{"id":5774,"date":"2017-08-19T06:02:48","date_gmt":"2017-08-19T09:02:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5774"},"modified":"2017-08-19T13:09:41","modified_gmt":"2017-08-19T16:09:41","slug":"coluna-no-correio-hora-de-produzir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-hora-de-produzir\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Hora de produzir"},"content":{"rendered":"<h2>Ainda que os sinais de recupera\u00e7\u00e3o da economia sejam incipientes, duas das maiores multinacionais que atuam no pa\u00eds decidiram refor\u00e7ar seus neg\u00f3cios por aqui. A norte-americana Oracle e a francesa Schneider Eletric acreditam que, mesmo com todas as incertezas pol\u00edticas, o Brasil tem um grande potencial para gerar lucros. N\u00e3o d\u00e1, no entender das empresas, para desdenhar de um mercado com mais de 200 milh\u00f5es de habitantes \u00e1vidos por tecnologia e inova\u00e7\u00e3o.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO pa\u00eds foi e continua sendo um bom neg\u00f3cio\u201d, diz Rodrigo Galv\u00e3o, presidente da Oracle. Tanto, ressalta ele, que a companhia est\u00e1 prestes a inaugurar o segundo data center no Brasil, o vig\u00e9simo no mundo. Cleber Morais, presidente da Schneider, ressalta que poucos pa\u00edses no mundo tem tanto potencial para investimentos em infraestrutura como o Brasil. Estima-se que a demanda atual chegue a R$ 1,5 trilh\u00e3o. E \u00e9 nesse mercado que a empresa est\u00e1 de olho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os executivos acreditam que, j\u00e1 neste segundo semestre, a economia dar\u00e1 mostras mais fortes da retomada. A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que as empresas decidiram n\u00e3o ficar mais dependentes de uma solu\u00e7\u00e3o para a crise pol\u00edtica. Est\u00e3o focando toda a aten\u00e7\u00e3o em seus neg\u00f3cios para que, quando a retomada se consolidar, estejam prontas para tirar proveito. \u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que vivemos a pior crise da hist\u00f3ria. Mas o Brasil \u00e9 um \u00f3timo pa\u00eds para investir\u201d, refor\u00e7a Morais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Consumo das fam\u00edlias<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nApesar de toda a movimenta\u00e7\u00e3o do empresariado, ningu\u00e9m acredita que, pelo menos neste ano, os investimentos produtivos sejam as alavancas para o crescimento. Na verdade, para surpresa de muitos, inclusive do governo, a atividade est\u00e1 saindo do atoleiro puxada pelo consumo das fam\u00edlias, que ganhou f\u00f4lego com a expressiva queda da infla\u00e7\u00e3o \u2014 o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses est\u00e1 em 2,71% \u2014, e pela libera\u00e7\u00e3o das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer que o governo deva retomar o modelo de crescimento baseado no consumo das fam\u00edlias, que imperou nas administra\u00e7\u00f5es petistas e resultou numa onda de superendividamento. Na avalia\u00e7\u00e3o dos presidentes da Oracle e da Schneider, o Brasil precisa criar todas as condi\u00e7\u00f5es para que as empresas se sintam mais confort\u00e1veis para retirar das gavetas os investimentos que v\u00e3o resultar em mais empregos e renda. Isso passa pela melhora da educa\u00e7\u00e3o e de regras mais amig\u00e1veis ao capital.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Cleber Morais, houve um avan\u00e7o importante: a aprova\u00e7\u00e3o da reforma trabalhista pelo Congresso. Ele acredita que, com uma lei mais flex\u00edvel, o pa\u00eds ganhar\u00e1 mais competitividade para lidar com a revolu\u00e7\u00e3o que est\u00e1 ocorrendo no mercado de trabalho. \u201cUma legisla\u00e7\u00e3o mais moderna \u00e9 importante para companhias globalizadas, que precisam lidar com complexidades locais para definir os custos operacionais\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sem ruptura<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a retomada da economia se desenhando, destaca o presidente da francesa Schneider, o Brasil necessita pular a crise de valores na qual mergulhou. Ele diz que os esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o que atormentam a todos est\u00e3o provocando um processo de depura\u00e7\u00e3o e, certamente, teremos um pa\u00eds melhor. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3. Toda a crise, que ainda parece estar longe de acabar, explicitou a for\u00e7a das institui\u00e7\u00f5es. Nem de longe se cogitou a possibilidade de uma ruptura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa seguran\u00e7a institucional faz com que as elei\u00e7\u00f5es de 2018, totalmente imprevis\u00edveis, n\u00e3o tirem o sono do empresariado. \u201cA democracia est\u00e1 consolidada\u201d, diz Morais. \u00c9 isso que faz com que o Brasil seja importante para qualquer multinacional. \u201cA crise se tornou uma grande oportunidade\u201d, assinala Galv\u00e3o, da Oracle. Na vis\u00e3o dos executivos, o pior ficou para tr\u00e1s. Agora, a hora \u00e9 de pavimentar o caminho do crescimento. Se o governo fizer a parte dele \u2014 manter a infla\u00e7\u00e3o sob controle, baixar juros, melhorar a educa\u00e7\u00e3o e priorizar a infraestrutura \u2014, tudo ficar\u00e1 mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h02min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda que os sinais de recupera\u00e7\u00e3o da economia sejam incipientes, duas das maiores multinacionais que atuam no pa\u00eds decidiram refor\u00e7ar seus neg\u00f3cios por aqui. A norte-americana Oracle e a francesa Schneider Eletric acreditam que, mesmo com todas as incertezas pol\u00edticas, o Brasil tem um grande potencial para gerar lucros. 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