{"id":6246,"date":"2017-10-01T06:18:42","date_gmt":"2017-10-01T09:18:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6246"},"modified":"2017-09-30T22:36:29","modified_gmt":"2017-10-01T01:36:29","slug":"chineses-vao-investir-us-20-bilhoes-no-brasil-nos-proximos-12-meses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/chineses-vao-investir-us-20-bilhoes-no-brasil-nos-proximos-12-meses\/","title":{"rendered":"Chineses v\u00e3o investir US$ 20 bilh\u00f5es no Brasil nos pr\u00f3ximos 12 meses"},"content":{"rendered":"<h2>SIMONE KAFRUNI<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>Os chineses nunca investiram tanto no Brasil e, gra\u00e7as ao apetitoso \u2014 e barato \u2014 card\u00e1pio de privatiza\u00e7\u00f5es do governo Michel Temer, \u00e9 apenas o come\u00e7o. Entre 2003 e 2017, foram US$ 47 bilh\u00f5es em investimento direto no pa\u00eds, sem contar a Usina Hidrel\u00e9trica S\u00e3o Sim\u00e3o, que o grupo chin\u00eas State Power Investment Corporation (Spic), dono da Pacific Energy, arrematou por R$ 7,2 bilh\u00f5es na semana passada. Equivalente a US$ 2,3 bilh\u00f5es, o b\u00f4nus de outorga, no entanto, \u00e9 um aperitivo diante da previs\u00e3o de inje\u00e7\u00e3o de US$ 20 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos 12 meses.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos pre\u00e7os de ocasi\u00e3o dos ativos brasileiros, os baixos juros praticados no mercado global e a gorda taxa de poupan\u00e7a da China, de 50% do Produto Interno Bruto (PIB), explicam a fome do gigante asi\u00e1tico, que tamb\u00e9m pretende, com o avan\u00e7o voraz em v\u00e1rios pa\u00edses emergentes, fortalecer-se como l\u00edder mundial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio adjunto de Assuntos Internacionais do Minist\u00e9rio do Planejamento, Renato Baumann, diz que o aumento da intensidade e do ritmo dos investimentos chineses no Brasil \u00e9 uma coisa nova. \u201c\u00c9 um aprendizado para eles e para n\u00f3s\u201d, afirma. Baumann faz um resgate hist\u00f3rico para explicar o fen\u00f4meno. \u201cAs reservas da China chegaram a US$ 4 trilh\u00f5es. Hoje, s\u00e3o estimadas em US$ 3 trilh\u00f5es. Grande parte estava aplicada em t\u00edtulos do Tesouro americano, cujas taxas ca\u00edram muito\u201d, conta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo chin\u00eas estimulou o investimento em projetos espec\u00edficos para melhorar a remunera\u00e7\u00e3o das suas reservas. Assim, o fluxo do capital para a Am\u00e9rica Latina, explica o secret\u00e1rio, come\u00e7ou h\u00e1 10 anos, a partir de aportes nas cadeias dos produtos que a China mais consome. \u201cInicialmente, o foco foi em alimentos e min\u00e9rios. S\u00f3 recentemente, o pa\u00eds passou a apostar em projetos de infraestrutura\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Baumann destaca, no entanto, que \u00e9 dif\u00edcil explicar como os n\u00fameros do Banco Central sejam t\u00e3o baixos. Conforme a \u00faltima nota de setor externo da autoridade monet\u00e1ria, o ingresso de capital chin\u00eas em investimentos diretos no pa\u00eds foi de US$ 879 milh\u00f5es em 2016 e de US$ 179 milh\u00f5es de janeiro a agosto de 2017. \u201cUma dificuldade estat\u00edstica \u00e9 que parte disso deve passar por para\u00edsos fiscais\u201d, acredita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As planilhas do Planejamento, contudo, contabilizam 180 projetos anunciados desde 2003, 87 confirmados, com inje\u00e7\u00e3o de US$ 47 bilh\u00f5es at\u00e9 2017, sem adicionar a mais recente aquisi\u00e7\u00e3o. \u201cO grosso est\u00e1 em energia e ingressa por meio de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es, com a compra total ou de participa\u00e7\u00e3o em empresas j\u00e1 existentes\u201d, diz Baumann.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se o apetite chin\u00eas j\u00e1 enche os olhos, o melhor est\u00e1 por vir, garante o presidente da C\u00e2mara Brasil-China (CCIBC), Charles Tang. \u201cOs investimentos no Brasil est\u00e3o mal come\u00e7ando. Nos pr\u00f3ximos 12 meses, v\u00e3o entrar mais US$ 20 bilh\u00f5es\u201d, anuncia. A China est\u00e1 investindo maci\u00e7amente no mundo inteiro, mas o Brasil est\u00e1 no centro das aten\u00e7\u00f5es por duas raz\u00f5es, diz Tang. \u201cH\u00e1 alguns anos, todos os projetos estavam nas m\u00e3os das grandes empreiteiras no Brasil. Com a crise e a paralisa\u00e7\u00e3o das obras, os ativos ficaram baratos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Dom\u00ednio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O outro motivo, explica o presidente da CCIBC, passa pelas ambi\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas do governo chin\u00eas. \u201cO incentivo aos pa\u00edses do Brics busca formar um grupo forte o suficiente para superar o G7 (as sete economias mais ricas do mundo) e, assim, a China se consolidar como lideran\u00e7a mundial\u201d, assinala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Tang, o mundo desenvolvido nunca entendeu as prioridades dos pa\u00edses emergentes e a China quer tornar o Brics maior e mais forte politicamente. \u201cTemos um quarto da popula\u00e7\u00e3o do mundo, 40% da economia e 40% do territ\u00f3rio mundial. Com a amplia\u00e7\u00e3o do Brics, a partir dos investimentos, a China ter\u00e1 mais voz no sistema financeiro mundial\u201d, esclarece.