{"id":5756,"date":"2017-08-18T06:14:31","date_gmt":"2017-08-18T09:14:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5756"},"modified":"2017-08-18T11:24:33","modified_gmt":"2017-08-18T14:24:33","slug":"coluna-no-correio-o-banco-central-perde-relevancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-o-banco-central-perde-relevancia\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: O Banco Central perde relev\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<h2>ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>O pa\u00eds, que deveria comemorar o processo de redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros, est\u00e1 anestesiado com a profunda crise fiscal. A queda de cinco pontos percentuais da Selic ficou em segundo plano e levou o Banco Central (BC) ao papel de coadjuvante no processo de recupera\u00e7\u00e3o da economia. Isso porque as perspectivas para as contas p\u00fablicas s\u00e3o cada vez piores, j\u00e1 que o governo depender\u00e1 do Congresso Nacional para aprovar uma s\u00e9rie de medidas para reduzir despesas.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s revisar as metas fiscais de 2017 a 2020, o governo acumular\u00e1 um rombo fiscal de R$ 813,7 bilh\u00f5es em sete anos. Para um ex-diretor da autoridade monet\u00e1ria, a crise fiscal, que j\u00e1 \u00e9 aguda, corre o risco de se tornar cr\u00f4nica no curto prazo. Nesse contexto, a queda da infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria suficiente para manter os juros baixos. Com a eleva\u00e7\u00e3o dos riscos, os investidores tendem a cobrar um pr\u00eamio maior para aplicar em t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De m\u00e3os atadas, caberia \u00e0 equipe de Ilan Goldfajn apenas evitar o caos. A medida, entretanto, aceleraria a trajet\u00f3ria de crescimento da d\u00edvida p\u00fablica. Os analistas mais pessimistas ouvidos pelo Minist\u00e9rio da Fazenda j\u00e1 estimam que a d\u00edvida bruta equivaler\u00e1 a 92,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Os primeiros desafios da equipe econ\u00f4mica no curto prazo s\u00e3o a aprova\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a da meta fiscal de 2017 para um deficit de R$ 159 bilh\u00f5es e a cria\u00e7\u00e3o da Taxa de Longo Prazo (TLP).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O projeto de lei para elevar em R$ 20 bilh\u00f5es o rombo fiscal j\u00e1 foi enviado ao Congresso, e a medida provis\u00f3ria que cria a nova taxa de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) est\u00e1 emperrada na comiss\u00e3o especial destinada a debater o tema. Caber\u00e1 ao Executivo aglutinar a base aliada para aprovar a MP at\u00e9 6 setembro. O colegiado \u00e9 presidido pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ), e aliados do petista deixaram claro que ele n\u00e3o dar\u00e1 sossego ao governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Insatisfa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O n\u00edvel de insatisfa\u00e7\u00e3o da base aliada aumentou ap\u00f3s o presidente Michel Temer n\u00e3o substituir os ministros tucanos. O Centr\u00e3o \u2014 composto por PP, PTB, PR e PSD \u2014 cobra mais espa\u00e7o e est\u00e1 insatisfeito com cargos de segundo e terceiro escal\u00f5es. A pasta mais cobi\u00e7ada por todas as legendas \u00e9 o Minist\u00e9rio das Cidades. O n\u00edvel de descontentamento tamb\u00e9m \u00e9 grande entre integrantes do PMDB, que dizem que o capital pol\u00edtico de Temer se esgotou ap\u00f3s a C\u00e2mara barrar o prosseguimento da den\u00fancia contra ele submetida ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da Rep\u00fablica, Rodrigo Janot.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para uma parte do mercado, ficou claro que Temer jogou para o pr\u00f3ximo governo a responsabilidade de fazer o ajuste fiscal e de reformar a Previd\u00eancia. Com isso, al\u00e9m de aprovar a nova meta fiscal e a cria\u00e7\u00e3o da TLP, ser\u00e1 necess\u00e1rio garantir o aval do Congresso para reduzir gastos com servidores p\u00fablicos. As press\u00f5es de diversas categorias j\u00e1 come\u00e7aram, e v\u00e1rias entidades prometem cobrar dos parlamentares apoio para manter os reajustes salariais e benef\u00edcios. O principal argumento \u00e9 de que n\u00e3o \u00e9 justo que os civis sejam prejudicados e os militares mantenham as revis\u00f5es nos contracheques.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Obst\u00e1culos<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de perder relev\u00e2ncia em todo o debate econ\u00f4mico, a equipe de Ilan Goldajn ter\u00e1 de lidar com a frustra\u00e7\u00e3o de ver naufragar a agenda de medidas propostas para reduzir estruturalmente os juros e tornar o sistema financeiro mais eficiente. Com uma pauta de iniciativas impopulares na frente, Temer ter\u00e1 de mostrar que conhece como ningu\u00e9m os corredores do Congresso Nacional para ver avan\u00e7ar todas as mat\u00e9rias de interesse do BC.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o restam d\u00favidas de que o chefe do Executivo \u00e9 um h\u00e1bil negociador pol\u00edtico . Entretanto, s\u00e3o enormes os desafios para que o pa\u00eds saia do atoleiro e volte a crescer de forma sustentada. Com a proximidade das elei\u00e7\u00f5es de 2018, deputados e senadores ter\u00e3o interesse em garantir a reelei\u00e7\u00e3o e n\u00e3o em aprovar um \u201csaco de maldades\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os sinais incipientes de lenta recupera\u00e7\u00e3o da economia tendem a se dissipar caso o governo n\u00e3o consiga fazer avan\u00e7ar a ampla agenda de reformas e ajustes. Sem ascend\u00eancia e votos no Congresso, Ilan Goldajn ter\u00e1 de se preparar para o pior. Enquanto isso, a popula\u00e7\u00e3o brasileira sofre com desemprego e falta de perspectivas de longo prazo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h14min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO O pa\u00eds, que deveria comemorar o processo de redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros, est\u00e1 anestesiado com a profunda crise fiscal. A queda de cinco pontos percentuais da Selic ficou em segundo plano e levou o Banco Central (BC) ao papel de coadjuvante no processo de recupera\u00e7\u00e3o da economia. Isso porque as perspectivas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600],"tags":[2592,2593,4,2405,2594,279,2595,125],"class_list":["post-5756","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","tag-banco","tag-central","tag-juros","tag-michel","tag-perda","tag-queda","tag-relevancia","tag-temer"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5756","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5756"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5756\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5757,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5756\/revisions\/5757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5756"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5756"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5756"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}