{"id":548,"date":"2016-03-03T08:13:28","date_gmt":"2016-03-03T11:13:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=548"},"modified":"2016-03-03T08:14:42","modified_gmt":"2016-03-03T11:14:42","slug":"em-decomposicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/em-decomposicao\/","title":{"rendered":"EM DECOMPOSI\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p>O retrato do desastre econ\u00f4mico que foi 2015 ser\u00e1 mostrado hoje, sem retoques, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Ao que tudo indica, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou queda entre 3,8% e 4%, tombo sem precedentes em 25 anos. Se confirmada a proje\u00e7\u00e3o mais pessimista do mercado, a m\u00e9dia anual de crescimento do pa\u00eds durante os cinco primeiros anos do governo Dilma Rousseff ser\u00e1 inferior a 1%, mais precisamente, de 0,98%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A recess\u00e3o que assusta a todos foi criada exclusivamente pelo governo. Desde que tomou posse, em 2011, Dilma p\u00f4s em pr\u00e1tica boa parte dos programas defendidos pelo PT, que resultaram na tal Nova Matriz Econ\u00f4mica. O combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o passou a ser assunto secund\u00e1rio. As taxas de juros foram reduzidas sem qualquer crit\u00e9rio t\u00e9cnico. O Tesouro Nacional ampliou a gastan\u00e7a e levou a d\u00edvida p\u00fablica a n\u00edveis insustent\u00e1veis. O Planalto interveio nos pre\u00e7os da gasolina e da energia el\u00e9trica, criando distor\u00e7\u00f5es cuja fatura ser\u00e1 paga por v\u00e1rios anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de todos os alertas de que a economia estava afundando, Dilma insistiu nos erros. Mesmo quando emitiu sinais de que, enfim, havia reconhecido que o pa\u00eds caminhava para o precip\u00edcio e nomeou Joaquim Levy para o Minist\u00e9rio da Fazenda, continuou apoiando pol\u00edticas equivocadas, que destru\u00edram, por completo, as bases da estabilidade. As fissuras no trip\u00e9 econ\u00f4mico \u2014 metas de infla\u00e7\u00e3o, c\u00e2mbio flutuante e ajuste fiscal \u2014 que permitiu ao Brasil agregar 40 milh\u00f5es de pessoas ao mercado de consumo foram t\u00e3o profundas, que hoje \u00e9 imposs\u00edvel dizer quando o pa\u00eds sair\u00e1 do atoleiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dilma n\u00e3o economizou nas estripulias. Al\u00e9m de obrigar os brasileiros a conviverem com infla\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima de 11%, trouxe de volta o desemprego. O ex\u00e9rcito de desocupados j\u00e1 passa de 9 milh\u00f5es e deve continuar aumentando nos pr\u00f3ximos meses. De cada 10 jovens entre 18 e 24 anos das seis principais regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds, dois est\u00e3o sem trabalho, vendo sonhos serem destru\u00eddos e os riscos da viol\u00eancia aumentarem. O mais dram\u00e1tico \u00e9 que v\u00e1rios desses jovens foram beneficiados pelos programas de acesso \u00e0s universidades bancados pelo governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3. O Brasil de Dilma foi rebaixado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de lixo pelas tr\u00eas principais ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco do mundo \u2014 Standard &amp; Poor\u2019s (S&amp;P), Fitch e Moody\u2019s \u2014, restringindo o acesso de empresas ao mercado internacional de cr\u00e9dito. O n\u00famero de pedidos de fal\u00eancias n\u00e3o para de crescer. Nos dois primeiros meses do ano, cresceu 36%, segundo a Boa Vista SCPC. Na compara\u00e7\u00e3o de fevereiro de 2016 com o mesmo per\u00edodo de 2015, o salto foi de 76,3%. Mais empresas quebrando significa desemprego maior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C\u00famplice do desastre<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse quadro dram\u00e1tico, era esperado que o Banco Central estivesse usando a pol\u00edtica monet\u00e1ria para estimular a atividade. Mas est\u00e1 de m\u00e3os atadas por uma raz\u00e3o simples: n\u00e3o controlou a infla\u00e7\u00e3o. Em vez de agir de forma t\u00e9cnica, a institui\u00e7\u00e3o se deixou cooptar pelos interesses pol\u00edticos. Isso ficou claro a partir de outubro de 2011. Para atender aos apelos do Pal\u00e1cio do Planalto, o BC deu in\u00edcio a um longo processo de redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), a despeito de o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) estar distante do centro da meta, de 4,5%. A Selic caiu de 12,50% para 7,25% ao ano, o patamar mais baixo da hist\u00f3ria. Dilma queria, a todo custo, que os juros reais (que descontam a infla\u00e7\u00e3o) ca\u00edssem para 2%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como os sinais de descontrole da infla\u00e7\u00e3o ficaram evidentes, a autoridade monet\u00e1ria foi obrigada a subir os juros seis meses depois de Dilma ostentar seu trof\u00e9u. E s\u00f3 interrompeu o processo em maio de 2014, quando a campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o da petista j\u00e1 estava nas ruas. N\u00e3o havia como o BC elevar a Selic com a presidente da Rep\u00fablica pregando que a carestia era inven\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o. Tr\u00eas dias depois de as urnas confirmarem a vit\u00f3ria dela, o BC retomou a trajet\u00f3ria de alta dos juros, sem sucesso, por falta de credibilidade. A infla\u00e7\u00e3o continuou subindo. Alcan\u00e7ou 10,67% em 2015 e pode fechar este ano entre 8% e 9%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O BC sabe que o Produto Interno Bruto (PIB) est\u00e1 derretendo. Pode cair mais 4% em 2016. Ontem, por\u00e9m, teve de se contentar em manter a Selic inalterada pela quinta vez consecutiva, em 14,25%. O BC, como se tornou rotina no governo, joga boa parte da culpa pela crise \u00e0s &#8220;incertezas internacionais&#8221;. Os problemas, no entanto, s\u00e3o todos nossos. As decis\u00f5es erradas na economia agravam a recess\u00e3o e o governo n\u00e3o tem base pol\u00edtica para aprovar, no Congresso, projetos que poderiam resgatar um pouco da confian\u00e7a perdida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com todo esse fracasso, o certo \u00e9 que estamos nos distanciando do mundo, que continua crescendo. Isso significa perda de emprego, sal\u00e1rios menores e futuro comprometido. As pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es devem se preparar para a heran\u00e7a maldita que o governo Dilma lhes entregar\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h13min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O retrato do desastre econ\u00f4mico que foi 2015 ser\u00e1 mostrado hoje, sem retoques, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Ao que tudo indica, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou queda entre 3,8% e 4%, tombo sem precedentes em 25 anos. 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