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O modelo de investimento agressivo em pa\u00edses emergentes demonstra uma mudan\u00e7a significativa na arte de rela\u00e7\u00f5es internacionais da China, avalia Tang. \u201cNa\u00e7\u00f5es fortes sempre dominaram as mais fracas com armas. A China inventou uma nova maneira: envia seus empres\u00e1rios para comercializar e investir nos pa\u00edses. N\u00e3o suas tropas. Assim, o rastro n\u00e3o \u00e9 de sangue e destrui\u00e7\u00e3o, e sim de desenvolvimento e prosperidade\u201d, sentencia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/09\/DragaoChines.jpg\" rel=\"attachment wp-att-6247\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6247\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/09\/DragaoChines.jpg\" alt=\"DragaoChines\" width=\"1024\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/09\/DragaoChines.jpg 1024w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/09\/DragaoChines-300x156.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/09\/DragaoChines-768x399.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/09\/DragaoChines-350x182.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/09\/DragaoChines-550x286.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/09\/DragaoChines-230x119.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Projetos consolidam presen\u00e7a no pa\u00eds<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2017, os chineses devem aportar mais de R$ 24 bilh\u00f5es, cerca de US$ 7,5 bilh\u00f5es, no Brasil. Al\u00e9m da usina S\u00e3o Sim\u00e3o arrematada pela State Power Investment Corporation (Spic), que havia comprado a Pacific Energy em abril, a gigante mundial do setor el\u00e9trico State Grid pagou R$ 14 bilh\u00f5es pelo controle acion\u00e1rio da CPFL Energia no in\u00edcio do ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O grupo HNA assumiu a participa\u00e7\u00e3o de 31% da Odebrecht na concession\u00e1ria do Aeroporto Gale\u00e3o (RJ) por cerca de R$ 60 milh\u00f5es. E, no in\u00edcio de setembro, a China Merchants Port Holdings adquiriu 90% da operadora portu\u00e1ria TCP Participa\u00e7\u00f5es, no Porto de Paranagu\u00e1 (PR), por R$ 2,9 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA Xangai Eletric est\u00e1 vindo em outubro assinar o contrato do projeto de construir uma linha de transmiss\u00e3o de 1,8 mil quil\u00f4metros no Rio Grande do Sul. Deve come\u00e7ar com US$ 1 bilh\u00e3o em investimentos\u201d, antecipa o presidente da C\u00e2mara Brasil-China (CCIBC), Charles Tang.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00falio Cariello, coordenador de an\u00e1lise do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), explica que, al\u00e9m do interesse maior de empresas entrantes, os chineses est\u00e3o fortalecendo a presen\u00e7a de companhias que j\u00e1 est\u00e3o no Brasil. \u201cA State Grid e o Grupo Three Gorges (GTC) est\u00e3o se consolidando, assim como a China Comunications Construction Company (CCCC) e a HNA\u201d, enumera.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estudo do CEBC mostra a retomada do interesse chin\u00eas no Brasil, com o \u00e1pice dos investimentos em 2010, que depois minguaram at\u00e9 voltarem a crescer (veja quadro). Uma nova fase teve in\u00edcio em 2015, caracterizada n\u00e3o apenas pelo aumento do valor investido, mas tamb\u00e9m pelo tipo de projetos nos quais as empresas chinesas t\u00eam focado sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em um primeiro momento, a China priorizou investimentos em atividades ligadas \u00e0s commodities, que constituem a maior parte da pauta de produtos exportados pelo Brasil. Depois, as empresas chinesas buscaram oportunidades na \u00e1rea industrial, tendo em vista o mercado dom\u00e9stico brasileiro. Um terceiro momento da rela\u00e7\u00e3o bilateral come\u00e7ou quando bancos chineses se estabeleceram no pa\u00eds ou adquiriram participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria em institui\u00e7\u00f5es financeiras brasileiras ou internacionais j\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Oportunidades<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA parceria com bancos no mercado brasileiro facilitou aquisi\u00e7\u00f5es e fus\u00f5es, que s\u00e3o as principais formas de ingresso de capital chin\u00eas no Brasil\u201d, explica Cariello. Depois disso, os aportes deslancharam, sobretudo em energia el\u00e9trica e infraestrutura. A HNA, antes de entrar na concession\u00e1ria Rio Gale\u00e3o este ano, comprou parcela da Azul Linhas A\u00e9reas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s desse interesse todo, h\u00e1 muito mais do que a quest\u00e3o pragm\u00e1tica do investidor chin\u00eas, que v\u00ea oportunidade de ativos baratos, destaca Cariello. \u201cIsso segue um movimento de investimento global. A China tem taxa de poupan\u00e7a muito alta. Houve um desinteresse dos Estados Unidos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica Latina, que abriu espa\u00e7o para as novas pot\u00eancias, como a China\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O coordenador do CEBC afirma que, historicamente, os EUA dominavam os investimentos na Am\u00e9rica Latina, mas a prioridade se esvaiu diante da urg\u00eancia do combate ao terrorismo e tamb\u00e9m da pol\u00edtica do presidente norte-americano Donald Trump, com foco no mercado interno. \u201cA China aproveitou isso em toda a Am\u00e9rica Latina, mas o volume no Brasil \u00e9 maior por uma quest\u00e3o do tamanho da economia do pa\u00eds\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 06h18min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SIMONE KAFRUNI Os chineses nunca investiram tanto no Brasil e, gra\u00e7as ao apetitoso \u2014 e barato \u2014 card\u00e1pio de privatiza\u00e7\u00f5es do governo Michel Temer, \u00e9 apenas o come\u00e7o. 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