{"id":5565,"date":"2017-08-07T00:02:51","date_gmt":"2017-08-07T03:02:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5565"},"modified":"2017-08-06T22:51:09","modified_gmt":"2017-08-07T01:51:09","slug":"temer-e-um-governante-fraco-diz-monica-de-bolle","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/temer-e-um-governante-fraco-diz-monica-de-bolle\/","title":{"rendered":"&#8220;Temer \u00e9 um governante fraco&#8221;, diz Monica de Bolle"},"content":{"rendered":"<h2>COM ROSANA HESSEL<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2><em>A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, em Washington (EUA), n\u00e3o tem medo de demonstrar opini\u00f5es e de criticar o atual governo e os equ\u00edvocos cometidos pelo presidente Michel Temer e a equipe econ\u00f4mica liderada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que ser\u00e3o sacramentados com a mudan\u00e7a das metas fiscais deste ano e do pr\u00f3ximo at\u00e9 o fim deste m\u00eas. Os 263 votos na C\u00e2mara dos Deputados que arquivaram a den\u00fancia de corrup\u00e7\u00e3o passiva contra Temer feita pela Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica (PGR) n\u00e3o indicam um recome\u00e7o, avalia. Para ela, as prometidas reformas ficar\u00e3o a cargo do pr\u00f3ximo presidente. \u201cA margem estreita de 36 votos que lhe deu vit\u00f3ria, combinada com as rachaduras do PSDB, revela que a batalha pela reforma da Previd\u00eancia ser\u00e1 sangrenta, caso o governo deseje mesmo peit\u00e1-la. Temer gastou imenso capital pol\u00edtico para manter-se no poder, por meio de concess\u00f5es diretas e de compra de apoio de \u2018aliados\u2019\u201d. Monica, em alguns momentos, compara os erros cometidos pelo atual governo aos praticados pelas equipes da ex-presidente Dilma Rousseff e se surpreende com a calmaria do mercado, porque nada mudar\u00e1 at\u00e9 2018 do ponto de vista fiscal. \u201cO quadro externo tem ajudado, mas, em alguma hora, os temores de descontrole fiscal que vimos em 2015 retornar\u00e3o com for\u00e7a expressiva\u201d, alerta. \u201cEst\u00e1 tudo montado para que a bomba fiscal exploda no colo do pr\u00f3ximo governo. Essa bomba n\u00e3o pode ser colocada apenas na conta da Dilma, uma parte \u00e9 do vice dela que assumiu o poder e n\u00e3o est\u00e1 cumprindo o que prometeu fazer, deixou as promessas de lado para continuar no poder\u201d, afirma a economista, que acredita que o Brasil ainda tem jeito. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao <strong>Correio<\/strong>:<\/em><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como o governo vai conduzir as reformas ap\u00f3s o resultado da vota\u00e7\u00e3o da den\u00fancia da PGR contra Temer?<\/strong><br \/>\nO governo saiu da vota\u00e7\u00e3o da den\u00fancia anunciando que, agora, o Brasil ter\u00e1 a chance de um \u201crecome\u00e7o\u201d. Contudo, a ret\u00f3rica n\u00e3o tem sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou econ\u00f4mica. A margem estreita de 36 votos que lhe deu a vit\u00f3ria, combinada com as rachaduras do PSDB, revelam que a batalha pela reforma da Previd\u00eancia ser\u00e1 sangrenta, caso o governo deseje mesmo peit\u00e1-la. Temer gastou imenso capital pol\u00edtico para se manter no poder, al\u00e9m das concess\u00f5es diretas e compra de apoio de \u2018aliados\u2019. Em raz\u00e3o do alt\u00edssimo custo pago para evitar a remo\u00e7\u00e3o, as metas fiscais de 2017 est\u00e3o comprometidas, como Meirelles j\u00e1 deu a entender. Portanto, o Brasil provavelmente ficar\u00e1 sem as reformas na forma que foram prometidas, e sem ajuste fiscal, ainda que tenha elevado impostos \u2014 algo que dissera que n\u00e3o faria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o custo da opera\u00e7\u00e3o orquestrada pelo governo para n\u00e3o deixar o poder? A mudan\u00e7a da meta fiscal \u00e9 inevit\u00e1vel?<\/strong><br \/>\nAumentou sobremaneira o risco de descumprimento da meta. Pelo visto, ficar\u00e1 para o pr\u00f3ximo governo, ap\u00f3s 2018, a dura tarefa da consolida\u00e7\u00e3o fiscal, al\u00e9m da agenda de reformas. Como n\u00e3o temos ideia do que sair\u00e1 das urnas no ano que vem, surpreende-me a calmaria dos mercados. O quadro externo tem ajudado, mas, em alguma hora os temores de descontrole fiscal que vimos em 2015 retornar\u00e3o com for\u00e7a expressiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 um embate dentro do governo por mudan\u00e7as na meta deste ano e do pr\u00f3ximo. Como os investidores reagir\u00e3o a isso?