{"id":6373,"date":"2017-10-26T06:52:33","date_gmt":"2017-10-26T08:52:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6373"},"modified":"2017-10-26T10:56:21","modified_gmt":"2017-10-26T12:56:21","slug":"livre-de-denuncia-temer-se-apega-com-tudo-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/livre-de-denuncia-temer-se-apega-com-tudo-economia\/","title":{"rendered":"Livre de den\u00fancia, Temer se apega com tudo \u00e0 economia"},"content":{"rendered":"<h2>Com a segunda den\u00fancia contra o presidente Michel Temer arquivada pela C\u00e2mara, todo o esfor\u00e7o do governo ser\u00e1 dedicado \u00e0 economia. Mesmo ciente de que a recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 modesta, dada \u00e0 falta de investimentos produtivos, o Pal\u00e1cio do Planalto acredita que, com a nova redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), de 8,25% para 7,50% ao ano, ser\u00e1 poss\u00edvel colher bons dividendos ao longo dos pr\u00f3ximos meses. H\u00e1 d\u00favidas, por\u00e9m, se o apoio dado ontem ao peemedebista pela C\u00e2mara dos Deputados se traduzir\u00e1 em votos a fator da reforma da Previd\u00eancia, pela qual tanto os agentes financeiros anseiam.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo est\u00e1 com o discurso pronto, refor\u00e7ado pelo comunicado do Banco Central liberado ap\u00f3s a reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom). O time comandado por Ilan Goldfajn indicou que, n\u00e3o havendo nenhuma mudan\u00e7a radical no atual cen\u00e1rio, ser\u00e1 poss\u00edvel levar os juros b\u00e1sicos para 7% no in\u00edcio de dezembro pr\u00f3ximo e para 6,75% em janeiro, taxa que dever\u00e1 ser mantida por todo o ano de 2018, apesar do esperado estresse trazido pelas elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A perspectiva de Temer \u00e9 de que a estabilidade indicada pelo BC conven\u00e7a parcela do Produto Interno Bruto (PIB) a desengavetar alguns projetos que evitem frustra\u00e7\u00f5es mais \u00e0 frente em rela\u00e7\u00e3o ao crescimento. O consumo das fam\u00edlias, como se sabe, deu uma inesperada ajuda para a retomada da atividade, mas n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para manter um voo em alta escala. O que estamos vendo \u2014 e deve ser mantido \u2014 \u00e9 um rasante impulsionado por recursos extras que foram liberados pelo governo por meio das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) e, agora, do PIS e do Pasep.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esses recursos vieram justamente num momento em que o mercado de trabalho dava seus primeiros suspiros e a infla\u00e7\u00e3o desabava. Foi uma combina\u00e7\u00e3o feliz que permitiu a Temer refor\u00e7ar o processo de convencer deputados a manterem seu mandato. Al\u00e9m de toda a barganha comandada pelo Planalto, pesou a perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o da economia depois de dois anos de recess\u00e3o. O presidente, nas negocia\u00e7\u00f5es com parlamentares, tentou mostrar que todos os que se mantiverem a seu lado ganhar\u00e3o com a atividade mais forte. Isso, garante ele, ter\u00e1 peso na hora de os eleitores depositarem seus votos nas urnas em outubro do ano que vem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pedras no caminho<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chefe do Departamento Econ\u00f4mico da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), F\u00e1bio Bentes diz que a retomada da economia \u00e9 real e que a queda dos juros ter\u00e1 papel crucial para sustentar a demanda. Ele destaca que os quatro pilares que sustentam o consumo das fam\u00edlias est\u00e3o sendo refor\u00e7ados, ainda que gradualmente. A infla\u00e7\u00e3o acumulada em 12 meses est\u00e1 rodando na casa dos 3%. A confian\u00e7a voltou a subir, estando no n\u00edvel mais elevado desde mar\u00e7o \u00faltimo. O mercado de trabalho est\u00e1 saindo do atoleiro e, h\u00e1 seis meses consecutivos, o pa\u00eds cria empregos formais. Com