{"id":5139,"date":"2017-06-21T06:59:11","date_gmt":"2017-06-21T09:59:11","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5139"},"modified":"2017-06-21T13:05:18","modified_gmt":"2017-06-21T16:05:18","slug":"coluna-no-correio-o-inicio-do-fim-do-governo-temer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-o-inicio-do-fim-do-governo-temer\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: O in\u00edcio do fim do governo Temer"},"content":{"rendered":"<p>O presidente Michel Temer diz, de forma enf\u00e1tica, que conseguir\u00e1 aprovar a reforma trabalhista no plen\u00e1rio do Senado independentemente de, ontem, a Comiss\u00e3o de Assuntos Sociais (CAS) ter recusado, por 10 votos a nove, o projeto que muda as rela\u00e7\u00f5es entre patr\u00f5es e empregados. A veem\u00eancia de Temer confirma o baque que o governo sofreu ao ter seu projeto rejeitado de forma surpreendente num momento extremamente cr\u00edtico para o peemedebista. Ele sabe que o risco de a reforma naufragar cresceu \u2014 e muito. J\u00e1 n\u00e3o se tem mais a certeza de que, mesmo numa vota\u00e7\u00e3o de maioria simples, o Pal\u00e1cio do Planalto conseguir\u00e1 obter os votos necess\u00e1rios de uma base aliada totalmente fragilizada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A reforma trabalhista \u00e9 vista por empres\u00e1rios e investidores como principal term\u00f4metro para medir a real for\u00e7a que restou a Temer no Congresso depois das dela\u00e7\u00f5es dos irm\u00e3os Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS. Apesar de todo o estrago provocado pelos empres\u00e1rios, acreditava-se (ou se tentava acreditar) que o governo ainda contava com apoio suficiente de parlamentares para ao menos aprovar a reforma trabalhista. Agora, contudo, j\u00e1 n\u00e3o se tem mais essa garantia. O n\u00edvel de incerteza se elevou a tal grau que pode abortar de vez a retomada do crescimento econ\u00f4mico. Entrou-se em uma zona cinzenta, na qual os indicadores de confian\u00e7a tendem a despencar, restringindo o consumo e afastando de vez os investimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tens\u00e3o no governo depois da derrota na CAS foi t\u00e3o grande que a equipe econ\u00f4mica fez uma for\u00e7a-tarefa para tentar acalmar os investidores. O argumento usado foi o de que o atropelo de ontem em nada muda a tramita\u00e7\u00e3o no Senado, com fortes chances de vit\u00f3ria no plen\u00e1rio. Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, os agentes econ\u00f4micos devem se apegar ao bom momento vivido pela economia, que voltou a criar empregos em maio e, no acumulado do ano, j\u00e1 acumula saldo positivo de 48.543 postos. Normalmente, o mercado de trabalho \u00e9 a \u00faltima vari\u00e1vel a reagir em per\u00edodos de recupera\u00e7\u00e3o da atividade. No entanto, mesmo com toda a crise pol\u00edtica, o emprego est\u00e1 dando sinais positivos antes do esperado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sinais divergentes<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas conversas com investidores, t\u00e9cnicos do governo asseguram que n\u00e3o h\u00e1, pelo menos por enquanto, qualquer motivo para p\u00e2nico. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 por que refazer as proje\u00e7\u00f5es para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, cuja proje\u00e7\u00e3o de crescimento se mant\u00e9m em 0,5%. A equipe econ\u00f4mica assegura ter indicadores suficientes para sustentar o discurso de que o segundo trimestre do ano ser\u00e1 positivo, independentemente de toda a paralisia que a crise pol\u00edtica pode ter provocado a partir de 17 de maio, quando estourou a dela\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os Batista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO impacto da infla\u00e7\u00e3o em queda e da redu\u00e7\u00e3o dos juros ser\u00e1 maior do que o previsto. Isso torna