{"id":5363,"date":"2017-07-20T06:52:48","date_gmt":"2017-07-20T09:52:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5363"},"modified":"2017-07-20T11:12:52","modified_gmt":"2017-07-20T14:12:52","slug":"coluna-no-correio-e-conta-da-gastanca-cai-no-colo-da-populacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-e-conta-da-gastanca-cai-no-colo-da-populacao\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: E a conta da gastan\u00e7a cai no colo da popula\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2>O governo de Michel Temer assumiu com um discurso dur\u00edssimo sobre a necessidade de o pa\u00eds fazer um ajuste fiscal consistente, mas, passados um ano e dois meses dos compromissos assumidos pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas continua na promessa. Uma an\u00e1lise mais profunda da evolu\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as federais aponta que a gastan\u00e7a continuou desenfreada. N\u00e3o por acaso, a equipe econ\u00f4mica anunciar\u00e1 hoje mais um aumento de impostos. At\u00e9 ontem \u00e0 noite, estava certa a eleva\u00e7\u00e3o do PIS e da Confins sobre combust\u00edveis e, se necess\u00e1rio, a alta da Cide, que tamb\u00e9m incide sobre a gasolina e o diesel. A conta do desajuste, mais uma vez, ser\u00e1 paga pela popula\u00e7\u00e3o.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para tentar justificar o fracasso na gest\u00e3o das contas p\u00fablicas, o governo diz que o aumento de imposto foi a \u00faltima op\u00e7\u00e3o que restou para que n\u00e3o seja obrigado a abrir m\u00e3o do ajuste fiscal. A prioridade \u00e9 evitar que o rombo neste ano seja maior do que os R$ 139 bilh\u00f5es colocados como teto. A equipe econ\u00f4mica argumenta, ainda, que a forte recess\u00e3o prejudicou a recupera\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o de tributos. O pequeno aumento real de 0,77% nas receitas no primeiro semestre n\u00e3o foi suficiente para compensar a eleva\u00e7\u00e3o de gastos que se viu nos \u00faltimos meses. Os t\u00e9cnicos alegam que fazem o que podem, tanto que cortaram R$ 39 bilh\u00f5es do or\u00e7amento deste ano. Mas o certo \u00e9 que o governo \u00e9 perdul\u00e1rio e o Estado, inchado demais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temer teve todas as oportunidades de, realmente, fazer um ajuste fiscal de verdade. Contudo, optou por favorecer corpora\u00e7\u00f5es, como a dos servidores p\u00fablicos, que tiveram aumentos de sal\u00e1rios de at\u00e9 27,8% divididos em quatro anos. Para se ter uma ideia, entre 2016 e 2019, os reajustes do funcionalismo v\u00e3o custar mais de R$ 100 bilh\u00f5es ao Tesouro Nacional. H\u00e1, ainda, uma fatura de at\u00e9 R$ 16 bilh\u00f5es sendo pleiteada pelo chamado carreir\u00e3o, formado pelos servidores que est\u00e3o na base dos sal\u00e1rios. Como eles fecharam acordo por apenas dois anos, 2016 e 2017, receberam aumento de 10,8%. Agora, querem mais dois anos de reajuste, equiparando a corre\u00e7\u00e3o aos 27,8% dada \u00e0 elite do servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo sabendo que as contas p\u00fablicas estavam estra\u00e7alhadas, o presidente preferiu n\u00e3o enfrentar as corpora\u00e7\u00f5es. Alegou que, sem o cumprimento dos acordos fechados ainda na administra\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff, a m\u00e1quina governamental poderia parar. N\u00e3o bastasse esse sinal de fragilidade, Temer recorreu a um expediente incompat\u00edvel com o discurso fiscalista da equipe econ\u00f4mica: abriu os cofres em junho e em julho para angariar votos a fim de barrar, na C\u00e2mara dos Deputados, a den\u00fancia de corrup\u00e7\u00e3o passiva feita contra ele pelo procurador-geral da Rep\u00fablica, Rodrigo Janot. De janeiro a maio, a libera\u00e7\u00e3o de emendas parlamentares ficou um