\/strong><br \/>\nA gente vai decidir em rela\u00e7\u00e3o a coisas palp\u00e1veis, que s\u00e3o proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o e riscos. Temos dito \u00e9 que h\u00e1 risco para os dois lados. Um risco \u00e9 que a infla\u00e7\u00e3o, em vez de ir em dire\u00e7\u00e3o a 4,5% ou a 4,3%, fique mais baixa. Por que ela ficaria baixa? Tivemos um choque de alimentos, que n\u00e3o voltou. Na verdade, j\u00e1 est\u00e1 come\u00e7ando a voltar. A infla\u00e7\u00e3o baixa \u00e9 um problema bom para ter. O outro risco \u00e9 para o lado oposto. Se tivermos um choque externo e pararmos de fazer os ajustes e as reformas? O ambiente ficar\u00e1 mais incerto, com alta dos pr\u00eamios de riscos e das proje\u00e7\u00f5es (de infla\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Chegaremos ao ponto de ter a autonomia do BC em lei?<\/strong><br \/>\nEu acho que sim. H\u00e1 entendimentos diferentes entre parte do Congresso e o nosso quanto aos benef\u00edcios e aos custos de uma reforma dessas. N\u00f3s achamos que a autonomia em lei do BC trar\u00e1 muitos benef\u00edcios e pouco custo. N\u00e3o \u00e9 como a reforma da Previd\u00eancia, que altera regras para a concess\u00e3o de benef\u00edcios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Isso reduziria a taxa estrutural de juros?<\/strong><br \/>\nSim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quanto?<\/strong><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil saber. Seria f\u00e1cil colocar um n\u00famero, mas n\u00e3o temos certeza. Sabemos a dire\u00e7\u00e3o. Quanto, a gente n\u00e3o tem certeza. Mas, \u00e0s vezes, a discuss\u00e3o pol\u00edtica pode ter um custo maior do que aprovar uma autonomia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Dizia-se que, no processo de recupera\u00e7\u00e3o, o emprego seria a \u00faltima vari\u00e1vel a reagir. E estamos vendo a recupera\u00e7\u00e3o do emprego junto com a economia. O que mudou?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o se esperava isso. No ciclo tradicional, voc\u00ea come\u00e7a a vender, a\u00ed a produ\u00e7\u00e3o aumenta. E s\u00f3 depois que se produz mais \u00e9 que se come\u00e7a a voltar a contratar. A gente esperava o processo de contrata\u00e7\u00e3o para o fim do ciclo, com recupera\u00e7\u00e3o gradual, volta da produ\u00e7\u00e3o e, depois, a contrata\u00e7\u00e3o. Veio mais cedo do que se imaginava. Talvez esteja associada ao ganho do poder de compra, que se recuperou mais r\u00e1pido, e da queda do endividamento (das fam\u00edlias). Mas o que estou falando \u00e9 especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>\u201cTeremos um Natal melhor. Mas as pessoas s\u00f3 devem gastar o que tem no bolso. N\u00e3o \u00e9 para deixar de comprar, mas, sim, comprar o que cabe no bolso\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Isso \u00e9 uma mudan\u00e7a estrutural do mercado de trabalho?<\/strong><br \/>\nAcho que n\u00e3o. \u00c9 uma quest\u00e3o de timing. O que deveria ocorrer daqui a seis meses ocorreu agora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O BC tem feito o seu trabalho, mas as taxas praticadas pelos bancos, embora em queda, ainda s\u00e3o muito altas. Quando isso mudar\u00e1 de forma estrutural?<\/strong><br \/>\nAqui tamb\u00e9m tem quest\u00f5es c\u00edclicas e estruturais. Se olharmos a taxa Selic de setembro de 2016 em rela\u00e7\u00e3o a setembro de 2017, houve queda de seis pontos percentuais. Se olharmos a taxa m\u00e9dia de juros, a baixa foi de 10 pontos. Ent\u00e3o, os juros est\u00e3o se mexendo. Claro que n\u00e3o \u00e9 uma coisa autom\u00e1tica. Depende do grau de seguran\u00e7a, da inadimpl\u00eancia e de outras quest\u00f5es estarem mais est\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas o processo tem sido bem lento. Consumidores e empresas reclamam dos bancos.