um exagero falar em queda do PIB no segundo trimestre\u201d, ressalta um dos t\u00e9cnicos. Ele assegura que, mesmo fr\u00e1gil, a economia est\u00e1 blindada ante os atropelos que possam vir da pol\u00edtica. \u201cH\u00e1, sim, sinais divergentes na economia, como a queda da arrecada\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o de empregos. Mas o importante \u00e9 que, no encontro de contas, o saldo est\u00e1 positivo\u201d, acrescenta. A ordem entre os t\u00e9cnicos \u00e9 refor\u00e7ar o otimismo e assegurar que o governo n\u00e3o trabalha com qualquer possibilidade de derrota na reforma trabalhista. \u201cVamos vencer com folga no plen\u00e1rio do Senado\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A equipe econ\u00f4mica est\u00e1 orientada, inclusive, a sustentar a vis\u00e3o de que, t\u00e3o logo o presidente Michel Temer sancione as mudan\u00e7as na lei trabalhista, ser\u00e1 poss\u00edvel encaminhar no Congresso a reforma da Previd\u00eancia Social. \u201cN\u00e3o se trata de uma agenda de governo, mas de Estado\u201d, assinala outro t\u00e9cnico. Isso, no entender dele, gabarita o governo a levar adiante a proposta que altera as regras de aposentadorias, que, a m\u00e9dio e a longo prazos, ter\u00e3o impacto positivo nas contas p\u00fablicas, permitindo que os futuros administradores do pa\u00eds possam executar pol\u00edticas voltadas para o crescimento econ\u00f4mico e o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o. \u201cNosso compromisso com as reformas est\u00e1 mantido, a despeito da encrenca pol\u00edtica\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rea\u00e7\u00e3o r\u00e1pida<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Rafael Cardoso, economista-chefe da Daycoval Investimentos, a princ\u00edpio, a derrota do governo na Comiss\u00e3o de Assuntos Sociais (CAS) n\u00e3o inviabiliza a aprova\u00e7\u00e3o da reforma trabalhista no plen\u00e1rio do Senado. Ele avalia que a rea\u00e7\u00e3o negativa do mercado \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o do projeto foi amena \u2014 a bolsa caiu e o d\u00f3lar e os juros subiram \u2014, ou seja, n\u00e3o refletiu um sentimento de que as mudan\u00e7as previstas na lei trabalhista est\u00e3o enterradas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agora, \u00e9 importante que o governo mostre uma rea\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, com os partidos da base aliada explicitando, com votos declarados, o aval \u00e0 reforma. Uma coisa \u00e9 o Planalto dizer que tem apoio suficiente para aprovar as altera\u00e7\u00f5es na lei trabalhista, outra \u00e9 o Congresso mostrar, em n\u00fameros, que est\u00e1 do lado do governo. A reforma, diz Cardoso, \u00e9 important\u00edssima para aumentar a produtividade da economia. Da forma como a legisla\u00e7\u00e3o est\u00e1 hoje, h\u00e1 travas demais para o crescimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cAs reformas, por\u00e9m, s\u00e3o apenas uma das pernas para a reativa\u00e7\u00e3o da economia. H\u00e1 a quest\u00e3o dos investimentos, que passam por um programa efetivo de infraestrutura, o que n\u00e3o se v\u00ea atualmente\u201d, destaca Cardoso. N\u00e3o por acaso, ele prev\u00ea queda de 0,5% do PIB no segundo trimestre deste ano e avan\u00e7o de apenas 0,2% ao longo de 2017. E mais: o economista ressalta que, se h\u00e1, hoje, um vi\u00e9s para a atividade, \u00e9 para pior. N\u00e3o para melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h59min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente Michel Temer diz, de forma enf\u00e1tica, que conseguir\u00e1 aprovar a reforma trabalhista no plen\u00e1rio do Senado independentemente de, ontem, a Comiss\u00e3o de Assuntos Sociais (CAS) ter recusado, por 10 votos a nove, o projeto que muda as rela\u00e7\u00f5es entre patr\u00f5es e empregados. 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