{"id":5674,"date":"2017-08-15T06:35:20","date_gmt":"2017-08-15T09:35:20","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5674"},"modified":"2017-08-15T11:14:39","modified_gmt":"2017-08-15T14:14:39","slug":"coluna-no-correio-virou-bagunca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-virou-bagunca\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Virou bagun\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>O presidente Michel Temer abriu um precedente perigos\u00edssimo que pode colocar em risco a credibilidade da pol\u00edtica econ\u00f4mica, o \u00fanico pilar do governo que ainda se mant\u00e9m de p\u00e9. Ao incluir pol\u00edticos nas discuss\u00f5es sobre mudan\u00e7as nas metas fiscais, transformou um assunto extremamente t\u00e9cnico em uma moeda de troca, sobretudo por parte do Centr\u00e3o, grupo que re\u00fane as legendas mais fisiol\u00f3gicas do Congresso. Para os pol\u00edticos, quanto maior for o rombo nas contas p\u00fablicas neste ano e em 2018, mais f\u00e1cil ficar\u00e1 para acomodar as demandas das bancadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temer politizou o debate das metas fiscais de olho em mais uma den\u00fancia contra ele que vir\u00e1 da Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica. Como sua base de apoio no Legislativo diminuiu muito, ficou ref\u00e9m do Centr\u00e3o, que defende deficit de at\u00e9 R$ 170 bilh\u00f5es para este ano e para 2018. A equipe econ\u00f4mica, contudo, resiste. Na avalia\u00e7\u00e3o dos ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, qualquer n\u00famero superior a R$ 159 bilh\u00f5es significar\u00e1 uma derrota do discurso da austeridade fiscal. Em rela\u00e7\u00e3o ao que j\u00e1 est\u00e1 colocado hoje, R$ 159 bilh\u00f5es representar\u00e3o aumento de R$ 20 bilh\u00f5es no rombo previsto para este ano (R$ 139 bilh\u00f5es) e incremento de R$ 30 bilh\u00f5es no buraco estimado para 2018 (R$ 129 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00e9cnicos da equipe econ\u00f4mica dizem que o presidente s\u00f3 deveria ter aberto o di\u00e1logo com os pol\u00edticos sobre as metas depois que tudo estivesse acertado com a \u00e1rea t\u00e9cnica. A partir da\u00ed, Temer negociaria o apoio para a aprova\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as nos rombos no Congresso. Era com esse racioc\u00ednio que Meirelles e Dyogo estavam trabalhando. Por isso, a inten\u00e7\u00e3o de anunciar as novas metas na sexta-feira passada. Mas, ao chamar pol\u00edticos para apresentar os n\u00fameros um dia antes de torn\u00e1-los p\u00fablicos, o presidente tirou todo o car\u00e1ter t\u00e9cnico da decis\u00e3o. Os pol\u00edticos passaram a ditar os rumos de debate e a dar declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas desautorizando o governo a elevar qualquer imposto para fechar as contas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cVirou uma bagun\u00e7a\u201d, diz um integrante da equipe econ\u00f4mica. Ele ressalta que, a cada adiamento do an\u00fancio das novas metas, o governo s\u00f3 aumenta a especula\u00e7\u00e3o e a desconfian\u00e7a dos investidores. \u201cTodo mundo sabe que a situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas \u00e9 dram\u00e1tica. Mesmo com o aumento dos impostos sobre combust\u00edveis, a fatura n\u00e3o fechou. Estamos trabalhando dia e noite para encontrar receitas e gastos que podem ser cortados. Agora, politizar um tema que deveria ser t\u00e9cnico \u00e9 um perigo enorme. Na nossa opini\u00e3o, tanto o deficit deste ano quanto o de 2018 n\u00e3o devem ser maiores do que os R$ 159 bilh\u00f5es de 2016. \u00c9 quest\u00e3o de bom senso\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Falsas promessas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A expectativa da equipe econ\u00f4mica \u00e9 de que as novas metas fiscais e o pacote que reduzir\u00e1 gastos com servidores sejam anunciados ainda hoje, depois de dois adiamentos seguidos. A orienta\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio do Planalto \u00e9 para tirar qualquer conota\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s medidas. N\u00e3o foi por acaso, portanto, que o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, usou as redes sociais para assegurar que, em nenhum momento, discutiu-se a possibilidade de o deficit p\u00fablico saltar para R$ 170 bilh\u00f5es. Mas n\u00e3o convenceu, j\u00e1 que ele \u00e9 um dos principais defensores de um rombo maior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 certa: toda essa confus\u00e3o explicita o quanto o governo est\u00e1 fragilizado. Temer est\u00e1 nas m\u00e3os de partidos que n\u00e3o t\u00eam nenhum compromisso com o pa\u00eds, querem apenas tirar proveito da m\u00e1quina p\u00fablica. H\u00e1 projetos importantes que est\u00e3o no Congresso que, se votados, dariam uma ajuda importante \u00e0 equipe econ\u00f4mica para fechar as contas. Mas legendas como o PP e o PR querem tirar o m\u00e1ximo do presidente, pois sabem que, hoje, dificilmente ele conseguiria se livrar de uma nova den\u00fancia da Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica sem o fisiol\u00f3gico Centr\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA nossa parte est\u00e1 sendo feita. Diante da resist\u00eancia pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a aumento de impostos, buscamos todo tipo de receita. Estamos propondo, inclusive, a venda de aeroportos como os de Congonhas e Santos Dumont. Se isso ser\u00e1 aceito, \u00e9 outra coisa\u201d, afirma um ministro mais alinhado com a austeridade fiscal. Para ele, \u00e9 importante que o Planalto deixe claro a todos os partidos que apoiam o governo que se chegou ao limite. \u201cPrecisamos ser coerentes no nosso discurso. Vamos, sim, ter deficits maiores neste ano e no pr\u00f3ximo, mas temos que mostrar que o compromisso com o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas \u00e9 para valer. O tempo de falsas promessas ficou para tr\u00e1s\u201d, acrescenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente Michel Temer abriu um precedente perigos\u00edssimo que pode colocar em risco a credibilidade da pol\u00edtica econ\u00f4mica, o \u00fanico pilar do governo que ainda se mant\u00e9m de p\u00e9. 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