{"id":5824,"date":"2017-08-23T06:16:35","date_gmt":"2017-08-23T09:16:35","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5824"},"modified":"2017-08-23T09:24:24","modified_gmt":"2017-08-23T12:24:24","slug":"coluna-no-correio-o-custo-do-intervencionismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-o-custo-do-intervencionismo\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: O custo do intervencionismo"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 incr\u00edvel a capacidade da ex-presidente Dilma Rousseff de ignorar o passado, sobretudo aquele no qual ela protagonizou a destrui\u00e7\u00e3o da economia. T\u00e3o logo tomou conhecimento da decis\u00e3o do governo de Michel Temer de privatizar a Eletrobras, a petista bradou: \u201cVender a Eletrobras \u00e9 abrir m\u00e3o da seguran\u00e7a energ\u00e9tica do pa\u00eds\u201d. Dilma deveria concluir o racioc\u00ednio e descrever, de forma detalhada, como quebrou o sistema el\u00e9trico brasileiro. Foi numa decis\u00e3o tresloucada, carimbada pela Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 579, de 2012, que ela empurrou uma fatura bilion\u00e1ria para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dilma acreditava que podia realizar todos os seus desejos por meio de decretos. Ignorava \u2014 ou fingia ignorar \u2014 a fatura do intervencionismo. Ao prometer reduzir o valor da conta de luz em 20%, na m\u00e9dia, provocou um preju\u00edzo para as empresas do setor el\u00e9trico estimado, hoje, em R$ 228 bilh\u00f5es. Na tentativa de enganar os consumidores, a ent\u00e3o presidente obrigou o Tesouro Nacional a cobrir parte das perdas das companhias. Mas a fatura ficou t\u00e3o alta que, pouco mais de um ano depois, as tarifas de energia dispararam. Em vez de retornar aos n\u00edveis anteriores \u00e0 MP 579, o valor das contas de luz triplicou.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o na Eletrobras foi, apenas, uma ponta do desastre provocado por Dilma em empresas estatais, que administrava como se fossem a lojinha de R$ 1,99 que ela faliu por m\u00e1 gest\u00e3o. No mesmo ano de 2012, antes da edi\u00e7\u00e3o da MP 579, Dilma declarou guerra aos juros altos. Num discurso de 1\u00ba Maio, afirmou que baixaria, na marra, as taxas cobradas pelos bancos. Para mostrar seu poder de fogo, ordenou ao Banco do Brasil e \u00e0 Caixa Econ\u00f4mica Federal que cortassem os juros aos consumidores e \u00e0s empresas. O impacto nos resultados dessas institui\u00e7\u00f5es foi dram\u00e1tico, especialmente no BB.<\/p>\n<p>A rentabilidade do Banco do Brasil, que girava em torno de 14% e 15% ao ano, semelhante \u00e0 de seus concorrentes privados, recuou para 7%. O impacto da interven\u00e7\u00e3o de Dilma no BB foi t\u00e3o forte que a institui\u00e7\u00e3o teve que passar por um grande enxugamento. Mais de 300 ag\u00eancias foram fechadas e pelo menos 9 mil funcion\u00e1rios deixaram o banco por meio de um programa de desligamento volunt\u00e1rio. Mesmo apertando o cinto, o Banco do Brasil ainda est\u00e1 longe de recuperar o f\u00f4lego perdido. Na Caixa, o volume de empr\u00e9stimos n\u00e3o pagos se tornou uma grande dor de cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Corrup\u00e7\u00e3o sem limites<\/p>\n<p>A disposi\u00e7\u00e3o de Dilma de fazer valer suas vontades destruiu at\u00e9 a credibilidade do Banco Central. Na cruzada contra os juros altos, a petista for\u00e7ou a autoridade monet\u00e1ria a reduzir a taxa b\u00e1sica da economia (Selic), que serve de par\u00e2metro para a forma\u00e7\u00e3o do custo do dinheiro. O BC levou a Selic para at\u00e9 7,25% ao ano, o n\u00edvel mais baixo da hist\u00f3ria. Muita gente vibrou com a fa\u00e7anha. O problema foi que a taxa b\u00e1sica caiu com a infla\u00e7\u00e3o em alta. Resultado: o intervencionismo durou apenas seis meses. O BC foi obrigado a elevar os juros. Ainda assim o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) manteve a trajet\u00f3ria de alta, fechando 2015 em quase 11%.<\/p>\n<p>A falta de confian\u00e7a no BC e a destrui\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas para garantir tarifas de energia irreais acabaram provocando uma onda t\u00e3o negativa que a economia mergulhou na pior recess\u00e3o da hist\u00f3ria. A retra\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB), que come\u00e7ou no fim de 2014, fez o desemprego mais que duplicar. Atualmente, 13,5 milh\u00f5es de pessoas ainda lutam para retornar ao mercado de trabalho. O mesmo intervencionismo \u2014 associado a um esquema de corrup\u00e7\u00e3o sem limites \u2014 levou a Petrobras para o buraco. O endividamento da empresa para cobrir o congelamento dos pre\u00e7os de combust\u00edveis e bancar projetos sem retorno chegou a representar seis vezes a gera\u00e7\u00e3o de caixa, n\u00edvel pr\u00f3ximo ao de um calote.<\/p>\n<p>Esse, contudo, \u00e9 um pequeno hist\u00f3rico da pol\u00edtica intervencionista de Dilma, cuja fatura continua sendo distribu\u00edda com todos. Privatizar a Eletrobras \u00e9 apenas um passo dentro do processo de enxugamento do Estado. N\u00e3o h\u00e1 nenhum risco de se transferir para o setor privado a gest\u00e3o do sistema el\u00e9trico. Como n\u00e3o houve na desestatiza\u00e7\u00e3o do mercado de telefonia e na venda de aeroportos. Risco para o pa\u00eds \u00e9 manter 151 estatais sob o controle do Tesouro Nacional. Juntas, essas empresas encerrar\u00e3o este ano com preju\u00edzo de R$ 3,2 bilh\u00f5es, pelos c\u00e1lculos do Minist\u00e9rio do Planejamento.<\/p>\n<p>As estatais no Brasil, em grande maioria, viraram sin\u00f4nimo de corrup\u00e7\u00e3o, inefici\u00eancia, servi\u00e7os ruins, cabides de emprego. Reduzir esse universo ser\u00e1 um avan\u00e7o important\u00edssimo. N\u00e3o h\u00e1 por que obrigar o contribuinte a bancar, por meio de uma pesada carga tribut\u00e1ria, as vontades e as negociatas dos governos de plant\u00e3o. Estado bom e justo \u00e9 aquele que privilegia a maioria, e n\u00e3o grupos espec\u00edficos, como se tornou rotina no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 incr\u00edvel a capacidade da ex-presidente Dilma Rousseff de ignorar o passado, sobretudo aquele no qual ela protagonizou a destrui\u00e7\u00e3o da economia. 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