<\/strong><br \/>\nPor ora, dizem que \u2018est\u00e1 no pre\u00e7o\u2019. Contudo, acho dif\u00edcil acreditar que mudan\u00e7as na meta, somadas \u00e0 incerteza pol\u00edtica relativa ao ano que vem, ajudar\u00e3o a sustentar a fleuma que hoje caracteriza o comportamento dos mercados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A crise pol\u00edtica n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9gua, mas, a economia indica que est\u00e1 saindo do atoleiro. D\u00e1 para esperar crescimento econ\u00f4mico consistente este ano?<\/strong><br \/>\nA retomada sem reformas ou ajuste fiscal n\u00e3o tem sustenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 at\u00e9 poss\u00edvel algum crescimento este ano \u2014 bem abaixo de 1% \u2014 e no ano que vem, mas se trata de voo de galinha sem o respaldo de tudo o que o governo Temer havia prometido antes da realidade solap\u00e1-lo no por\u00e3o do Pal\u00e1cio do Jaburu. O resultado da C\u00e2mara muda um pouco, pois acentuou a deteriora\u00e7\u00e3o fiscal. Pergunto-me o que acontecer\u00e1 com o teto dos gastos em futuro n\u00e3o t\u00e3o distante. Como ficar\u00e3o as coisas para o pr\u00f3ximo governo? Est\u00e1 parecendo que herdar\u00e3o de Temer uma brutal crise fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A equipe econ\u00f4mica assumiu com o selo de excel\u00eancia do mercado, mas tem repetido erros das equipes de Dilma Rousseff. N\u00e3o est\u00e1 conseguindo entregar o ajuste fiscal que prometeu e recorre ao caminho mais f\u00e1cil, o aumento de impostos. Como a senhora avalia isso?<\/strong><br \/>\nA equipe econ\u00f4mica n\u00e3o \u00e9 dona de seu destino \u00e9 est\u00e1 sujeita \u00e0s vicissitudes da pol\u00edtica. Tenho dito isso h\u00e1 meses, desde a discuss\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o afoitas do teto de gastos. N\u00e3o me surpreende que as semelhan\u00e7as com o fim do governo Dilma tenham come\u00e7ado a surgir. Afinal, quem determina a viabilidade pol\u00edtica das reformas e do ajuste \u00e9 o ocupante do Planalto. A ele interessa proteger-se de acusa\u00e7\u00f5es mantendo-se no poder. N\u00e3o \u00e9 prioridade melhorar de fato as perspectivas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A m\u00e1quina p\u00fablica est\u00e1 a ponto de entrar em colapso, mas o governo deu aumentos generosos a servidores p\u00fablicos. A situa\u00e7\u00e3o pode sair do controle?<\/strong><br \/>\nPode, sem d\u00favida alguma. Temer \u00e9 um governante fraco, que sangrar\u00e1 at\u00e9 sair do cargo. Temo que, se ele ficar at\u00e9 2018, o estrago fiscal ser\u00e1 consider\u00e1vel. E, j\u00e1 n\u00e3o adianta querer p\u00f4r tudo na conta de Dilma. A conta ser\u00e1 dele e daqueles que a ele se associaram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/08\/MonicaBolle.jpg\" rel=\"attachment wp-att-5566\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-5566\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/08\/MonicaBolle.jpg\" alt=\"MonicaBolle\" width=\"605\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/08\/MonicaBolle.jpg 400w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/08\/MonicaBolle-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/08\/MonicaBolle-350x233.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-content\/uploads\/sites\/16\/2017\/08\/MonicaBolle-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O governo fala em austeridade fiscal, mas, em busca de apoio, liberou mais de R$ 4 bilh\u00f5es em emendas parlamentares desde o in\u00edcio de junho. D\u00e1 para acreditar no compromisso com o ajuste fiscal?<\/strong><br \/>\nEstamos no vale tudo e no salve-se quem puder. Nesse contexto, n\u00e3o h\u00e1 ajuste fiscal poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 diverg\u00eancias entre os integrantes da equipe econ\u00f4mica. At\u00e9 que ponto a guerra entre Meirelles, de um lado, e Dyogo Oliveira e Romero Juc\u00e1, de outro, pode minar a confian\u00e7a na pol\u00edtica econ\u00f4mica?