{"id":6228,"date":"2017-09-28T06:06:51","date_gmt":"2017-09-28T09:06:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6228"},"modified":"2017-09-28T09:09:44","modified_gmt":"2017-09-28T12:09:44","slug":"coluna-no-correio-os-dois-lados-da-moeda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-os-dois-lados-da-moeda\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Os dois lados da moeda"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o Pal\u00e1cio do Planalto tem bons motivos para comemorar os resultados dos leil\u00f5es nas \u00e1reas de energia el\u00e9trica e petr\u00f3leo, mas problemas n\u00e3o faltam ao governo. Al\u00e9m da den\u00fancia contra o presidente Michel Temer, que est\u00e1 tramitando na C\u00e2mara dos Deputados, a bancada mineira prometeu barrar projetos de interesse do Executivo, pois se sentiu tra\u00edda com a venda de usinas que pertenciam \u00e0 Cemig. Mais: os R$ 16 bilh\u00f5es arrecadados nos leil\u00f5es d\u00e3o um al\u00edvio no quadro fiscal, por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas continua dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A determina\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 tentar minimizar os problemas e maximizar as not\u00edcias boas. \u00c9 do jogo. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel olhar apenas um lado da moeda. Na opini\u00e3o do presidente da Consultoria Macroplan, Cl\u00e1udio Porto, os investidores, sobretudo os estrangeiros, deram um aval de confian\u00e7a important\u00edssimo ao pa\u00eds. Contudo, o Brasil est\u00e1 atrasado em quest\u00f5es vitais para garantir o crescimento sustentado, como na reforma da Previd\u00eancia Social. O que se est\u00e1 vendo agora \u00e9 o in\u00edcio de uma tentativa de recupera\u00e7\u00e3o do terreno perdido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o presidente da Macroplan, \u00e9 preciso fazer um esfor\u00e7o redobrado no sentido de tirar as amarras do pa\u00eds. E o Congresso tem papel preponderante nisso. Ele acredita que o ambiente de neg\u00f3cios melhorou sensivelmente porque o atual governo definiu regras mais consistentes e favor\u00e1veis \u00e0 iniciativa privada. Se os leil\u00f5es de hidrel\u00e9tricas e de campos de petr\u00f3leo tivessem ocorrido, por exemplo, h\u00e1 dois anos, ainda na gest\u00e3o de Dilma Rousseff, seriam fracassos retumbantes. \u201cAvan\u00e7amos, com certeza. O que os investidores querem \u00e9 uma regula\u00e7\u00e3o minimamente previs\u00edvel e s\u00f3lida\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 de que os pr\u00f3ximos leil\u00f5es de concess\u00f5es e de privatiza\u00e7\u00f5es atraiam mais capital estrangeiro para o pa\u00eds. \u201cH\u00e1 muitas boas oportunidades por aqui\u201d, reconhece Porto. O governo, no entanto, n\u00e3o deve se precipitar para vender tudo o que pode apenas com a vis\u00e3o arrecadat\u00f3ria, como forma de evitar que o deficit fiscal estoure o teto fixado em lei, de R$ 159 bilh\u00f5es neste ano e em 2018. N\u00e3o ser\u00e1 com receitas extraordin\u00e1rias que conseguir\u00e1 resolver os problemas das contas p\u00fablicas. \u201cNa pressa, o risco de se cometer erros aumenta. Pode-se vender ativos abaixo do pre\u00e7o real\u201d, alerta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Retorno de gigantes<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do retorno ao pa\u00eds de gigantes como a ExxonMobil, que, por meio de um cons\u00f3rcio formado com a Petrobras, arrematou \u00e1reas para explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Bacia de Campos, o presidente da Macroplan chama a aten\u00e7\u00e3o para a aus\u00eancia de movimentos estatais nos leil\u00f5es. Em outros tempos, o governo teria atuado nos bastidores para arregimentar as empresas controladas pelo Tesouro Nacional e seus fundos de pens\u00e3o a fim de garantir as opera\u00e7\u00f5es. Nessa empreitada, tamb\u00e9m se abriam as portas para a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO governo tem que deixar o caminho livre para a iniciativa privada. \u00c9 dessa forma que teremos de volta os investimentos que o Brasil necessita para crescer\u201d, ressalta o presidente da Macroplan. Se depender apenas do consumo das fam\u00edlias, que, neste momento, est\u00e1 sustentando o Produto Interno Bruto (PIB), o pa\u00eds avan\u00e7ar\u00e1 lentamente. \u201cN\u00e3o podemos esquecer que a recupera\u00e7\u00e3o registrada at\u00e9 agora \u00e9 c\u00edclica, em cima de uma base muito deprimida. A capacidade ociosa das ind\u00fastrias continua elevada e as fam\u00edlias s\u00f3 voltaram a consumir porque botaram as contas em dia\u201d acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos de Porto, \u00e9 poss\u00edvel que o pa\u00eds cres\u00e7a 3% ou um pouco mais em 2018. Mas, para isso, ser\u00e1 necess\u00e1rio muito mais que o sucesso dos leil\u00f5es que tanto animaram o governo. H\u00e1 incertezas no horizonte, a come\u00e7ar pelas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Para o consultor, apesar de ter diminu\u00eddo o risco de o Brasil mergulhar num populismo de esquerda ou de direita, n\u00e3o se tem a menor no\u00e7\u00e3o do que emergir\u00e1 das urnas no ano que vem. Na hora de definirem suas estrat\u00e9gias de neg\u00f3cios, os investidores levam isso em considera\u00e7\u00e3o. Como enfatiza o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, dinheiro n\u00e3o aceita desaforo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cIndependentemente de todos os por\u00e9ns, h\u00e1 sinais de esperan\u00e7a\u201d, afirma Porto. Para ele, o voto de confian\u00e7a dos investidores veio em boa hora. \u00c9 preciso ent\u00e3o, que governo e Congresso se entendam e fa\u00e7am o que \u00e9 preciso ser feito para que o futuro n\u00e3o seja apenas um desejo. Ao menor vacilo, a mar\u00e9 pode virar rapidamente. Que fique claro: j\u00e1 perdemos tempo demais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h06min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o Pal\u00e1cio do Planalto tem bons motivos para comemorar os resultados dos leil\u00f5es nas \u00e1reas de energia el\u00e9trica e petr\u00f3leo, mas problemas n\u00e3o faltam ao governo. 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