{"id":5130,"date":"2017-06-20T06:09:59","date_gmt":"2017-06-20T09:09:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5130"},"modified":"2017-06-20T11:44:05","modified_gmt":"2017-06-20T14:44:05","slug":"coluna-no-correio-o-brasil-em-deflacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-o-brasil-em-deflacao\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: O Brasil em defla\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2>O Brasil vai registrar defla\u00e7\u00e3o em junho e o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) tamb\u00e9m pode ser negativo em julho. A fragilidade da economia \u00e9 tamanha que quase todos os grupos de pre\u00e7os pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) est\u00e3o em queda. O monitor di\u00e1rio dos pre\u00e7os da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) aponta para defla\u00e7\u00e3o de 0,24% neste m\u00eas. As cinco institui\u00e7\u00f5es que mais acertam as pesquisas semanais realizadas pelo Banco Central, os Top Five, projetam defla\u00e7\u00e3o de 0,16% em junho. A m\u00e9dia do mercado aposta em recuo de 0,07% do IPCA.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante desses n\u00fameros, mesmo com toda a grav\u00edssima crise pol\u00edtica vivida pelo pa\u00eds, n\u00e3o restar\u00e1 alternativa ao Banco Central a n\u00e3o ser a de manter o corte da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em um ponto percentual. O discurso conservador do presidente da institui\u00e7\u00e3o, Ilan Goldfajn, ser\u00e1 desmontado pelos fatos. N\u00e3o haver\u00e1 justificativa para o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) reduzir o ritmo de baixa da Selic com o Brasil convivendo com defla\u00e7\u00e3o decorrente da fraca atividade. Se h\u00e1 alguma press\u00e3o sobre a infla\u00e7\u00e3o neste momento \u00e9 para baixo. A Selic deve baixar de 10,25% para 9,25% ao ano em julho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os dos alimentos est\u00e3o supercomportados em fun\u00e7\u00e3o do fraco consumo e da desvaloriza\u00e7\u00e3o das principais commodities \u2014 mercadorias com cota\u00e7\u00e3o internacional. O grupo alimenta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 afetado favoravelmente, nas pr\u00f3ximas semanas, pela forte queda da arroba de boi (15 quilos) \u2014 cotada, ontem, a R$ 123 \u2014, o que levar\u00e1 junto toda a cadeia da carne, com peso importante no IPCA. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3. Com os brasileiros sem dinheiro, os pre\u00e7os dos servi\u00e7os, altamente resilientes, despencaram, girando, atualmente, entre 3,5% e 4% ao ano, algo sem precedentes em pelo menos uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m os pre\u00e7os da energia el\u00e9trica e dos combust\u00edveis est\u00e3o em baixa, com repercuss\u00e3o em quase todos os produtos e servi\u00e7os pesquisados pelo IBGE. Quando se olha para os \u00cdndices Gerais de Pre\u00e7os (IGPs), que medem o custo de vida no atacado, entre produtores e empresas, todos est\u00e3o negativos h\u00e1 quase tr\u00eas meses, afastando qualquer possibilidade de repasses aos consumidores. Sendo assim, diz o especialista em infla\u00e7\u00e3o Carlos Thadeu Filho, da consultoria Macroagro, o IPCA deste ano ficar\u00e1 em 3,5% ou abaixo disso, distante, portanto, do centro da meta perseguida pelo BC, de 4,5%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Crise pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo indica que o segundo semestre ser\u00e1 extremamente positivo para a infla\u00e7\u00e3o, independentemente do desenrolar da crise pol\u00edtica e da aprova\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o das reformas trabalhista e da Previd\u00eancia Social. Poder\u00e1 haver instabilidade nos pre\u00e7os dos ativos financeiros, mas n\u00e3o ter\u00e1 demanda para mudar a rota do IPCA. A economia est\u00e1 no limbo. Pelas proje\u00e7\u00f5es de Thadeu Filho, supondo que, a partir de 2018, o Brasil cres\u00e7a, em m\u00e9dia, 3% ao ano, somente a partir de 2021 ou de 2022, a atividade ter\u00e1 musculatura para pressionar a infla\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse per\u00edodo que o pa\u00eds atingir\u00e1, novamente, o seu Produto Interno Bruto (PIB) potencial, isso \u00e9, quanto a economia pode crescer sem detonar um movimento generalizado de reajustes de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o ser\u00e1 favorecida, de um lado, pelas fragilidades dom\u00e9sticas, de outro, pelos ventos vindos de fora. As commodities continuar\u00e3o em baixa. Os Estados Unidos dever\u00e3o interromper o movimento de alta dos juros. Na Europa, foi afastado o risco de radicalismo com a elei\u00e7\u00e3o de Emmanuel Macron para a presid\u00eancia da Fran\u00e7a, e os especialistas n\u00e3o descartam novas medidas de est\u00edmulos \u00e0 economia. J\u00e1 a China parou de piorar. Nesse contexto, os investidores estrangeiros manter\u00e3o o apetite pelo risco, o que favorece, e muito, pa\u00edses emergentes como o Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio conservador de Ilan Goldfajn, os juros de equil\u00edbrio hoje no Brasil seriam de 8,5%. Esse \u00e9 o n\u00edvel para o qual o BC acredita que pode levar a Selic sem assanhar a infla\u00e7\u00e3o. Mas boa parte do mercado aposta que a autoridade monet\u00e1ria ser\u00e1 empurrada pelos fatos e romper\u00e1 esse piso, com a taxa b\u00e1sica caindo abaixo de 8%. Para os analistas, \u00e9 compreens\u00edvel que o presidente do Banco Central adote um discurso cheio de ressalvas. Contudo, a institui\u00e7\u00e3o far\u00e1 o que tem que ser feito: livrar o pa\u00eds de uma anomalia que sufoca a atividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h09min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil vai registrar defla\u00e7\u00e3o em junho e o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) tamb\u00e9m pode ser negativo em julho. A fragilidade da economia \u00e9 tamanha que quase todos os grupos de pre\u00e7os pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) est\u00e3o em queda. 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