<\/strong><br \/>\nAs rachaduras refletem as press\u00f5es pol\u00edticas que tendem a prevalecer. A aparente ingenuidade dos que n\u00e3o querem enxergar isso \u00e9 espantosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os cortes de gastos s\u00e3o suficientes para o cumprimento das metas fiscais ou os brasileiros ter\u00e3o de conviver com mais aumentos de impostos?<\/strong><br \/>\nOs cortes de gastos sem uma profunda e cuidadosa reforma da Previd\u00eancia n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para reverter o desmazelo das contas p\u00fablicas. Desde o in\u00edcio do governo Temer, j\u00e1 havia dito que o foco nas reformas de m\u00e9dio prazo n\u00e3o era suficiente, que era tamb\u00e9m necess\u00e1rio o ajuste de curto prazo. N\u00e3o houve ajuste de curto prazo \u2014 ao contr\u00e1rio, os gastos aumentaram antes e depois do epis\u00f3dio no por\u00e3o do Jaburu. Portanto, com o aumento das despesas e a deteriora\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o agravada pela crise econ\u00f4mica, o \u00fanico jeito de fazer um ajuste de curto prazo \u00e9 via aumento de impostos. Na verdade, o governo deveria estar discutindo a revers\u00e3o completa das desonera\u00e7\u00f5es da era Dilma \u2014 mas isso levaria atuais \u201caliados\u201d a abandonarem Temer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Com tanto deficit prim\u00e1rio consecutivo desde 2014, para onde vai a d\u00edvida p\u00fablica? Existe risco real de o pa\u00eds ficar insolvente?<\/strong><br \/>\nO pr\u00f3ximo governo haver\u00e1 de herdar situa\u00e7\u00e3o fiscal para l\u00e1 de indigesta. A d\u00edvida p\u00fablica deve alcan\u00e7ar patamar pr\u00f3ximo aos 80% do PIB at\u00e9 o fim do ano que vem, sem qualquer perspectiva de revers\u00e3o. Ou seja, do jeito que estamos hoje, caminhamos para algum tipo de crise fiscal no p\u00f3s-Temer. Evitar que isso aconte\u00e7a exigiria do governo tudo o que ele n\u00e3o est\u00e1 disposto a fazer: reverter os aumentos de sal\u00e1rio do funcionalismo p\u00fablico, congelar emendas parlamentares, acabar com as desonera\u00e7\u00f5es da era Dilma. Al\u00e9m, \u00e9 claro, de conseguir a proeza de passar uma reforma da Previd\u00eancia abrangente no Congresso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O governo considera fatiar a reforma. Quais os riscos desse fatiamento para o equil\u00edbrio fiscal?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei se haver\u00e1 reforma alguma, mas supondo que seja fatiada, \u00e9 quase o mesmo que n\u00e3o fazer nada. Claro que aprovar uma idade m\u00ednima para a aposentadoria \u00e9 importante, mas os problemas fiscais s\u00e3o t\u00e3o grandes que isso trar\u00e1 pouco al\u00edvio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais os riscos de a domin\u00e2ncia fiscal retornar? Ali\u00e1s, ela foi dissipada?<\/strong><br \/>\nA domin\u00e2ncia fiscal est\u00e1 dormente, sobretudo, por causa da recess\u00e3o brutal pela qual ainda atravessa o pa\u00eds. Alguma hora, entretanto, ela tornar\u00e1 a aparecer quando ficar mais vis\u00edvel a insustentabilidade fiscal brasileira. Temer nada fez para mudar o quadro que assombrava o Brasil em 2015, mas os mercados se acalmaram acreditando que a equipe econ\u00f4mica seria capaz de controlar aquilo que, no fundo, era incontrol\u00e1vel: o instinto de autoprote\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia dos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Banco Central cortou os juros em mais um ponto percentual, para 9,25% ao ano. A taxa b\u00e1sica pode cair mais um ponto na pr\u00f3xima reuni\u00e3o do Copom. Diante do forte recuo da infla\u00e7\u00e3o, o BC atrasou demais o al\u00edvio monet\u00e1rio? O BC est\u00e1 sendo conservador em excesso?