{"id":5244,"date":"2017-07-06T06:21:51","date_gmt":"2017-07-06T09:21:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5244"},"modified":"2017-07-06T15:29:35","modified_gmt":"2017-07-06T18:29:35","slug":"coluna-no-correio-agonia-diaria-de-temer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-agonia-diaria-de-temer\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: A agonia di\u00e1ria de Temer"},"content":{"rendered":"<h2>O governo enfrenta uma mar\u00e9 t\u00e3o ruim, que assessores do presidente Michel Temer dizem que \u00e9 imposs\u00edvel olhar muito al\u00e9m de 24 horas. \u201cEstamos operando no dia a dia. Os fatos est\u00e3o nos atropelando de uma forma t\u00e3o veloz, que \u00e9 imposs\u00edvel dizer como ser\u00e1 o amanh\u00e3\u201d, afirma um dos ministros mais pr\u00f3ximos do presidente. \u201cCada dia \u00e9 uma agonia. Todo o nosso planejamento foi para o espa\u00e7o. Agora, s\u00f3 nos resta sobreviver\u201d, acrescenta.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelo planejamento inicial tra\u00e7ado pelo Pal\u00e1cio do Planalto, neste in\u00edcio de julho o governo estaria comemorando a aprova\u00e7\u00e3o da reforma trabalhista pela C\u00e2mara e pelo Senado e j\u00e1 teria garantindo, em primeiro e segundo turnos, vit\u00f3ria na reforma da Previd\u00eancia. Nesse cen\u00e1rio, dizem assessores presidenciais, Temer estaria surfando com a economia mais forte. N\u00e3o haveria um salto de popularidade, mas o \u00edndice estaria bem distante dos 7% de aprova\u00e7\u00e3o registrados pelas pesquisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na realidade que se imp\u00f5e, Temer n\u00e3o consegue dizer, hoje, se terminar\u00e1 o mandato. Em vez de vit\u00f3rias certas no Congresso, luta, de forma desesperada, para garantir votos entre deputados afim de derrubar uma den\u00fancia de corrup\u00e7\u00e3o passiva feita pela Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica. A reforma trabalhista, que s\u00f3 falta ser votada pelo plen\u00e1rio do Senado, n\u00e3o est\u00e1 totalmente garantida. No caso da reforma da Previd\u00eancia, s\u00e3o m\u00ednimas as chances de se aprovar qualquer coisa neste ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A desilus\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as no sistema previdenci\u00e1rio \u00e9 tamanha, que, para n\u00e3o frustrar os investidores que ainda mant\u00eam apoio ao governo, a equipe de Temer defende que o projeto de reforma seja fatiado. \u00c9 uma forma de dar esperan\u00e7a aos agentes econ\u00f4micos de que alguma coisa est\u00e1 sendo feita para garantir o controle dos gastos p\u00fablicos. Contudo, nem mesmo esse fatiamento \u00e9 visto como certeza de apoio do Congresso ao pol\u00eamico projeto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Calotes constantes<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse a luta pela sobreviv\u00eancia, Temer corre o risco de n\u00e3o entregar sua principal promessa: o ajuste fiscal. Com a forte queda da arreda\u00e7\u00e3o, fruto da impressionante desacelera\u00e7\u00e3o da economia, s\u00e3o cada vez maiores as chances de o Tesouro Nacional encerrar o ano com rombo maior do que o teto de R$ 139 bilh\u00f5es previsto no Or\u00e7amento. Os n\u00fameros das contas p\u00fablicas divulgados pela equipe econ\u00f4mica s\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o piores porque uma s\u00e9rie de contratos n\u00e3o est\u00e1 sendo paga. Isso mesmo: o governo est\u00e1 dando calote em v\u00e1rios de seus fornecedores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que mais preocupa entre os que acompanham as finan\u00e7as do pa\u00eds \u00e9 que o governo est\u00e1 trilhando um caminho perigoso demais. Para garantir o mandato, Temer decidiu liberar emendas de parlamentares. Somente em junho, foi empenhado R$ 1,8 bilh\u00e3o nessa rubrica, quase 20 vezes o total de R$ 102,5 milh\u00f5es desembolsados no acumulado de janeiro a maio. Essa pol\u00edtica do vale-tudo para obter apoio no Congresso \u00e9 considerada suicida mesmo por aliados do peemedebista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que o presidente passa aos investidores a imagem de um governo descompromissado com o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas, n\u00e3o h\u00e1 a garantia de que ele ter\u00e1 os votos suficientes para continuar no comando do pa\u00eds. Esse filme foi visto na etapa final do governo de Dilma Rousseff. Ela teve o mandato cassado, apesar do escancaramento dos cofres da Uni\u00e3o. \u201cNegocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas s\u00e3o leg\u00edtimas, sobretudo num momento t\u00e3o conturbado. Mas ao colocar em risco o ajuste fiscal, o quadro se complica. Ningu\u00e9m aceitar\u00e1 retrocessos nessa \u00e1rea\u201d, admite um t\u00e9cnico da equipe econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, garante que, a despeito de toda a turbul\u00eancia pol\u00edtica, o compromisso com o ajuste fiscal \u00e9 intoc\u00e1vel. Ele segue \u00e0 risca o papel de enfatizar tal discurso. Mas o sinal de alerta dos t\u00e9cnicos foi ligado. Nada est\u00e1 saindo como o previsto. A economia n\u00e3o se recuperou como o esperado, a arrecada\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito fraca, as receitas extraordin\u00e1rias est\u00e3o se tornando improv\u00e1veis e os gastos incompat\u00edveis com o ajuste continuam. Enfim, o principal pilar da confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos em rela\u00e7\u00e3o ao governo est\u00e1 prestes a ruir. Resta saber se ainda haver\u00e1 tempo de o bom-senso reverter o desastre. A contagem regressiva come\u00e7ou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo enfrenta uma mar\u00e9 t\u00e3o ruim, que assessores do presidente Michel Temer dizem que \u00e9 imposs\u00edvel olhar muito al\u00e9m de 24 horas. \u201cEstamos operando no dia a dia. Os fatos est\u00e3o nos atropelando de uma forma t\u00e3o veloz, que \u00e9 imposs\u00edvel dizer como ser\u00e1 o amanh\u00e3\u201d, afirma um dos ministros mais pr\u00f3ximos do presidente. 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