{"id":5965,"date":"2017-09-01T06:37:58","date_gmt":"2017-09-01T09:37:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5965"},"modified":"2017-09-01T12:49:55","modified_gmt":"2017-09-01T15:49:55","slug":"coluna-no-correio-empregos-capengas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-empregos-capengas\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Empregos capengas"},"content":{"rendered":"<h2>ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>A queda do desemprego, comemorada pelo governo e por diversos economistas, precisa ser analisada com lupa. Ela \u00e9 sustentada, sobretudo, pela necessidade dos brasileiros de manter as contas em dia. Com isso, muitos se submetem a condi\u00e7\u00f5es de trabalho prec\u00e1rias, sem qualquer seguran\u00e7a ou estabilidade. Os bicos t\u00eam garantido a renda de diversas fam\u00edlias e proporcionado uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de melhora da situa\u00e7\u00e3o da economia do pa\u00eds. N\u00e3o podemos ignorar o fato, por exemplo, de milhares de servidores p\u00fablicos e aposentados que n\u00e3o recebem em dia.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vale lembrar que, sem carteira assinada, o trabalhador perde a possibilidade de receber benef\u00edcios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em caso de acidente de trabalho ou invalidez. Al\u00e9m disso, o recebimento do seguro-desemprego fica inviabilizado. Muita gente resolveu sair da zona de conforto e tentar empreender. Mas ainda \u00e9 cedo para dizer se essa mudan\u00e7a do perfil do mercado de trabalho se concretizar\u00e1. No fim das contas, a abertura de vagas formais s\u00f3 ocorrer\u00e1 a partir da retomada dos investimentos. O pacote de concess\u00f5es tem potencial para alavancar a economia, gerar emprego e renda. Entretanto, ainda engatinha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E esse processo depende exclusivamente de dois fatores: a estabilidade pol\u00edtica e a econ\u00f4mica. O governo, mesmo abatido pela crise, tem dado demonstra\u00e7\u00f5es de for\u00e7a para resolver quest\u00f5es de curto prazo. Deve alterar as metas fiscais de 2017 e 2018, al\u00e9m de aprovar parte do saco de maldades para reduzir despesas com servidores. Entretanto, a reforma da Previd\u00eancia, essencial para que o pa\u00eds reequilibre as finan\u00e7as p\u00fablicas a longo prazo, continua engavetada. E a cada nova den\u00fancia da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, ganha mais for\u00e7a a tese de que a revis\u00e3o das regras para concess\u00e3o de benef\u00edcios do INSS ter\u00e1 de ser feita pelo pr\u00f3ximo governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A sucess\u00e3o dos rombos fiscais, inclusive, amea\u00e7a o processo de queda de juros. O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) deve reduzir a taxa em um ponto percentual, para 8,25% ao ano, na reuni\u00e3o marcada para 5 e 6 de setembro. Entretanto, a equipe de Ilan Goldfajn tem sido alertada reservadamente para o risco de que a Selic tenha que voltar a subir caso o reequil\u00edbrio nas contas p\u00fablicas n\u00e3o passe de um protocolo de inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso faria ruir qualquer possibilidade de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. O pa\u00eds continua a conviver com crise. O risco \u00e9 de que se torne cr\u00f4nica e permanente. As pr\u00f3ximas semanas tendem a ser agitadas, j\u00e1 que os servidores p\u00fablicos prometeram ir para as ruas protestar contra a proposta de adiamento dos reajustes salariais acordados e aprovados no Congresso Nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Alento<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) mostram que, no trimestre de maio a julho de 2017, havia 13,3 milh\u00f5es de pessoas desocupadas no Brasil \u2014 uma redu\u00e7\u00e3o de 722 mil em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre de fevereiro a abril. Naquela \u00e9poca, 14 milh\u00f5es de brasileiros estavam desempregados. Em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, o percentual de desocupados subiu 12,5%, um adicional de 1,5 milh\u00e3o de pessoas fora da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar do aumento, a economista-chefe da Rosenberg Associados, Tha\u00eds Marzola Zara, avalia que, na margem, o movimento \u00e9 benigno, ainda mais considerando que a taxa de participa\u00e7\u00e3o atingiu 61,8%, recorde hist\u00f3rico. \u201cIsso mostra que h\u00e1 muitas pessoas buscando trabalho. Assim, a queda na margem da taxa de desocupa\u00e7\u00e3o decorre de genu\u00edno aumento da popula\u00e7\u00e3o ocupada. Bom sinal para a recupera\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica\u201d, destaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Tha\u00eds comenta que 190 mil pessoas foram adicionadas \u00e0 for\u00e7a de trabalho. Os dados do IBGE apontam que esse movimento decorre do aumento dos empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada (+566 mil), empregadores (+422 mil), bem como empregados do setor p\u00fablico (+193 mil) e trabalhadores familiares auxiliares (+119 mil). \u201cRevisamos nossa expectativa para a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o no terceiro trimestre do ano para 12,4%. No ano, nossa expectativa \u00e9 de que a m\u00e9dia da taxa de desocupa\u00e7\u00e3o atinja 12,8%. Para 2018, a perspectiva \u00e9 de continuidade da melhora, com a taxa rumando a 11,6% na m\u00e9dia do ano\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h37min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO A queda do desemprego, comemorada pelo governo e por diversos economistas, precisa ser analisada com lupa. Ela \u00e9 sustentada, sobretudo, pela necessidade dos brasileiros de manter as contas em dia. 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