<\/strong><br \/>\nSim, o Banco Central ficou demasiado atrasado. Contudo, o papel do BC hoje \u00e9 bem menos relevante do que j\u00e1 foi. Diante da gravidade da recess\u00e3o e dos imensos desajustes fiscais brasileiros, a pol\u00edtica monet\u00e1ria \u00e9 mera coadjuvante. Ainda que o BC decidisse abandonar o excesso de conservadorismo, n\u00e3o seria ele o salvador da P\u00e1tria, n\u00e3o mudaria em quase nada o quadro que enfrentaremos pela frente. Essa irrelev\u00e2ncia me parece \u00fanica na hist\u00f3ria econ\u00f4mica recente brasileira. N\u00e3o deixa de ser uma faceta da domin\u00e2ncia fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A senhora acredita em outras den\u00fancias contra Temer? Trabalha com alguma mudan\u00e7a no comando do pa\u00eds? O que significaria para a economia a substitui\u00e7\u00e3o de Michel Temer por Rodrigo Maia<\/strong>?<br \/>\nPor ora, acho mais plaus\u00edvel o cen\u00e1rio em que Temer s\u00f3 sai depois das elei\u00e7\u00f5es, o que significa que entregar\u00e1 para o pr\u00f3ximo governo n\u00e3o s\u00f3 parte da heran\u00e7a maldita da antecessora de quem foi vice, mas a sua pr\u00f3pria, resultante das articula\u00e7\u00f5es para permanecer no cargo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O mercado financeiro tem mostrado certa tranquilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crise pol\u00edtica. Por que n\u00e3o vemos sinais de p\u00e2nico entre os investidores? Nem as dificuldades na \u00e1rea fiscal est\u00e3o mexendo tanto com os pre\u00e7os ativos. Qual \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o dos agentes sobre a crise pol\u00edtica?<\/strong><br \/>\nPor enquanto, parece que est\u00e3o convencidos de que existe um descolamento entre a crise pol\u00edtica e a economia, hip\u00f3tese que creio estar equivocada. Imagino que a situa\u00e7\u00e3o mude quando os riscos fiscais ficarem mais claros \u00e0 frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o dos investidores estrangeiros em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crise pol\u00edtica e a economia?<\/strong><br \/>\nPara o investidor estrangeiro, o Brasil \u00e9 lugar para especular e para comprar um ou outro ativo barato. De resto, est\u00e3o mais interessados nas reviravoltas da Casa Branca e do Congresso norte-americano, na agenda legislativa daqui dos EUA, do que no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O pa\u00eds perdeu todos os bondes da hist\u00f3ria para poder virar um pa\u00eds realmente desenvolvido? Estamos condenados a sermos um pa\u00eds de renda m\u00e9dia baixa?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o acho que estejamos condenados a nada. H\u00e1 chance de o Brasil voltar a crescer, de melhorar a produtividade, de passar reformas importantes. Para que isso aconte\u00e7a, \u00e9 preciso que o que a\u00ed est\u00e1 se v\u00e1 \u2014 isso ocorrer\u00e1 naturalmente em 2018. \u00c9 preciso, tamb\u00e9m, que a sociedade se mobilize para exigir dos pol\u00edticos que venham a eleger em 2018 \u2014 espero que tenhamos ampla renova\u00e7\u00e3o no Congresso \u2014 uma agenda de pol\u00edticas p\u00fablicas que revelem real compromisso com o futuro do pa\u00eds, n\u00e3o com seus umbigos. Depois do imenso sofrimento dos \u00faltimos anos, n\u00e3o acho que seja ingenuidade pensar assim. Mas, vamos ver o que acontece nas urnas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No livro <em>Como matar a borboleta azul<\/em>, a senhora faz uma analogia ao governo Dilma e como ela conseguiu destruir a sa\u00fade das contas p\u00fablicas com medidas equivocadas, que levaram o pa\u00eds \u00e0 recess\u00e3o. Olhando para o governo Temer, que borboleta azul ele est\u00e1 matando?<\/strong><br \/>\nA met\u00e1fora do meu livro \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao crescimento e como se mata a capacidade de um pa\u00eds crescer fazendo coisas em tese bem intencionadas, por\u00e9m que acabam por ter efeitos horrorosos. E foram essas coisas que mataram o crescimento no Brasil durante os anos Dilma: as pol\u00edticas de campe\u00f5es nacionais, o desinteresse pelo controle fiscal, o aumento desenfreado do cr\u00e9dito p\u00fablico, as desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias, a ideia de que se podia tolerar um pouco mais de infla\u00e7\u00e3o para ter mais crescimento. No fim do livro, h\u00e1 um cap\u00edtulo que pergunta se os morcegos seriam capazes de ressuscitar a borboleta do crescimento, refer\u00eancia ao rec\u00e9m-empossado Temer. Mas, passado