{"id":5910,"date":"2017-08-30T06:23:53","date_gmt":"2017-08-30T09:23:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5910"},"modified":"2017-08-30T18:30:43","modified_gmt":"2017-08-30T21:30:43","slug":"coluna-no-correio-lava-jato-na-saude-complementar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-lava-jato-na-saude-complementar\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Lava-Jato na sa\u00fade complementar"},"content":{"rendered":"<h2>ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>Mesmo com a profunda crise econ\u00f4mica que assola o pa\u00eds e a alta no desemprego, as despesas assistenciais dos benefici\u00e1rios de planos de sa\u00fade no Brasil totalizaram R$ 100 bilh\u00f5es at\u00e9 agosto de 2017, conforme dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Planos de Sa\u00fade (Abramge). Esse montante \u00e9 um recorde para o per\u00edodo. Para se ter uma ideia, o mesmo patamar de desembolsos s\u00f3 foi atingido no ano passado, em outubro. O mais impressionante \u00e9 que o setor perdeu 1,5 milh\u00e3o de usu\u00e1rios ao longo de 2016 e possui atualmente 47,6 milh\u00f5es de participantes.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dados da entidade coletados na base de informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) apontam que, dos R$ 100 bilh\u00f5es, 38,4% foram gastos com interna\u00e7\u00f5es; 28,5%, com consultas; 18,4%, com exames complementares; e 8,8%, com terapias. A Abramge avalia que essa din\u00e2mica de despesas tem impacto no desempenho das operadoras de planos de sa\u00fade. Conforme a associa\u00e7\u00e3o, pelo menos desde 2007, as companhias do setor atuam com margens operacionais inferiores a 1%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O resultado dessa combina\u00e7\u00e3o de fatores, destaca a Abramge, se reflete na dificuldade das operadoras em alcan\u00e7arem o equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro necess\u00e1rio. A entidade alerta que o crescimento dos gastos \u00e9 impulsionado pela infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, turbinada, sobretudo, pela judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, pelo envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e pela atua\u00e7\u00e3o da M\u00e1fia das Pr\u00f3teses. Executivos do setor cobram das autoridades p\u00fablicas uma opera\u00e7\u00e3o similar \u00e0 Lava-Jato na sa\u00fade suplementar para coibir as irregularidades cometidas por representantes do ramo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dados do Instituto de Estudos de Sa\u00fade Suplementar (IESS) apontam uma infla\u00e7\u00e3o dos custos m\u00e9dico-hospitalares (VCMH) de 16,7% em 2016, enquanto nos Estados Unidos chegou a 5,7%. No mesmo per\u00edodo, os pre\u00e7os tiveram alta de 3% na Fran\u00e7a, de 9,3% no Reino Unido, de 5% no Chile e de 9,7% no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O IESS mostra que sistemas inovadores de cobran\u00e7a, adotados em pa\u00edses como Dinamarca, Gr\u00e9cia, Estados Unidos e \u00c1frica do Sul, acarretaram redu\u00e7\u00f5es expressivas de custos m\u00e9dico-hospitalares. Muitos usam o m\u00e9todo Grupo de Diagn\u00f3sticos Relacionados (DRG), no qual os casos s\u00e3o previamente classificados de acordo com uma grande variedade de codifica\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas cl\u00ednicas. Dessa forma, o custo de cada DRG tem um valor predeterminado, elevando o n\u00edvel de transpar\u00eancia na receita dos hospitais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Olhos fechados<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas contas das operadoras, 47% das despesas s\u00e3o decorrentes de interna\u00e7\u00f5es hospitalares. Especialistas ressaltam que o sistema de cobran\u00e7a pelos servi\u00e7os, conhecido como free-for-service, no qual os insumos s\u00e3o adicionados \u00e0 conta hospitalar, favorece a obten\u00e7\u00e3o de elevadas margens de lucro. Para piorar, as operadoras criticam a falta de transpar\u00eancia dos gastos, que abre brechas para fraudes, como as praticadas pela M\u00e1fia das Pr\u00f3teses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, o poder p\u00fablico fechou os olhos para os problemas. O Conselho de Sa\u00fade Suplementar (Consu), que deveria estabelecer e supervisionar a execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e diretrizes gerais do setor, est\u00e1 largado \u00e0s moscas. O colegiado deveria fazer parte da estrutura do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Entretanto, a pasta joga a responsabilidade para a ANS. A reguladora, por sua vez, afirma que o Consu \u00e9 da compet\u00eancia do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. No meio desse fogo cruzado entre operadoras, hospitais, fornecedores de materiais e governo est\u00e3o milh\u00f5es de brasileiros desamparados. Pagam pre\u00e7os exorbitantes pelos conv\u00eanios e t\u00eam acesso a um servi\u00e7o que deixa a desejar em diversos aspectos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto o poder p\u00fablico n\u00e3o direcionar esfor\u00e7os para tornar o setor mais competitivo e livre de verdadeiras quadrilhas, os problemas continuar\u00e3o a crescer. Quem paga a conta s\u00e3o os consumidores que precisam se virar para arcar com as eleva\u00e7\u00f5es nos pre\u00e7os dos planos, superiores \u00e0 infla\u00e7\u00e3o oficial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO Mesmo com a profunda crise econ\u00f4mica que assola o pa\u00eds e a alta no desemprego, as despesas assistenciais dos benefici\u00e1rios de planos de sa\u00fade no Brasil totalizaram R$ 100 bilh\u00f5es at\u00e9 agosto de 2017, conforme dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Planos de Sa\u00fade (Abramge). Esse montante \u00e9 um recorde para o per\u00edodo. Para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600],"tags":[2666,41,2606,579,2665],"class_list":["post-5910","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","tag-complementar","tag-lava-jato","tag-planos","tag-saude","tag-sistema"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5910","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5910"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5910\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5911,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5910\/revisions\/5911"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5910"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}