<\/strong><br \/>\nH\u00e1 quest\u00f5es, em parte, estruturais. Quest\u00f5es que levam a taxa Selic a ser maior (do que poderia ser). Primeiro, sabemos que todas as linhas (de cr\u00e9dito) que t\u00eam uma garantia apresentam taxa de juros melhor que as que n\u00e3o t\u00eam garantia. E a diferen\u00e7a \u00e9 muito maior no Brasil do que no resto do mundo. O cr\u00e9dito consignado \u00e9 um exemplo. Mas n\u00e3o s\u00f3 ele. O imobili\u00e1rio, com aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria. Gostar\u00edamos que todas as linhas de cr\u00e9dito tivessem custos menores. Mas temos que refor\u00e7ar as garantias. Tivemos um projeto que permitia que os registros das garantias fossem eletr\u00f4nicos, sem precisar apresentar um papel. Isso facilita as pessoas a perceberem o que tem garantia ou n\u00e3o. No registro eletr\u00f4nico, todo mundo consegue ver (as garantias). Outra \u00e9 a TLP. Metade do cr\u00e9dito no Brasil \u00e9 subsidiado e a outra metade n\u00e3o \u00e9. Isso \u00e9 uma anomalia do Brasil. No resto do mundo n\u00e3o existe isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 a pior situa\u00e7\u00e3o no mundo?<\/strong><br \/>\n\u00c9. N\u00e3o quer dizer que n\u00e3o existam subs\u00eddios. Os Estados Unidos d\u00e3o subs\u00eddio para quem compra uma casa. Deduz do imposto de renda todos os juros que foram pagos. \u00c9 um subs\u00eddio, mas n\u00e3o via o empr\u00e9stimo. Tenho usado o conceito mais amplo, a ideia da meia-entrada. Se a gente quer ter meia-entrada para metade do sistema, est\u00e1 claro que algu\u00e9m tem que pagar. Uma das meias-entradas, a gente lidou com a cria\u00e7\u00e3o da TLP. A nossa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que isso vai diminuir o custo do investimento. Outra quest\u00e3o estrutural \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o, que tem um valor para quem tem e \u00e9 enorme para quem n\u00e3o tem. No mercado de cr\u00e9dito, saber para quem est\u00e1 emprestando \u00e9 um valor muito grande, ainda mais em um pa\u00eds como o Brasil, em que voc\u00ea recupera muito pouco. Se voc\u00ea emprestar e ocorrer inadimpl\u00eancia, no resto do mundo, voc\u00ea recupera 70%. No Brasil, s\u00f3 10%. O projeto do cadastro positivo \u00e9 algo que permite que todo mundo tenha acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o funcionou (no Brasil), porque n\u00e3o tivemos um cadastro completo. Meio cadastro n\u00e3o funciona.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A diferen\u00e7a do atual projeto para o cadastro positivo em rela\u00e7\u00e3o ao anterior \u00e9 que o cidad\u00e3o ter\u00e1 que dizer que n\u00e3o quer participar?<\/strong><br \/>\nExatamente. O Brasil \u00e9 cheio de atritos e dificuldades. Todos estar\u00e3o no cadastro. Se, por acaso, algu\u00e9m n\u00e3o quiser participar, pedir\u00e1 para sair. No outro, voc\u00ea tinha que correr atr\u00e1s de todo mundo para entrar. Outra diferen\u00e7a \u00e9 no n\u00edvel de informa\u00e7\u00f5es. Milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o tomam cr\u00e9dito. Ent\u00e3o, como voc\u00ea sabe? Voc\u00ea olha se o cidad\u00e3o pagou a conta de luz, de g\u00e1s, de \u00e1gua e de esgoto. E ainda conhece o bom pagador. Essas mudan\u00e7as democratizam a informa\u00e7\u00e3o. Um grande banco tem uma base de dados. Um grande varejista, tamb\u00e9m. Quando se tem um cadastro p\u00fablico, democratiza-se a informa\u00e7\u00e3o. Esse conceito de democratiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito claro. Por isso, n\u00e3o h\u00e1 unanimidade. Dizem que haver\u00e1 problema de sigilo. N\u00e3o haver\u00e1. Voc\u00ea n\u00e3o vai abrir os dados da pessoa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas tudo isso justifica esses spreads alt\u00edssimos que os bancos brasileiros praticam?