um ano e pouco de governo, d\u00e1 para dizer que ainda n\u00e3o houve ressurrei\u00e7\u00e3o. O morcego n\u00e3o conseguiu ressuscitar nada e est\u00e1 matando o crescimento de uma forma muito pior, porque os deficits prim\u00e1rios das contas p\u00fablicas est\u00e3o maiores do que antes e h\u00e1 um risco consider\u00e1vel de a meta fiscal n\u00e3o ser cumprida. Temer n\u00e3o fez nenhuma das reformas prometidas. A trabalhista que passou foi uma promessa parcialmente cumprida. A fiscal n\u00e3o foi feita porque o teto do gasto n\u00e3o \u00e9 reforma. A da Previd\u00eancia n\u00e3o deve passar. Est\u00e1 tudo montado para que a bomba fiscal exploda no colo do pr\u00f3ximo governo. Essa bomba n\u00e3o pode ser colocada apenas na conta da Dilma, uma parte \u00e9 do vice dela, que assumiu o poder e n\u00e3o est\u00e1 cumprindo o que prometeu fazer, deixou as promessas de lado para continuar no poder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Diante desse quadro nada animador, a senhora acha que o Brasil tem jeito? \u00c9 poss\u00edvel ser otimista?<\/strong><br \/>\nApesar de tudo, acredito que o pa\u00eds tem jeito. Prefiro pensar em coisas positivas para parar um pouco com essa negatividade de s\u00f3 falar de coisa ruim. \u00c9 preciso uma mudan\u00e7a de mentalidade n\u00e3o s\u00f3 dos pol\u00edticos e dos governantes, mas da sociedade tamb\u00e9m. Ela precisa se engajar no processo de eleger novas pessoas para o Congresso e para a Presid\u00eancia nas elei\u00e7\u00f5es de 2018. Essa \u00e9 uma chance de dar um reboot no Brasil, ainda que o pa\u00eds enfrente os problemas que est\u00e3o a\u00ed. \u00c9 preciso escolher um novo governo razo\u00e1vel, que saiba se articular e comunicar para a sociedade quais s\u00e3o os verdadeiros problemas que precisam ser enfrentados. Assim, as pessoas v\u00e3o entender que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito ruim e n\u00e3o d\u00e1 para fazer m\u00e1gica. Certas reformas precisam ser profundas e abrangentes. E cabe \u00e0queles que querem concorrer mostrar propostas s\u00e9rias, apesar de haver muitos oportunistas. Em raz\u00e3o dos oportunistas, \u00e9 preciso explicar de forma bem clara quais s\u00e3o os problemas e como eles precisam ser enfrentados. Tem gente que n\u00e3o vai querer perder benef\u00edcios ou privil\u00e9gios, mas isso ser\u00e1 inevit\u00e1vel. E a sociedade precisar\u00e1 avaliar as prioridades. Tenho esperan\u00e7a de que as pessoas est\u00e3o preparadas para enfrentar esse desafio desde que seja na m\u00e3o de um governo confi\u00e1vel, um governo eleito, n\u00e3o herdado. A li\u00e7\u00e3o do governo Temer \u00e9 que nada se faz nas m\u00e3os de quem n\u00e3o tem cr\u00e9dito algum, pois, al\u00e9m de n\u00e3o ter sido eleito, est\u00e1 sob suspeita \u2014 durante o mandato \u2014 de ter se envolvido no que n\u00e3o devia. Temer n\u00e3o \u00e9 Itamar. Tampouco \u00e9 Sarney.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>COM ROSANA HESSEL A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, em Washington (EUA), n\u00e3o tem medo de demonstrar opini\u00f5es e de criticar o atual governo e os equ\u00edvocos cometidos pelo presidente Michel Temer e a equipe econ\u00f4mica liderada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que ser\u00e3o sacramentados com a mudan\u00e7a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600],"tags":[2460,2520,2521,2433,2431,2432,2405,2519,2522,123,125],"class_list":["post-5565","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","tag-ajuste","tag-bolle","tag-emenda","tag-fiscal","tag-henrique","tag-meirelles","tag-michel","tag-monica","tag-parlamentares","tag-servidores","tag-temer"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5565","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5565"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5565\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5567,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5565\/revisions\/5567"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5565"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5565"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5565"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}