{"id":5240,"date":"2017-07-05T13:01:28","date_gmt":"2017-07-05T16:01:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5240"},"modified":"2017-07-05T13:52:47","modified_gmt":"2017-07-05T16:52:47","slug":"o-charme-de-temer-para-o-baixo-clero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o-charme-de-temer-para-o-baixo-clero\/","title":{"rendered":"O charme de Temer para o baixo clero"},"content":{"rendered":"<h2>LEONARDO CAVALCANTI<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>Christiane Yared, Bruna Furlan, Goulart, Peninha, Luiz Lauro Filho, Wilson Filho, Roberto de Lucena e Evandro Gussi. Mesmo um leitor mais atento aos movimentos pol\u00edticos pode n\u00e3o ser capaz de reconhecer os nomes dos deputados federais recebidos ao longo do dia de ontem por Michel Temer. S\u00e3o pol\u00edticos do baixo clero, assim chamados pela falta de import\u00e2ncia nos trabalhos do dia a dia do Congresso, mas que, no atual momento da pol\u00edtica brasileira, foram recebidos com pompas e circunst\u00e2ncias no Pal\u00e1cio do Planalto. O presidente dedicou a cada um deles meia hora na agenda, algo impens\u00e1vel em outros tempos, mesmo para quem \u00e9 reconhecido pelo fino trato com os colegas da C\u00e2mara e do Senado.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temer n\u00e3o se encontrou apenas com os oito listados acima, mas tamb\u00e9m dedicou 30 minutinhos aos deputados Ronaldo Fonseca, daqui do Distrito Federal \u2014 o primeiro a ser recebido, \u00e0s 8h \u2014; Lelo Coimbra; Jos\u00e9 Priante; Anibal Gomes; Alfredo Kaefer; \u00c1tila Lins; Darc\u00edsio Perondi e Sinval Malheiros. Tamb\u00e9m foram at\u00e9 o Planalto os senadores Wilder Morais, Ata\u00eddes Oliveira, Telm\u00e1rio Mota, Roberto Rocha, Pedro Chaves e Jos\u00e9 Maranh\u00e3o. N\u00e3o foi s\u00f3. O presidente esteve com o ministro da Sa\u00fade, Ricardo Barros, e com o chefe do PR, Valdemar Costa Neto \u2014 este \u00faltimo cidad\u00e3o, fora da agenda. A lista infind\u00e1vel \u2014 pode ter chegado a 30 \u2014 mostra como governistas est\u00e3o tensos quando o assunto \u00e9 a an\u00e1lise da den\u00fancia de corrup\u00e7\u00e3o passiva contra Temer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jogo poss\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Planalto deseja o apoio de pelo menos 40 dos 66 integrantes da Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ). Mas, hoje, pode n\u00e3o chegar nem mesmo \u00e0 metade dos votos. Por isso, os convites desenfreados aos pol\u00edticos. H\u00e1 tr\u00eas hip\u00f3teses a serem consideradas a partir das agendas p\u00fablica e secreta do presidente. A primeira delas \u00e9 mais otimista. O governo, atento \u00e0s dificuldades impostas pela crise pol\u00edtica, joga o jogo poss\u00edvel na tentativa de se manter no poder. N\u00e3o h\u00e1 nada de ileg\u00edtimo em receber parlamentares no pal\u00e1cio, afinal, fazer pol\u00edtica \u00e9 uma das fun\u00e7\u00f5es presidenciais. Imbu\u00eddos do mais puro sentimento de permanecerem dirigindo o pa\u00eds, os peemedebistas tentam conquistar apoios suficientes para continuar no comando do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A segunda hip\u00f3tese \u00e9 a de que o Planalto tem perdido tempo tratando da crise, a ponto de gastar um dia inteiro para receber parlamentares. A aten\u00e7\u00e3o dada ao baixo clero apenas refor\u00e7a a paralisia do governo para tratar de outros temas que n\u00e3o seja a den\u00fancia de Rodrigo Janot com base na dela\u00e7\u00e3o de Joesley Batista, dono da JBS. S\u00f3 para ilustrar, estamos, at\u00e9 o momento, sem ministros da Cultura e da Transpar\u00eancia, o que revela a dificuldade do Planalto em focar em temas prosaicos, como escolher titulares para pastas. Sim, \u00e9 poss\u00edvel dizer que o mesmo ocorreu com Dilma Rousseff e que, no caso dela, houve uma incompet\u00eancia dupla no per\u00edodo antes da queda: perdeu tempo encalacrada com a crise de ent\u00e3o e n\u00e3o conseguiu sobreviver. A incapacidade da petista, que jogou o mesmo jogo, \u00e9 um fato \u2014 por mais que nunca venha a admitir tal coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Toma-l\u00e1-d\u00e1-c\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A terceira e \u00faltima hip\u00f3tese foi apresentada pelo <strong>Correio<\/strong> na reportagem \u201cCargos e emendas para satisfazer a base\u201d, de Paulo de Tarso Lyra e Renato Souza. Publicada na segunda-feira, 3, a reportagem revelava como o governo abriria os cofres e distribuiria cargos. Logo na largada, duas dificuldades. Em fevereiro, o Planalto havia chancelado o contingenciamento de R$ 40 bilh\u00f5es no Or\u00e7amento, a\u00ed inclu\u00eddas as emendas parlamentares, e loteado, entre a base aliada, os principais cargos de segundo e terceiro escal\u00f5es na tentativa de aprovar as reformas trabalhista e previdenci\u00e1ria. Assim, a gin\u00e1stica do Planalto para convencer os deputados e senadores a salvarem o governo n\u00e3o foi das mais f\u00e1ceis ontem, numa agenda que come\u00e7ou \u00e0s 8h e s\u00f3 terminou \u00e0s 22h.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E aqui chegamos a um impasse principal. Se nas negocia\u00e7\u00f5es das reformas para o bem da sa\u00fade do pa\u00eds, j\u00e1 \u00e9 question\u00e1vel o toma-l\u00e1-d\u00e1-c\u00e1 com os parlamentares, imagine quando o expediente \u00e9 usado na sobreviv\u00eancia pol\u00edtica. E vale repetir a an\u00e1lise de Gil Castelo Branco, presidente da ONG Contas Abertas: \u201cO grande problema \u00e9 que esses recursos n\u00e3o s\u00e3o do governo, s\u00e3o nossos, o que pode jogar por terra o ajuste fiscal\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 13h01min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LEONARDO CAVALCANTI Christiane Yared, Bruna Furlan, Goulart, Peninha, Luiz Lauro Filho, Wilson Filho, Roberto de Lucena e Evandro Gussi. Mesmo um leitor mais atento aos movimentos pol\u00edticos pode n\u00e3o ser capaz de reconhecer os nomes dos deputados federais recebidos ao longo do dia de ontem por Michel Temer. 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