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei se justifica ou n\u00e3o, mas eu sei que vou trabalhar, inclusive na competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que ser\u00e1 feito?<\/strong><br \/>\nTem que empoderar quem pode para competir. E quem pode competir? Pequenos e m\u00e9dios bancos. Baixamos, recentemente, uma segmenta\u00e7\u00e3o do mercado. De S1 a S5. S1 s\u00e3o os cinco maiores bancos. O S5 s\u00e3o as cooperativas (de cr\u00e9dito). No meio, fica aquela indefini\u00e7\u00e3o. Por que \u00e9 importante onde voc\u00ea fica? Porque vamos colocar um custo maior regulat\u00f3rio e de capital. Se exigirmos menos custo para os pequenos e m\u00e9dios, estaremos empoderando essas institui\u00e7\u00f5es para competirem. O segundo ponto que ajuda na competi\u00e7\u00e3o s\u00e3o as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. S\u00e3o outra forma de pensar. S\u00e3o as fintechs, empresas de tecnologia no mercado financeiro. Um cart\u00e3o de cr\u00e9dito diferente ou um empr\u00e9stimo em que uma pessoa empresta a outra por meio de uma plataforma eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria e no mercado de cr\u00e9dito no Brasil s\u00e3o maiores do que em outros pa\u00edses?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. A concentra\u00e7\u00e3o do Brasil, na m\u00e9dia, \u00e9 igual \u00e0 mundial. Onde h\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o menor \u00e9 nos Estados Unidos e na Inglaterra. Na Fran\u00e7a, na Alemanha, na Espanha e em Portugal, todos t\u00eam quatro ou cinco bancos com concentra\u00e7\u00e3o at\u00e9 maior que no Brasil. Mas n\u00e3o significa que vamos deixar de olhar o tempo todo para a competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No caso das inova\u00e7\u00f5es, h\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a moedas digitais?<\/strong><br \/>\nTem que diferenciar as fintechs do bitcoin. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas ser\u00e1 inevit\u00e1vel o mundo lidar com a prolifera\u00e7\u00e3o dessas moedas.<\/strong><br \/>\nAs fintechs t\u00eam uma utilidade e um valor. Tem uma que empresta de forma digital, outra que \u00e9 um cart\u00e3o completamente eletr\u00f4nico. Qual o papel do bitcoin? Ele tem basicamente dois pap\u00e9is hoje. Um \u00e9 uma forma de encobertar dinheiro il\u00edcito. Segundo, \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 il\u00edcito. Tem gente que compra aquilo para valorizar. A\u00ed \u00e9 uma bolha, e n\u00e3o \u00e9 algo que o Banco Central quer. Temos alertado, acompanhado os discursos. N\u00e3o \u00e9 qualquer inova\u00e7\u00e3o que \u00e9 boa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma press\u00e3o vinda dos Estados Unidos com a escolha do novo presidente do Federal Reserve, o banco central norte-americano. Trump escolheu Jerome Powell.<\/strong><br \/>\nO mercado acha que Powell n\u00e3o mudar\u00e1 muito a trajet\u00f3ria dos juros nos EUA. As decis\u00f5es do Fed mexem com todos os ativos, e tamb\u00e9m os brasileiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Fed n\u00e3o possui metas expl\u00edcitas e, sim, metas impl\u00edcitas, sobretudo relacionadas a desemprego. O BC deveria olhar mais para as quest\u00f5es relacionadas ao emprego?