{"id":6249,"date":"2017-10-01T11:29:27","date_gmt":"2017-10-01T14:29:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6249"},"modified":"2017-09-30T22:34:21","modified_gmt":"2017-10-01T01:34:21","slug":"china-tem-visao-estrategica-e-de-longo-prazo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/china-tem-visao-estrategica-e-de-longo-prazo\/","title":{"rendered":"China tem vis\u00e3o estrat\u00e9gica e de longo prazo"},"content":{"rendered":"<h2>SIMONE KAFRUNI<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>A necessidade de aporte de capital, de moderniza\u00e7\u00e3o da infraestrutura e da gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda \u00e9 muito maior do que os riscos de uma eventual depend\u00eancia dos chineses por conta dos investimentos maci\u00e7os da China no Brasil. A opini\u00e3o \u00e9 consensual entre especialistas do setor, que n\u00e3o temem pela desnacionaliza\u00e7\u00e3o de ativos essenciais para o desenvolvimento do pa\u00eds, mas analisam o interesse pontual do gigante asi\u00e1tico.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O diretor da Macroplan, Cl\u00e1udio Porto, observa que a China j\u00e1 \u00e9 o maior importador de produtos brasileiros, com cerca de 17%. \u201cNa sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo, a China tem uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica sofisticada e de longo prazo\u201d, diz. Isso explicaria grande parte do interesse deles pelo Brasil. \u201cPodemos ser grandes fornecedores de commodities agr\u00edcolas e minerais e de alguns produtos intermedi\u00e1rios ou mesmo industrializados, e somos um grande mercado para manufaturados chineses, al\u00e9m de demandantes de capital f\u00edsico (infraestrutura) e financeiro\u201d, contextualiza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por esse ponto de vista, avalia Porto, o grande interesse da China em investir no Brasil tem como motiva\u00e7\u00e3o principal a conquista de posi\u00e7\u00f5es a longo prazo e tamb\u00e9m um certo oportunismo. \u201cO Brasil est\u00e1 muito barato e oferece oportunidades valiosas, especialmente no setor el\u00e9trico\u201d, assinala. Al\u00e9m disso, complementa, a China tem cacife para exercer op\u00e7\u00f5es de investimento de longo prazo no Brasil e correr o risco-Brasil. \u201cEles t\u00eam muito capital, e a um custo baix\u00edssimo. Ou seja, nossas oportunidades de investimento s\u00e3o atrativas para os chineses, mesmo com taxas de retorno mais demoradas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como o mercado consumidor chin\u00eas \u00e9 gigante e cada vez mais demandante, garantir suprimentos a longo prazo \u00e9 um bom neg\u00f3cio para a China. \u201cTodas as evid\u00eancias indicam que os chineses ser\u00e3o players com presen\u00e7a crescente nos investimentos e nos neg\u00f3cios no Brasil\u201d, resume. O risco de depend\u00eancia, explica Porto, est\u00e1 nas m\u00e3os do Brasil. \u201cSe o pa\u00eds estruturar uma boa regula\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ar sua capacidade diplom\u00e1tica e montar uma boa estrat\u00e9gia de abertura e rela\u00e7\u00e3o comercial e de neg\u00f3cios com o mundo, os benef\u00edcios que teremos com a presen\u00e7a de capital estrangeiro aqui ser\u00e3o muito maiores do que os riscos.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Soberania<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Cl\u00e1udio Frischtak, presidente da InterB Consultoria, a China tem uma taxa de poupan\u00e7a fora da curva. \u201cCom poupan\u00e7a de 50% do Produto Interno Bruto (PIB), \u00e9 normal que parte escape para fora do pa\u00eds. A Coreia do Sul tem 35%, e j\u00e1 \u00e9 bom. No Brasil, temos 15%\u201d, compara. O governo chin\u00eas tem uma pol\u00edtica de estimular, mas controlar os investimentos fora da China, tanto que, no pa\u00eds, o grosso do aporte n\u00e3o \u00e9 em projetos greenfield (come\u00e7ando do zero), nos quais h\u00e1 risco ambiental. \u00c9 em fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O especialista explica que o investimento estrangeiro melhor \u00e9 aquele que vem constituir um novo ativo. \u201cMas, quando compram os j\u00e1 existentes, os chineses tendem a fazer um esfor\u00e7o de moderniza\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 positivo\u201d, avalia. Frischtak diz que n\u00e3o h\u00e1 risco de desnacionaliza\u00e7\u00e3o. \u201cUm pa\u00eds com 15% do PIB de taxa de poupan\u00e7a n\u00e3o pode prescindir de investimentos estrangeiros. Ainda mais quando as estatais s\u00e3o capturadas por interesses pol\u00edticos. Quem amea\u00e7a nossa soberania somos n\u00f3s mesmos\u201d, sentencia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fundo para infraestrutura<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de um fundo China-Brasil para investimento em infraestrutura foi literalmente um neg\u00f3cio da China. J\u00e1 constitu\u00eddo, o fundo tem US$ 20 bilh\u00f5es em recursos, sendo que o banco estatal chin\u00eas entra com US$ 15 bilh\u00f5es e o Brasil, com US$ 5 bilh\u00f5es, na propor\u00e7\u00e3o de tr\u00eas para um. O poder decis\u00f3rio, no entanto, \u00e9 igual para as duas na\u00e7\u00f5es. \u201cUm bom neg\u00f3cio, n\u00e3o?\u201d, indaga o presidente da C\u00e2mara Brasil-China, Charles Tang.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio adjunto de Assuntos Internacionais do Minist\u00e9rio do Planejamento, Renato Baumann, afirma que j\u00e1 recebeu 21 consultas para uso de recursos do fundo. Tr\u00eas projetos j\u00e1 foram formalizados. \u201cN\u00e3o podemos divulgar, s\u00f3 depois da aprova\u00e7\u00e3o\u201d, diz. Baumann explica que os empres\u00e1rios com interesse em investir precisam se credenciar, por meio de um formul\u00e1rio de carta consulta, com os dados essenciais, no site do minist\u00e9rio. \u201cIsso \u00e9 analisado em n\u00edvel t\u00e9cnico pelo governo brasileiro e pelo governo chin\u00eas. A decis\u00e3o final fica a cargo de um comit\u00ea, formado por autoridades dos dois pa\u00edses.