{"id":6201,"date":"2017-09-26T06:21:34","date_gmt":"2017-09-26T09:21:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6201"},"modified":"2017-09-26T11:37:22","modified_gmt":"2017-09-26T14:37:22","slug":"coluna-no-correio-e-se-o-crescimento-frustrar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-e-se-o-crescimento-frustrar\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: E se o crescimento frustrar?"},"content":{"rendered":"<h2>Ainda que, gradualmente, governo e mercado elevem as proje\u00e7\u00f5es de crescimento para este ano e para 2018, h\u00e1 muitas d\u00favidas no horizonte sobre o tamanho da retomada da economia. N\u00e3o se sabe at\u00e9 aonde vai a for\u00e7a do consumo das fam\u00edlias, que vem sustentando o Produto Interno Bruto (PIB), e qual a real disposi\u00e7\u00e3o do empresariado em retirar os projetos de investimentos das gavetas. O discurso do Pal\u00e1cio do Planalto de que o pa\u00eds pode registrar um salto de 3% ou mais no ano que vem est\u00e1 dentro do roteiro tra\u00e7ado por um governo que precisa, desesperadamente, de boas not\u00edcias. Mas h\u00e1 um longo caminho a ser percorrido, com uma grande inc\u00f3gnita a atormentar os donos do dinheiro: as elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os ajustes para cima nas proje\u00e7\u00f5es do PIB indicam que o per\u00edodo mais dram\u00e1tico para a economia, felizmente, ficou para tr\u00e1s. Na pesquisa semanal realizada pelo Banco Central, as estimativas de crescimento neste ano subiram de 0,60% para 0,68%. No caso de 2018, passaram de 2,20% para 2,30%. Na situa\u00e7\u00e3o em que o governo se encontra, com uma nova den\u00fancia contra o presidente Michel Temer tramitando na C\u00e2mara dos Deputados, tais previs\u00f5es s\u00e3o mais do que um al\u00edvio. Sustentam a vis\u00e3o de que, independentemente da gravidade da crise pol\u00edtica, o Brasil est\u00e1 caminhando e corrigindo as s\u00e9rias distor\u00e7\u00f5es criadas na administra\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O risco, por\u00e9m, de haver frustra\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao PIB \u00e9 consider\u00e1vel. A depender do desenrolar das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, o crescimento que hoje \u00e9 motivo de comemora\u00e7\u00e3o pode levar um tranco. Os dois nomes que lideram as pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto, Lula e Jair Bolsonaro, s\u00e3o recha\u00e7ados pelos investidores. Mesmo que o petista fique fora da disputa, a falta de um nome de consenso levar\u00e1 a uma polariza\u00e7\u00e3o s\u00f3 vista em 1989. Com pouco mais de 10% dos votos v\u00e1lidos, um dos candidatos poder\u00e1 ir para o segundo turno. \u00c9 muita incerteza para quem pensa a longo prazo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Efeito do FGTS<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os n\u00fameros coletados at\u00e9 agora indicam que boa parte do consumo das fam\u00edlias que vem sustentando o PIB decorreu dos saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS). Esse efeito na demanda, no entanto, praticamente se esgotou. A aposta, agora, \u00e9 de que a conjuga\u00e7\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o e juros em queda fa\u00e7a o trabalho de sustentar a atividade de forma equilibrada e por um longo per\u00edodo. Nesse quesito, o consenso \u00e9 grande. Mas, para que o PIB realmente deslanche, ser\u00e1 importante a volta dos investimentos produtivos. E esses se mant\u00eam muito arredios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 vestindo o figurino de candidato, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tenta inflar o otimismo, at\u00e9 porque conta com o trunfo da economia para se viabilizar nas urnas. Em viagem ao exterior, brada em alto e bom som que, por onde vem passando, tem colhido depoimentos de empresas que est\u00e3o prontas para aportar capital no Brasil. Entre desejo e realidade, contudo, h\u00e1 uma dist\u00e2ncia enorme. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o pa\u00eds tem um grande potencial para crescer e carece de investimentos em v\u00e1rios setores, sobretudo em infraestrutura. Mas como aproveitar as oportunidades se n\u00e3o se sabe quem estar\u00e1 sentado na principal cadeira do Planalto a partir de 2019? Essa \u00e9 a indaga\u00e7\u00e3o que atormenta a todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os c\u00e9ticos quanto a uma retomada mais forte da economia acreditam que a frustra\u00e7\u00e3o com o crescimento tender\u00e1 a se materializar no quarto trimestre do ano, justamente quando Meirelles diz que ocorrer\u00e1 o grande salto do PIB. Para esse grupo, nem mesmo a infla\u00e7\u00e3o abaixo de 3%, o piso da meta fixada em lei, e a expressiva redu\u00e7\u00e3o dos juros \u2014 desde outubro de 2016, a taxa b\u00e1sica (Selic) caiu seis pontos percentuais, de 14,25% para 8,25%, podendo chegar a 7% \u2014 ser\u00e3o capazes de impulsionar o consumo na velocidade que o governo deseja e precisa para manter o discurso otimista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Perigo latente<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Independentemente da perspectiva de frustra\u00e7\u00e3o com o crescimento, \u00e9 preciso ressaltar, na vis\u00e3o do economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do Banco Central, que as expectativas de infla\u00e7\u00e3o est\u00e3o controladas pelo menos at\u00e9 2020, ficando abaixo do centro da meta, de 4,5%. \u201c\u00c9 isso que est\u00e1 permitindo ao BC cortar tanto os juros e lev\u00e1-los, ao longo do tempo, para 7% ou menos\u201d, afirma. A sensa\u00e7\u00e3o de melhora no bem-estar, ressalta, \u00e9 vis\u00edvel, principalmente por causa da significativa queda dos pre\u00e7os dos alimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Freitas lembra que parcela expressiva do trabalho sujo para que a infla\u00e7\u00e3o e os juros pudessem cair foi realizado por Joaquim Levy no comando do Minist\u00e9rio da Fazenda do governo Dilma. O ent\u00e3o ministro corrigiu os pre\u00e7os dos combust\u00edveis e da energia el\u00e9trica. Isso levou o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) para quase 11% em 2015. Com a mudan\u00e7a de governo e a credibilidade dada \u00e0 equipe econ\u00f4mica, foi poss\u00edvel fazer uma pol\u00edtica monet\u00e1ria mais flex\u00edvel sem correr o risco de volta da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso deixar claro que ainda h\u00e1 muito por fazer. A taxa real de juros, que desconta a infla\u00e7\u00e3o projetada para 12 meses \u00e0 frente, est\u00e1 alta, pr\u00f3xima de 5%. O desemprego continua elevado e o problema fiscal n\u00e3o foi resolvido. Mas demos passos importantes\u201d, destaca o ex-diretor do BC. Resta torcer, no entender de Freitas, para que as elei\u00e7\u00f5es que est\u00e3o a caminho n\u00e3o tirem o pa\u00eds da rota de ajustes e de reformas importantes como a da Previd\u00eancia Social. Esse perigo \u00e9 latente. E n\u00e3o podemos fechar os olhos para ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h21min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda que, gradualmente, governo e mercado elevem as proje\u00e7\u00f5es de crescimento para este ano e para 2018, h\u00e1 muitas d\u00favidas no horizonte sobre o tamanho da retomada da economia. 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