{"id":5526,"date":"2017-08-03T06:04:03","date_gmt":"2017-08-03T09:04:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5526"},"modified":"2017-08-03T11:13:45","modified_gmt":"2017-08-03T14:13:45","slug":"coluna-no-correio-temer-recorre-ao-pior-da-politica-e-ri-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-temer-recorre-ao-pior-da-politica-e-ri-de-todos\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Temer recorre ao pior da pol\u00edtica e ri de todos"},"content":{"rendered":"<h2>O governo acredita que, encerrada a batalha na C\u00e2mara dos Deputados, onde enterrou a den\u00fancia de corrup\u00e7\u00e3o passiva contra o presidente Michel Temer, conseguir\u00e1 retomar a agenda que foi abandonada em 17 de maio, quando as dela\u00e7\u00f5es do grupo JBS se tornaram p\u00fablicas. Com as finan\u00e7as do pa\u00eds em estado de calamidade e as mudan\u00e7as \u00e0 vista nas metas fiscais deste ano e de 2018, o Pal\u00e1cio do Planalto ter\u00e1 que dar a garantia aos investidores de que ser\u00e1 capaz de levar adiante a reforma da Previd\u00eancia. Se o rombo fiscal vai aumentar neste momento, as altera\u00e7\u00f5es no sistema previdenci\u00e1rio, se aprovadas, ser\u00e3o a garantia de que, mesmo a longo prazo, o ajuste das contas federais vir\u00e1.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O n\u00famero de votos a favor de Temer, que recorreu ao pior da pol\u00edtica e riu de todos, ficou acima do esperado pelo Planalto. Mas o resultado e a garantia do mandato n\u00e3o significam uma travessia f\u00e1cil para o governo. Muito pelo contr\u00e1rio. H\u00e1 um descontentamento enorme no pa\u00eds contra o presidente, o mais impopular da hist\u00f3ria. Ser\u00e1 preciso um convencimento muito grande no Congresso para conseguir o apoio necess\u00e1rio \u00e0 reforma da Previd\u00eancia. No que depender da equipe econ\u00f4mica, nenhuma nova concess\u00e3o ser\u00e1 feita para que o projeto ande. Na avalia\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos, tudo o que era poss\u00edvel abrir m\u00e3o j\u00e1 foi feito. Agora, dizem eles, \u00e9 aproveitar o momento favor\u00e1vel e partir para o ataque. \u00c9 important\u00edssimo dar perspectivas de que o quadro fiscal n\u00e3o saiu do controle.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ala pol\u00edtica do Planalto acredita que o governo, mesmo fortalecido, ter\u00e1 que recuar em alguns pontos para que os itens principais da reforma prevale\u00e7am. A promessa \u00e9 de que, j\u00e1 a partir de hoje, a tropa de choque que atuou nos \u00faltimos dias para preservar o mandato de Temer saia a campo e coloque a reforma da Previd\u00eancia na pauta de urg\u00eancias do Congresso. Temer acredita que, mesmo parlamentares que votaram contra ele, como os do PSDB v\u00e3o encampar a agenda de reformas de olho em 2018. Nenhum candidato vai querer tratar desse tema durante as campanhas eleitorais. Portanto, ressalta o presidente, ser\u00e1 melhor fazer logo o mal agora e colher os frutos mais adiante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Feij\u00e3o com arroz<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar do discurso de preocupa\u00e7\u00e3o com as contas p\u00fablicas, deve-se ressaltar que o governo pouco fez para entregar o ajuste fiscal que prometeu assim que tomou posse. A gastan\u00e7a continuou a todo vapor, benesses foram concedidas a corpora\u00e7\u00f5es, em especial aos servidores p\u00fablicos, e os cofres n\u00e3o foram poupados nos \u00faltimos dias para garantir a derrubada da den\u00fancia de corrup\u00e7\u00e3o passiva contra Temer feita pela Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica. N\u00e3o \u00e0 toa, as metas fiscais ter\u00e3o que ser alteradas. Neste ano, em vez de deficit de at\u00e9 R$ 139 bilh\u00f5es, veremos rombo entre R$ 150 bilh\u00f5es e R$ 155 bilh\u00f5es. Em 2018, o buraco nas contas dever\u00e1 saltar de R$ 129 bilh\u00f5es para at\u00e9 R$ 140 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo apostou firme na recupera\u00e7\u00e3o da economia e da arrecada\u00e7\u00e3o para evitar o desgaste de ter que mudar as metas fiscais. Acreditava-se que receitas extras compensariam a eleva\u00e7\u00e3o dos gastos e que ningu\u00e9m daria conta da fragilidade das finan\u00e7as. Contudo, nada do que o Planalto e a equipe econ\u00f4mica esperavam ocorreu. Assim, o discurso de austeridade foi sendo desmontado. O retrato final do fracasso ser\u00e1 explicitado nos pr\u00f3ximos dias, quando o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciar que foi incapaz de entregar o que prometeu, que o t\u00e3o alardeado ajuste ficar\u00e1 para depois.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os investidores, por\u00e9m, j\u00e1 jogaram a toalha em rela\u00e7\u00e3o ao ajuste fiscal neste e no pr\u00f3ximo ano. Para eles, o mais importante, neste momento, \u00e9 que Temer consiga levar o pa\u00eds at\u00e9 o fim de 2018 sem grandes solavancos. Todos sabem que novas den\u00fancias contra Temer est\u00e3o por vir, mas n\u00e3o devem mais provocar tanto estresse. O que os donos do dinheiro querem \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o da equipe econ\u00f4mica e do compromisso com as reformas. H\u00e1 boas not\u00edcias no horizonte. O ritmo da atividade est\u00e1 melhorando, ainda que lentamente, a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 em queda e os juros, no n\u00edvel mais baixo desde 2013. Garantir esse quadro, com a volta gradual do emprego, j\u00e1 ser\u00e1 suficiente. Ningu\u00e9m espera uma revolu\u00e7\u00e3o, apenas o arroz com feij\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo acredita que, encerrada a batalha na C\u00e2mara dos Deputados, onde enterrou a den\u00fancia de corrup\u00e7\u00e3o passiva contra o presidente Michel Temer, conseguir\u00e1 retomar a agenda que foi abandonada em 17 de maio, quando as dela\u00e7\u00f5es do grupo JBS se tornaram p\u00fablicas. 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