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de um instrumento de financiamento, o fundo deve intensificar as rela\u00e7\u00f5es entre as duas na\u00e7\u00f5es, espera Baumann. \u201cA expectativa \u00e9 muito favor\u00e1vel. H\u00e1 grande interesse. Isso deve ser um impulso importante para entrada de recursos chineses no pa\u00eds\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Interesse em energia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os investimentos mais recentes dos chineses no Brasil apontam para um interesse maior no setor de energia. No ano passado, do total de mais de US$ 12 bilh\u00f5es anunciados, US$ 6,6 bilh\u00f5es foram no setor el\u00e9trico, aponta levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Este ano, as compras da CPFL Energia e da Usina de S\u00e3o Sim\u00e3o, depois de uma tentativa de abocanhar parcela da Hidrel\u00e9trica de Santo Ant\u00f4nio, provam o apetite energ\u00e9tico. Isso anima o governo, que vai leiloar 11 linhas de transmiss\u00e3o em dezembro, privatizar a Eletrobras, e tem duas rodadas de partilha de blocos do pr\u00e9-sal marcadas para 27 de outubro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do presidente da InterB Consultoria, Cl\u00e1udio Frischtak, os chineses s\u00e3o muito conservadores, est\u00e3o cada dia mais sofisticados e sabem fazer contas muito bem. \u201cEles entraram no campo de Libra, que \u00e9 um ativo de risco, por\u00e9m, de classe mundial. Para a segunda e terceira rodadas do pr\u00e9-sal, certamente estar\u00e3o presentes e v\u00e3o investir\u201d, aposta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 na privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras, Frischtak tem d\u00favidas. \u201cPode at\u00e9 ser que algum fundo de pens\u00e3o chin\u00eas queira entrar na Eletrobras, mas n\u00e3o vejo tanto interesse, porque eles querem controle, ou compartilhar o controle de gest\u00e3o. A modelagem do governo n\u00e3o vai nessa dire\u00e7\u00e3o\u201d, comenta. O governo promete diluir sua participa\u00e7\u00e3o com a capitaliza\u00e7\u00e3o da empresa por meio de uma oferta de a\u00e7\u00f5es, com a pulveriza\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is e golden share (que garante poder de veto a quem a det\u00e9m) da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fernando Marcondes, do L.O. Baptista, concorda. \u201cNa Eletrobras, se o caminho for da pulveriza\u00e7\u00e3o, afastar\u00e1 os investidores da China\u201d, diz. J\u00e1 no petr\u00f3leo, Marcondes avalia que empres\u00e1rios chineses participaram da \u00faltima rodada como observadores, com o objetivo de entrarem forte nas pr\u00f3ximas, que envolvem o pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c1reas estrat\u00e9gicas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cl\u00e1udio Porto, diretor da Macroplan, alerta para o interesse dos chineses em ativos que geram receita imediata. \u201cPor exemplo, a Usina de S\u00e3o Sim\u00e3o, que j\u00e1 est\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio de um bloco de petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal, que exigir\u00e1 alguns anos de desenvolvimento\u201d, assinala. Porto lista setores atrativos para os chineses: \u201cAgroneg\u00f3cio, para garantir suprimentos de longo prazo; energia, especialmente a el\u00e9trica, mas eles tender\u00e3o a diversificar; infraestrutura de transportes de alta capacidade, como rodovias, aeroportos, portos e ferrovias (essa \u00faltima, se melhorar a modelagem de opera\u00e7\u00e3o); e neg\u00f3cios de ocasi\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entender de Miguel Neto, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Miguel Neto Advogados, os empres\u00e1rios chineses tamb\u00e9m demonstram interesse pelo setor a\u00e9reo, com participa\u00e7\u00e3o na Azul e no Gale\u00e3o. \u201cEles v\u00e3o olhar com apetite a nova rodada de concess\u00e3o de aeroportos. N\u00e3o est\u00e3o mais investindo na economia velha. Preferem ser supridores de produtos para o Brasil, e apostar em \u00e1reas estrat\u00e9gicas\u201d, projeta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 11h21min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SIMONE KAFRUNI A necessidade de aporte de capital, de moderniza\u00e7\u00e3o da infraestrutura e da gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda \u00e9 muito maior do que os riscos de uma eventual depend\u00eancia dos chineses por conta dos investimentos maci\u00e7os da China no Brasil. A opini\u00e3o \u00e9 consensual entre especialistas do setor, que n\u00e3o temem pela desnacionaliza\u00e7\u00e3o de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600],"tags":[378,246,838,704,578,2790],"class_list":["post-6249","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","tag-brasil","tag-china","tag-dependencia","tag-infraestrutura","tag-investimentos","tag-soberania"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6249","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6249"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6249\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6250,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6249\/revisions\/6250"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6249"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}