pouco acima de R$ 100 milh\u00f5es. Nos dois meses seguintes, os desembolsos passaram de R$ 2 bilh\u00f5es. O peemedebista mostrou que, no vale tudo para manter o cargo, o ajuste fiscal virou fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E pode vir mais<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pior \u00e9 que o aumento de impostos n\u00e3o vai resolver os problemas das contas p\u00fablicas, pois as receitas continuar\u00e3o crescendo aqu\u00e9m do necess\u00e1rio e os gastos se manter\u00e3o explosivos. O risco de a meta fiscal deste ano n\u00e3o ser cumprida continuar\u00e1 latente. Pior: mesmo pagando mais para um Estado perdul\u00e1rio, v\u00e1rios servi\u00e7os est\u00e3o amea\u00e7ados. O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Leonardo Gadelha, diz que, se \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o receber um aporte extra de verbas at\u00e9 o fim do ano, ter\u00e1 que suspender o atendimento em at\u00e9 metade dos postos espalhados pelo pa\u00eds. A For\u00e7a Nacional, que refor\u00e7a a seguran\u00e7a onde a viol\u00eancia atinge n\u00edveis alarmantes, pleiteia R$ 120 milh\u00f5es para manter as tropas nas ruas. Se esse dinheiro n\u00e3o for liberado rapidamente, quase 1,6 mil policiais voltar\u00e3o para os quart\u00e9is.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As contas p\u00fablicas, por falta de vontade pol\u00edtica, continuar\u00e3o no vermelho por muitos anos, com o risco de a d\u00edvida p\u00fablica superar os 80% do Produto Interno Bruto (PIB) j\u00e1 em 2018. No ano passado, o deficit prim\u00e1rio do governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previd\u00eancia) ficou em R$ 161,2 bilh\u00f5es, saldo R$ 7 bilh\u00f5es maior do que o anunciado previamente. Para este ano, a previs\u00e3o \u00e9 de um buraco de R$ 139 bilh\u00f5es. No ano que vem, a proje\u00e7\u00e3o aponta para um rombo de R$ 129 bilh\u00f5es. Na melhor das hip\u00f3teses, as contas p\u00fablicas voltar\u00e3o ao azul em 2020 ou 2021. Isso, contando que a economia voltar\u00e1 a crescer a um ritmo pr\u00f3ximo de 3% ao ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil, no entanto, se acostumou com esse Estado inchado e perdul\u00e1rio. Em pa\u00edses civilizados, a como\u00e7\u00e3o popular contra o aumento de impostos seria enorme. Mas o governo aposta que o impacto da alta do PIS e da Cofins, e mesmo da Cide, ser\u00e1 m\u00ednimo, j\u00e1 que os pre\u00e7os dos combust\u00edveis est\u00e3o em queda. Ou seja, o Planalto est\u00e1 contando que poder\u00e1 meter a m\u00e3o no bolso dos consumidores sem que haja uma gritaria. E n\u00e3o est\u00e1 errado. Infelizmente, o grosso da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para as decis\u00f5es de Bras\u00edlia, mesmo que acabe pagando uma fatura salgada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, ainda que m\u00ednimo, qualquer aumento de impostos \u00e9 ruim. E fica pior num momento de fragilidade t\u00e3o grande da economia, que se debate para sair da maior recess\u00e3o da hist\u00f3ria. \u201cO certo seria o governo ter partido para um controle maior dos gastos\u201d, diz. Ele acredita que, diante de novas frustra\u00e7\u00f5es de receitas, novas rodadas de eleva\u00e7\u00e3o de tributos podem vir. Esse \u00e9 o caminho mais f\u00e1cil a ser seguido. Diante dessa realidade, Afif ironiza: \u201cEnquanto isso, vamos vivendo de amor\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h52min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo de Michel Temer assumiu com um discurso dur\u00edssimo sobre a necessidade de o pa\u00eds fazer um ajuste fiscal consistente, mas, passados um ano e dois meses dos compromissos assumidos pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas continua na promessa. 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