{"id":5030,"date":"2017-06-03T08:51:21","date_gmt":"2017-06-03T11:51:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5030"},"modified":"2017-06-03T15:09:40","modified_gmt":"2017-06-03T18:09:40","slug":"crise-politica-pode-tirar-ate-um-ponto-do-pib-em-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/crise-politica-pode-tirar-ate-um-ponto-do-pib-em-2018\/","title":{"rendered":"Crise pol\u00edtica pode tirar at\u00e9 um ponto do PIB em 2018"},"content":{"rendered":"<h2>A crise pol\u00edtica, que ganha um cap\u00edtulo ainda mais emocionante com a pris\u00e3o de Rodrigo Rocha Loures, vai custar caro ao pa\u00eds. Quanto mais tempo ela se arrastar, pior ser\u00e1 o impacto na economia. Pelas contas da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), o maior efeito das turbul\u00eancias ser\u00e1 sentido em 2018, ano eleitoral, e n\u00e3o em 2017. Acredita-se que as incertezas em rela\u00e7\u00e3o ao futuro do governo e da aprova\u00e7\u00e3o das reformas trabalhista e da Previd\u00eancia Social possam tirar entre 0,4 e um ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem. Com isso, em vez de crescer 2,4%, o pa\u00eds avan\u00e7aria apenas 1,4%. Para este ano, a FGV reduziu a estimativa de crescimento de 0,4% para 0,2%.<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>Tais proje\u00e7\u00f5es enterram qualquer vis\u00e3o de euforia para a economia. O horizonte que havia se aberto at\u00e9 17 de maio, quando o pa\u00eds tomou conhecimento de um encontro nada republicano entre o presidente Michel Temer e o empres\u00e1rio Joesley Batista, do grupo JBS, voltou a ficar turvo. Ningu\u00e9m consegue dizer hoje, com clareza, qual ser\u00e1 o destino de Temer, quem ir\u00e1 substitu\u00ed-lo em caso de ele deixar o posto, nem quem comandar\u00e1 o pa\u00eds a partir de 2019. Nesse ambiente t\u00e3o conturbado, a tend\u00eancia \u00e9 a economia ficar a reboque de not\u00edcias que s\u00f3 favorecem os especuladores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A confus\u00e3o \u00e9 tanta que ningu\u00e9m descarta a possibilidade de o Brasil ter, em 2017, o terceiro ano de queda do PIB. Ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas Gomes diz que as duas principais alavancas da atividade, o consumo e os investimentos, est\u00e3o travadas. O quadro se agravou com a decis\u00e3o do Banco Central de p\u00f4r um freio no crescimento, ao informar que reduzir\u00e1 o ritmo de corte da taxa b\u00e1sica de juros (Selic). \u201cTudo indica que o PIB voltar\u00e1 a ficar negativo no segundo trimestre do ano\u201d, afirma. Nem mesmo o bom resultado da ind\u00fastria (alta de 0,6%) em abril ser\u00e1 suficiente para evitar isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Predomin\u00e2ncia previdenci\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Thadeu ressalta que o Brasil est\u00e1 entrando em um terreno muito perigoso por causa da crise pol\u00edtica e da falta de dire\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2018. Se, at\u00e9 o ano passado, havia o risco de o pa\u00eds mergulhar no que os especialistas chamam de domin\u00e2ncia fiscal (quando a pol\u00edtica de juros perde efici\u00eancia por causa dos rombos crescentes nas contas p\u00fablicas), agora, pode se deparar com a \u201cpredomin\u00e2ncia previdenci\u00e1ria\u201d. Sem a reforma do sistema de aposentadorias, os deficits crescer\u00e3o de uma forma t\u00e3o r\u00e1pida que n\u00e3o haver\u00e1 espa\u00e7o no Or\u00e7amento da Uni\u00e3o para pagar as demais despesas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSem a reforma, os gastos com a Previd\u00eancia v\u00e3o inviabilizar o teto dos gastos j\u00e1 em 2019\u201d, acredita Thadeu, hoje economista-chefe da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC). \u201cPor isso, n\u00e3o h\u00e1 alternativa \u00e0 reforma previdenci\u00e1ria\u201d, assinala. Ele assegura que, assim como na domin\u00e2ncia fiscal, tanto far\u00e1 se o BC aumentar ou reduzir os juros. \u201cSer\u00e1 um quadro devastador para a economia\u201d, enfatiza. \u00c9 por isso, no entender dele, que o pa\u00eds mergulhou num clima de suspense. N\u00e3o se sabe mais se o atual governo conseguir\u00e1 aprovar as reformas nem se os governantes futuros o far\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tanto o Pal\u00e1cio do Planalto quanto a equipe econ\u00f4mica est\u00e3o cientes dessas d\u00favidas. N\u00e3o \u00e0 toa, definiram uma agenda pesada para os pr\u00f3ximos dias a fim de convencer o Congresso a fazer andar as reformas e de resgatar a confian\u00e7a do empresariado. \u201cO crescimento do PIB de 1% no primeiro trimestre nos abriu uma janela de oportunidade. Mas sabemos que ela \u00e9 estreita. Se n\u00e3o conseguirmos virar o jogo agora, mostrando que o governo ainda tem rumo, ser\u00e1 terra arrasada\u201d, afirma um dos mais conceituados t\u00e9cnicos da \u00e1rea econ\u00f4mica. Que completa: \u201cTemos uma miss\u00e3o muito dif\u00edcil, mas n\u00e3o imposs\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 08h51min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise pol\u00edtica, que ganha um cap\u00edtulo ainda mais emocionante com a pris\u00e3o de Rodrigo Rocha Loures, vai custar caro ao pa\u00eds. Quanto mais tempo ela se arrastar, pior ser\u00e1 o impacto na economia. 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