{"id":5183,"date":"2017-06-28T06:14:47","date_gmt":"2017-06-28T09:14:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5183"},"modified":"2017-06-28T11:22:37","modified_gmt":"2017-06-28T14:22:37","slug":"coluna-no-correio-as-contas-publicas-vao-de-mal-pior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-as-contas-publicas-vao-de-mal-pior\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: As contas p\u00fablicas v\u00e3o de mal a pior"},"content":{"rendered":"<h2>ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>A profunda crise fiscal do pa\u00eds, classificada pelo ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, como \u201cgrav\u00edssima\u201d, parece n\u00e3o ter fim. A ela se soma a instabilidade pol\u00edtica, que paralisou o Congresso Nacional. O presidente Michel Temer passou a concentrar todos os esfor\u00e7os em permanecer no terceiro andar do Pal\u00e1cio do Planalto at\u00e9 31 de dezembro de 2018, ap\u00f3s o procurador-geral da Rep\u00fablica, Rodrigo Janot, denunci\u00e1-lo ao Supremo Tribunal Federal (STF) por corrup\u00e7\u00e3o passiva no caso JBS. Com isso, as reformas ficar\u00e3o paralisadas e o mercado caiu na real. Os principais bancos do pa\u00eds j\u00e1 acreditam que o Executivo n\u00e3o cumprir\u00e1 a meta de limitar o deficit a R$ 139,1 bilh\u00f5es neste ano, apesar do aumento de impostos, como a Cide, que incide sobre a gasolina.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo as institui\u00e7\u00f5es financeiras que mantinham otimismo com o processo de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica tiveram de se adequar \u00e0 realidade, diante do aumento do ru\u00eddo pol\u00edtico. Nas contas do chefe de Economia e Estrat\u00e9gia do Bank of America Merrill Lynch no Brasil, David Beker, o pa\u00eds registrar\u00e1 um rombo fiscal R$ 165 bilh\u00f5es em 2017, equivalente a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Caso a estimativa se confirme, ser\u00e1 o pior resultado da hist\u00f3ria. Antes, ele estimava que o deficit chegaria a R$ 139 bilh\u00f5es. A redu\u00e7\u00e3o na expectativa para o crescimento deste ano, que passou de 1% para 0,25%, \u00e9 a principal justificativa para a piora das proje\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A din\u00e2mica fiscal, explica Beker, continua a ser desafiadora a curto prazo, e as perspectivas de crescimento mais fracas para os pr\u00f3ximos dois anos reduzir\u00e3o ainda mais as receitas. Ele ressalta que o governo tem trabalhado para conter o crescimento dos gastos, mas, como as despesas obrigat\u00f3rias representam aproximadamente 80% das totais, h\u00e1 pouco espa\u00e7o para cortes. \u201cSe a atividade for mais fraca do que o esperado, os deficits prim\u00e1rios provavelmente aumentar\u00e3o\u201d, resume.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para 2018, a previs\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 dram\u00e1tica quando se olha o tamanho do deficit em rela\u00e7\u00e3o ao PIB. Nas contas do economista do Bank of America Merrill Lynch, o rombo equivaler\u00e1 a 2% de todas as riquezas produzidas pelo pa\u00eds. J\u00e1 a estimativa de expans\u00e3o da atividade encolheu de 3% para 1,5%. Com isso, a necessidade de financiamento do setor p\u00fablico passar\u00e1 de R$ 95 bilh\u00f5es para R$ 135 bilh\u00f5es. Beker avalia que a \u00fanica maneira de garantir o cumprimento das metas fiscais seria confiar na arrecada\u00e7\u00e3o de receitas n\u00e3o-recorrentes. As revis\u00f5es levaram a institui\u00e7\u00e3o financeira a estimar que d\u00edvida bruta corresponder\u00e1 a 82% do PIB em 2018.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A piora das proje\u00e7\u00f5es, detalha o economista, leva em conta o fato de a recente turbul\u00eancia pol\u00edtica ter aumentado o atraso na aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia, considerada por ele um dos principais pilares que sustentariam a retomada da atividade. \u201cQualquer atraso, provavelmente, afetar\u00e1 indicadores de confian\u00e7a e enfraquecer\u00e1 a j\u00e1 fr\u00e1gil recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Juros menores<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante do processo ainda mais lento de recupera\u00e7\u00e3o da economia \u2014 no mercado alguns analistas j\u00e1 apostam em recess\u00e3o pelo terceiro ano seguido \u2014 Beker avalia que o Banco Central ter\u00e1 ainda mais espa\u00e7o para reduzir a taxa b\u00e1sica de juros (Selic). Isso porque o cen\u00e1rio de infla\u00e7\u00e3o a curto prazo continua a ser benigno e as expectativas continuam ancoradas, mesmo com o risco de deteriora\u00e7\u00e3o fiscal. Nas contas dele, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) registrar\u00e1 alta de 3,5% em 2017 e de 3,9% em 2018. Antes, ele estimava eleva\u00e7\u00e3o de 4,4% no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com isso, a autoridade monet\u00e1ria ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de antecipar o ciclo de flexibiliza\u00e7\u00e3o dos juros para 8,25% ainda em 2017. No cen\u00e1rio anterior isso s\u00f3 ocorreria no pr\u00f3ximo ano. Os atrasos na aprova\u00e7\u00e3o da reforma limitam o decl\u00ednio nas taxas neutras e o ciclo de flexibiliza\u00e7\u00e3o. No entanto, a curto prazo, a infla\u00e7\u00e3o continua a surpreender, as expectativas permanecem ancoradas apesar do risco de deteriora\u00e7\u00e3o fiscal e as menores expectativas de crescimento do PIB implicam um hiato negativo do produto que leva mais tempo para fechar\u201d, completa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h14min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO A profunda crise fiscal do pa\u00eds, classificada pelo ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, como \u201cgrav\u00edssima\u201d, parece n\u00e3o ter fim. A ela se soma a instabilidade pol\u00edtica, que paralisou o Congresso Nacional. 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