{"id":6142,"date":"2017-09-19T06:08:10","date_gmt":"2017-09-19T09:08:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6142"},"modified":"2017-09-19T09:13:57","modified_gmt":"2017-09-19T12:13:57","slug":"coluna-no-correio-planalto-preve-que-bc-elevara-projecao-de-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-planalto-preve-que-bc-elevara-projecao-de-crescimento\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Planalto prev\u00ea que BC elevar\u00e1 proje\u00e7\u00e3o de crescimento"},"content":{"rendered":"<p>Com Raquel Dodge \u00e0 frente da Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica (PGR) e a perspectiva de uma rela\u00e7\u00e3o mais tranquila com o Minist\u00e9rio P\u00fablico, o presidente Michel Temer s\u00f3 quer saber de temas econ\u00f4micos quando desembarcar no Brasil, na quinta-feira. E j\u00e1 no dia de seu retorno ter\u00e1 uma boa ajuda do Banco Central para engrossar o discurso de que o pa\u00eds est\u00e1 entrando em um ciclo de crescimento sustentado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A perspectiva \u00e9 de que o BC aumente a proje\u00e7\u00e3o de avan\u00e7o do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, de 0,5% para 0,7% ou 0,8%, movimento que dever\u00e1 ser seguido pelos minist\u00e9rios da Fazenda e do Planejamento na sexta-feira. Assessores de Temer alegam que as estimativas da autoridade monet\u00e1ria, divulgadas em junho, est\u00e3o defasadas, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o ao consumo das fam\u00edlias, que vem mostrando uma for\u00e7a impressionante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelos dados do \u00faltimo Relat\u00f3rio Trimestral de Infla\u00e7\u00e3o, a previs\u00e3o do BC era de que o consumo das fam\u00edlias encerrasse o ano com varia\u00e7\u00e3o zero. Mas os dados coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) no segundo trimestre surpreenderam para melhor. E o BC precisa atualizar seus n\u00fameros. N\u00e3o se pode esquecer que o consumo dos lares responde por mais de 60% do PIB do lado da demanda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Quest\u00e3o pol\u00eamica<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o Planalto, est\u00e1 claro que a situa\u00e7\u00e3o atual da economia, mesmo melhorando depois da v\u00edrgula, \u00e9 muito melhor do que a registrada em junho, quando o Banco Central fechou o Relat\u00f3rio de Infla\u00e7\u00e3o. Naquele momento, o ambiente estava totalmente contaminado pelas dela\u00e7\u00f5es da JBS, que espalharam p\u00e2nico. De l\u00e1 para c\u00e1, ficou mais claro que a atividade havia se descolado da pol\u00edtica. A confian\u00e7a de consumidores e empres\u00e1rios se manteve firme.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um t\u00e9cnico do governo ressalta que, muito provavelmente, o BC n\u00e3o levou em considera\u00e7\u00e3o, nas estat\u00edsticas de junho, o impacto da libera\u00e7\u00e3o dos recursos das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS). N\u00e3o em sua totalidade. A institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o teria dimensionado, na propor\u00e7\u00e3o real, o efeito da for\u00e7a da queda da infla\u00e7\u00e3o na renda das fam\u00edlias, que reduziram o endividamento. S\u00e3o quest\u00f5es relevantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assessores de Temer reconhecem que, para o BC, mais do que o crescimento, o que importa \u00e9 o comportamento da infla\u00e7\u00e3o. Mas, neste momento, \u00e9 importante que a autoridade monet\u00e1ria engrosse o coro de que a retomada \u00e9 gradual e para valer. A ansiedade \u00e9 t\u00e3o grande que os mais otimistas n\u00e3o descartam uma proje\u00e7\u00e3o ainda maior de avan\u00e7o do PIB pela autoridade monet\u00e1ria, de 1%. Para 2018, os bumbos palacianos est\u00e3o rufando por crescimento m\u00ednimo de 3%. \u201cVamos ver uma retomada da economia sem press\u00f5es inflacion\u00e1rias. Isso \u00e9 muito bom\u201d, afirma um dos auxiliares presidenciais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Apelo por tr\u00e9gua<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Rafael Cardoso, economista da Daycoval Investimentos, al\u00e9m do consumo das fam\u00edlias, os gastos maiores do governo, que ampliou a meta de deficit de R$ 139 bilh\u00f5es para R$ 159 bilh\u00f5es, e uma ligeira melhora nos investimentos v\u00e3o garantir crescimento acima do 0,5% indicado at\u00e9 agora pelo BC. Ele destaca que a leitura da economia \u00e9 positiva, principalmente por causa da infla\u00e7\u00e3o, que, mensalmente, tem ficado abaixo das estimativas do mercado e do BC.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cardoso acredita que o quadro favor\u00e1vel permitir\u00e1 juros reais, que descontam a infla\u00e7\u00e3o projetada para 12 meses \u00e0 frente, entre 2% e 3% por um longo per\u00edodo, um forte incentivo \u00e0 demanda por cr\u00e9dito. No entender dele, o BC, que, desde outubro do ano passado, derrubou a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) de 14,25% para 8,25%, est\u00e1 \u00e1vido por comprovar a quebra estrutural do processo inflacion\u00e1rio. Isso significa um repasse menor do custo de vida para a infla\u00e7\u00e3o futura. No econom\u00eas, esse repasse \u00e9 definido como in\u00e9rcia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O economista da Daycoval acredita que o BC est\u00e1 no caminho certo. A expressiva queda dos juros, que podem chegar a 7%, dar\u00e1 um bom est\u00edmulo \u00e0 atividade. Resta torcer para a pol\u00edtica dar tr\u00e9gua. Quanto mais Bras\u00edlia se acalmar, mais r\u00e1pido ser\u00e1 a recupera\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h08min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com Raquel Dodge \u00e0 frente da Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica (PGR) e a perspectiva de uma rela\u00e7\u00e3o mais tranquila com o Minist\u00e9rio P\u00fablico, o presidente Michel Temer s\u00f3 quer saber de temas econ\u00f4micos quando desembarcar no Brasil, na quinta-feira. 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