{"id":5851,"date":"2017-08-24T06:04:53","date_gmt":"2017-08-24T09:04:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5851"},"modified":"2017-08-24T12:53:51","modified_gmt":"2017-08-24T15:53:51","slug":"coluna-no-correio-de-novo-o-consumo-das-familias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-de-novo-o-consumo-das-familias\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: De novo, o consumo das fam\u00edlias"},"content":{"rendered":"<p>O Pal\u00e1cio do Planalto deu in\u00edcio \u00e0 contagem regressiva. A menos de um m\u00eas da sa\u00edda de Rodrigo Janot da Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica, a cren\u00e7a no entorno do presidente Michel Temer \u00e9 de que, afastado o estrago de novas den\u00fancias contra ele \u2014 a pr\u00f3xima deve sair em at\u00e9 duas semanas \u2014, o governo poder\u00e1 usufruir das boas not\u00edcias que come\u00e7am a pipocar na economia. O enfraquecimento da infla\u00e7\u00e3o e a queda dos juros est\u00e3o proporcionando o que os especialistas denominam de expans\u00e3o da renda dispon\u00edvel das fam\u00edlias, cujo efeito sobre a atividade tende a ser ben\u00e9fico nos pr\u00f3ximos meses se nenhuma crise pol\u00edtica surgir no horizonte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Parte desse movimento foi impulsionada pela decis\u00e3o do governo de liberar R$ 44 bilh\u00f5es das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS). Com o dinheiro sacado, muitas fam\u00edlias conseguiram reduzir as d\u00edvidas, abrindo espa\u00e7o para consumo futuro. O Pal\u00e1cio do Planalto dar\u00e1 mais g\u00e1s a essa estrat\u00e9gia, mesmo que em menor pot\u00eancia, a partir de outubro, quando R$ 16 bilh\u00f5es ser\u00e3o disponibilizados para idosos por meio do PIS e do Pasep. O governo espera, ainda, que a como\u00e7\u00e3o do mercado com o pacote de privatiza\u00e7\u00e3o liderado pela Eletrobras resulte numa onda de investimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temer, por sinal, estabeleceu um marco para a virada definitiva da economia: a divulga\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre em 1\u00ba de setembro. At\u00e9 bem pouco tempo atr\u00e1s, apostava-se firme que o indicador seria negativo. Hoje, j\u00e1 se fala em estabilidade ou em uma pequena alta. A avalia\u00e7\u00e3o do Planalto \u00e9 de que, com a economia voltando aos trilhos \u2014 o descarrilamento ocorreu em 17 de maio, quando se tornaram p\u00fablicas as dela\u00e7\u00f5es de Joesley e Wesley Batista do grupo JBS \u2014, a base aliada tornar\u00e1 mais f\u00e1cil a aprova\u00e7\u00e3o no Congresso de medidas de interesse da equipe econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos bastidores, culpa-se muito a equipe chefiada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de ter prometido uma rea\u00e7\u00e3o mais forte da atividade logo depois da posse de Temer, o que permitiria um ajuste tranquilo das contas p\u00fablicas. Como a recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o veio, a arrecada\u00e7\u00e3o, superestimada, minguou. Sem alternativa, Temer teve que assumir publicamente que est\u00e1 empurrando para o pr\u00f3ximo governo a tarefa de organizar as finan\u00e7as do pa\u00eds. E, pior, correndo o risco de ser acusado de cometer crime fiscal, repetindo o enredo de Dima Rousseff.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Queda do endividamento<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Queixas \u00e0 parte, o governo est\u00e1 se apegando a todo tipo de informa\u00e7\u00e3o para refor\u00e7ar o discurso de que a economia se descolou da pol\u00edtica e ganhou musculatura. Um dos indicadores usados por assessores de Temer \u00e9 o n\u00edvel de endividamento das fam\u00edlias medido pelo Banco Central. O total de d\u00e9bitos dos lares em rela\u00e7\u00e3o aos sal\u00e1rios acumulados em 12 meses caiu de 44,5%, em dezembro de 2015, para 41,5%, em maio \u00faltimo. O comprometimento da renda com o pagamento de d\u00edvidas, que chegou a 22,5% em mar\u00e7o do ano passado, est\u00e1, agora, em 21,3%. A proje\u00e7\u00e3o da equipe econ\u00f4mica \u00e9 de que esse \u00faltimo indicador encerre o ano abaixo de 20%, patamar sem precedentes desde 2011. Nos c\u00e1lculos de Rafael Cardoso, da Daycoval Investimentos, \u00e9 poss\u00edvel que o comprometimento da renda com d\u00edvidas chegue ao fim de 2018 pr\u00f3ximo de 18%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o consumo das fam\u00edlias voltando a puxar, temporariamente, o PIB, Cardoso avalia que a proje\u00e7\u00e3o de crescimento da economia para o pr\u00f3ximo ano, de 2%, passe a ser o piso. \u201cN\u00e3o ser\u00e1 surpresa se virmos um avan\u00e7o de 3% em 2018. Pelos meus c\u00e1lculos, o consumo das fam\u00edlias pode adicionar at\u00e9 1,85 ponto percentual no PIB do ano que vem\u201d, ressalta. Carlos Thadeu Filho, economista da Consultoria MacroAgro, explica que, depois de crises t\u00e3o profundas quanto a que vivemos, \u00e9 natural que os lares reduzam as d\u00edvidas. \u201cMas, a partir do momento em que as perspectivas melhoram, isso se traduz em mais consumo. \u00c9 o efeito mola\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Thadeu ressalta, por\u00e9m, que, para realmente haver surpresas positivas no PIB, \u00e9 preciso que a crise pol\u00edtica saia de cena. Os agentes econ\u00f4micos necessitam de previsibilidade, seja para investir, no caso dos empres\u00e1rios, seja para consumir, no caso das fam\u00edlias. \u201cCertamente, se n\u00e3o houvesse uma crise pol\u00edtica t\u00e3o aguda, a economia estaria crescendo de forma mais expressiva. Agora, \u00e9 certo que algum consumo maior vir\u00e1, assim como investimentos. A queda da infla\u00e7\u00e3o e dos juros reduziu tanto o custo para quem consome quanto para quem produz\u201d, conclui. Resta torcer para que o governo n\u00e3o provoque nenhuma barbeiragem no meio do caminho. Ningu\u00e9m aguenta mais esse quadro de depress\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pal\u00e1cio do Planalto deu in\u00edcio \u00e0 contagem regressiva. 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