a taxa Selic caminhando para o menor n\u00edvel da hist\u00f3ria, espera-se que o cr\u00e9dito volte a jorrar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a retomada est\u00e1 acontecendo. E o com\u00e9rcio est\u00e1 se beneficiando. Nos nove primeiros meses do ano, acumulou alta de 1,9%. Nossa previs\u00e3o \u00e9 de que o varejo encerre o ano com alta de 2,8%. Isso quer dizer que os pr\u00f3ximos meses ser\u00e3o melhores\u201d, afirma Bentes. Para que esse quadro se confirme, \u00e9 preciso, por\u00e9m, que os bancos realmente repassem para a clientela os cortes nos juros promovidos pelo BC. \u201cDos quatro pilares que sustentam o consumo das fam\u00edlias, o cr\u00e9dito \u00e9 o que est\u00e1 mais atrasado. Sem financiamentos mais baratos, n\u00e3o h\u00e1 como manter a demanda. Os bancos n\u00e3o t\u00eam mais discurso para manter os juros aos consumidores t\u00e3o altos. A inadimpl\u00eancia est\u00e1 em queda\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bentes assinala que tr\u00eas ramos est\u00e3o puxando o com\u00e9rcio: vestu\u00e1rio, com alta acumulada de mais de 7%; m\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos, com incremento superior a 8%; e materiais de constru\u00e7\u00e3o, que cresceu 5%. Daqui por diante, ser\u00e1 poss\u00edvel ver uma recupera\u00e7\u00e3o mais forte das vendas de super e hipermercados. Ningu\u00e9m, contudo, est\u00e1 esperando uma explos\u00e3o do consumo. Muito pelo contr\u00e1rio, afirma o economista. No entender dele, para que a demanda das fam\u00edlias se sustente, ser\u00e1 preciso que os investimentos produtivos aumentem. Sem a amplia\u00e7\u00e3o da oferta de mercadorias, h\u00e1 o risco de, mais \u00e0 frente, os pre\u00e7os voltarem a subir, corroendo o poder de compra dos trabalhadores. \u201cO ajuste vir\u00e1 no meio da infla\u00e7\u00e3o mais alta\u201d, avisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Perigo dos extremos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do economista da CNC, independentemente das boas not\u00edcias na economia, \u00e9 preciso que a pol\u00edtica d\u00ea a sua contribui\u00e7\u00e3o para que o pa\u00eds engate um crescimento sustentado. Se as incertezas se dissiparem, os investimentos voltar\u00e3o com for\u00e7a e o BC n\u00e3o ter\u00e1 com o que se preocupar. Esse \u00e9 o mundo dos sonhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas cautela sempre \u00e9 bom. Temer saiu fortalecido da vota\u00e7\u00e3o de ontem na C\u00e2mara, entretanto, criou-se no mercado um certo inc\u00f4modo com a sa\u00fade dele. Diante da ida repentina do presidente para o hospital, todos se perguntam se ele ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de terminar o mandato. Pode haver exagero nesse questionamento, mas nunca \u00e9 demais acender o sinal de alerta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3. A um ano das elei\u00e7\u00f5es, o quadro \u00e9 totalmente incerto. Os dois l\u00edderes das pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de votos \u2014 Lula e Jair Bolsonaro \u2014 assustam o capital. Com discursos extremistas, incentivam a retra\u00e7\u00e3o dos investimentos produtivos. A travessia, portanto, ser\u00e1 tumultuada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vamos ver como o governo conseguir\u00e1 manejar o barco. Temer queimou muita muni\u00e7\u00e3o para barrar as duas den\u00fancias contra ele. Agora, para impor sua agenda, que inclui o leil\u00e3o de \u00e1reas do pr\u00e9-sal nesta sexta-feira, ter\u00e1 que duelar com o presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Rodrigo Maia, pela agenda econ\u00f4mica. Essa briga pelo protagonismo pode acabar mal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h52min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a segunda den\u00fancia contra o presidente Michel Temer arquivada pela C\u00e2mara, todo o esfor\u00e7o do governo ser\u00e1 dedicado \u00e0 economia. 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