<\/strong><br \/>\nA diferen\u00e7a do regime de metas para infla\u00e7\u00e3o no Brasil para os demais pa\u00edses e o Fed \u00e9 muito mais de percep\u00e7\u00e3o do que de realidade. No fim das contas, todo mundo trabalha igual. O Fed tem uma meta de 2% (de infla\u00e7\u00e3o), quase como se tivesse (um sistema de) meta de infla\u00e7\u00e3o. Se (o \u00edndice de pre\u00e7os) estiver abaixo da meta, vai estimular a economia. Pense no Brasil agora. Temos dito, explicitamente, que a pol\u00edtica monet\u00e1ria \u00e9 estimulativa, com juros abaixo do que seria estrutural. Quando voc\u00ea est\u00e1 abaixo da sua meta de infla\u00e7\u00e3o, voc\u00ea pode ser estimulativo, n\u00e3o s\u00f3 para a volta da infla\u00e7\u00e3o, mas para ajudar na recupera\u00e7\u00e3o da economia. S\u00e3o coisas muito parecidas. Se o Fed estiver com a infla\u00e7\u00e3o acima da meta, n\u00e3o vai olhar o emprego. Vai olhar o emprego na decis\u00e3o sobre qual \u00e9 a velocidade de volta (da infla\u00e7\u00e3o para a meta). A gente faz a mesma coisa. Tivemos infla\u00e7\u00e3o de 11% em 2015, de 6,13% em 2016. N\u00e3o voltamos para 4,5% em um pulo. N\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel, mas precisa calibrar os juros de tal maneira, t\u00e3o forte, que leve a infla\u00e7\u00e3o para 4,5%. Mas voc\u00ea leva em conta a atividade e a velocidade da volta. No fim das contas, essa discuss\u00e3o de que o Fed tem mandato de infla\u00e7\u00e3o e emprego \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de nomenclatura. No nosso caso, temos mais receio, porque n\u00e3o temos autonomia em lei e, sim, de fato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bom padr\u00e3o de vida e mais seguran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, est\u00e1 na sua segunda passagem por Bras\u00edlia. A primeira foi na segunda metade dos anos 1990, quando comandou a diretoria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica da institui\u00e7\u00e3o. Nesse per\u00edodo, foi pe\u00e7a central para que o pa\u00eds consolidasse o trip\u00e9 da estabilidade econ\u00f4mica: metas de infla\u00e7\u00e3o, c\u00e2mbio flutuante e superavit nas contas p\u00fablicas.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cEu gosto de Bras\u00edlia. Acho que o padr\u00e3o de vida aqui \u00e9 bom. Vejo as pessoas voltando para casa para almo\u00e7ar. J\u00e1 tem mais tr\u00e2nsito do que na minha primeira passagem. Mas as pessoas vivem em um ambiente menos inseguro do que em outras capitais. Me parece que o padr\u00e3o de vida \u00e9 melhor\u201d, diz.<\/em><\/p>\n<p><em>Discreto, Ilan acha que n\u00e3o \u00e9 reconhecido nas ruas. Na Esplanada dos Minist\u00e9rios e no mercado financeiro, por\u00e9m, \u00e9 visto como o goleiro da economia. Em mais de um ano no comando do BC, avalia como positivo os resultados alcan\u00e7ados at\u00e9 agora pelo pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cFoi um per\u00edodo em que conseguimos alguns resultados. A infla\u00e7\u00e3o caiu, ajudamos na recupera\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m atuamos no ataque, n\u00e3o s\u00f3 na defesa. Aprovamos algumas reformas. N\u00e3o tem porque reclamar. Foram v\u00e1rios avan\u00e7os, mas com muito trabalho\u201d, resume.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 09h03min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANA DUBEUX, ANTONIO TEM\u00d3TEO, PAULO SILVA PINTO E VICENTE NUNES Flamenguista roxo \u2013 sua \u00faltima experi\u00eancia no est\u00e1dio n\u00e3o foi boa, pois viu o Flamengo ser derrotado pelo S\u00e3o Paulo \u2013, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, n\u00e3o baixa a guarda. 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