{"id":5014,"date":"2017-06-02T06:03:53","date_gmt":"2017-06-02T09:03:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=5014"},"modified":"2017-06-06T17:34:40","modified_gmt":"2017-06-06T20:34:40","slug":"coluna-no-correio-vamos-aos-fatos-sobre-o-pib","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/coluna-no-correio-vamos-aos-fatos-sobre-o-pib\/","title":{"rendered":"Coluna no Correio: Vamos aos fatos sobre o PIB"},"content":{"rendered":"<p>Sim, o Brasil voltou a crescer depois de dois longos anos de recess\u00e3o, mas n\u00e3o h\u00e1 motivo para euforia. Ainda h\u00e1 um longo caminho a ser perseguido e a trajet\u00f3ria passa, sobretudo, pela pol\u00edtica. N\u00e3o h\u00e1 como se falar em crescimento sustentado do Produto Interno Bruto (PIB) num quadro de tamanha incerteza. Independentemente de quem estiver governando o pa\u00eds nos pr\u00f3ximos meses, o Congresso precisa exercer plenamente o seu papel e aprovar as reformas trabalhista e da Previd\u00eancia Social. Se n\u00e3o fizer isso, sentenciar\u00e1 a economia ao terceiro ano seguido de recess\u00e3o, com queda de at\u00e9 2% do PIB. Um desastre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro resultado positivo do PIB \u2014 alta de 1% entre janeiro e mar\u00e7o ante os \u00faltimos tr\u00eas meses de 2016 \u2014 veio em boa hora. Confirma que uma pol\u00edtica econ\u00f4mica respons\u00e1vel \u00e9 fundamental para o bom funcionamento do pa\u00eds. Desde o in\u00edcio do ano, pode-se observar uma maior confian\u00e7a de empres\u00e1rios e consumidores. N\u00e3o sem raz\u00e3o. A infla\u00e7\u00e3o cedeu com for\u00e7a e, hoje, est\u00e1 girando entre 3% e 4%, um feito se levarmos em conta que, em 2015, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) encostou nos 11%, com fortes sinais de descontrole.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse al\u00edvio no custo de vida permitiu que o Banco Central pudesse acelerar o corte na taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 10,25% ao ano. Como consequ\u00eancia, houve uma ligeira melhora no mercado de trabalho e um pequeno aumento da renda. O cr\u00e9dito \u00e0s pessoas f\u00edsicas come\u00e7ou a destravar, com um \u00edndice de inadimpl\u00eancia totalmente sob controle. No caso das empresas, a situa\u00e7\u00e3o continua grave, devido ao elevado n\u00edvel de endividamento. Mesmo assim, algumas companhias explicitam a inten\u00e7\u00e3o de retirarem das gavetas planos de investimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo isso, por\u00e9m, est\u00e1 longe de indicar que o Brasil saiu, definitivamente, da maior recess\u00e3o da hist\u00f3ria. O dado mais relevante disso \u00e9 o ex\u00e9rcito de 14 milh\u00f5es de desempregados. Tecnicamente, \u00e9 preciso que o PIB registre pelo menos mais um trimestre de crescimento. E n\u00e3o se pode garantir que o per\u00edodo compreendido entre abril e junho ser\u00e1 positivo. H\u00e1 o temor de que a crise pol\u00edtica detonada pelas dela\u00e7\u00f5es dos irm\u00e3os Joesley e Wesley Batista acabe inviabilizando a aprova\u00e7\u00e3o das reformas e, por tabela, aborte a retomada do crescimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Filme de terror<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Economistas que monitoram o dia a dia da atividade acreditam que o impacto mais pesado da crise pol\u00edtica s\u00f3 ser\u00e1 sentido no terceiro trimestre. No entender deles, o baque das dela\u00e7\u00f5es do grupo JBS parou parte dos neg\u00f3cios, mas ser\u00e1 o prolongamento das incertezas o fator determinante para definir em que dire\u00e7\u00e3o o pa\u00eds seguir\u00e1. \u201cH\u00e1 bons indicadores espalhados pela economia, mas \u00e9 preciso ver o desenrolar da crise pol\u00edtica\u201d, diz o economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 outra vari\u00e1vel importante: a taxa de juros. Se, mesmo cauteloso, o Banco Central continuar cortando a Selic, n\u00e3o haver\u00e1 grande estresse entre os empres\u00e1rios. Contudo, uma interrup\u00e7\u00e3o do movimento iniciado em outubro do ano passado gerar\u00e1 p\u00e2nico entre os agentes econ\u00f4micos. No governo, ningu\u00e9m trabalha com a possibilidade de o BC partir para uma medida t\u00e3o extrema, porque a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 totalmente sob controle.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA diretoria do Banco Central tem sido muito sensata, a despeito de, em alguns momentos, agir com excesso de conservadorismo. Mas, se a institui\u00e7\u00e3o decidir seguir por um caminho menos favor\u00e1vel \u00e0 retomada da economia, com certeza, algo mudar\u00e1 no comando dela\u201d, adverte um dos ministros mais importantes do governo, que ainda n\u00e3o engoliu o comunicado p\u00f3s-reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), informando que, daqui por diante, os juros cair\u00e3o mais devagar. \u201cFoi excessivo\u201d, complementa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o ministro, o mais importante, agora, \u00e9 que o governo consiga usar os n\u00fameros positivos da economia a seu favor a fim de fazer andarem as reformas. O discurso, segundo ele, tem de ser contundente: se o Congresso n\u00e3o der os votos necess\u00e1rios \u00e0s reformas trabalhista e da Previd\u00eancia, ser\u00e1 respons\u00e1vel por empurrar o Brasil novamente para a recess\u00e3o. \u201cH\u00e1 proje\u00e7\u00f5es indicando que, com uma nova queda do PIB, pelo menos mais 2 milh\u00f5es de trabalhadores v\u00e3o para a fila do desemprego. Creio que ningu\u00e9m quer ver esse filme de terror\u201d, assinala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bem-estar<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ordem de Temer \u00e9 para que a equipe econ\u00f4mica use todos os n\u00fameros positivos de que disp\u00f5e para martelar entre os formadores de opini\u00e3o que o pa\u00eds est\u00e1 no rumo certo e que a crise pol\u00edtica n\u00e3o pode atrapalhar o crescimento. Um dos t\u00e9cnicos mais conceituados da Esplanada ressalta que, com a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar voltando, por conta da queda da infla\u00e7\u00e3o e do aumento da renda, as press\u00f5es nas ruas v\u00e3o diminuir. E isso ser\u00e1 determinante para que o governo recupere votos a favor da reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA crise pol\u00edtica \u00e9 grave, \u00e9 dif\u00edcil prever o que vai acontecer, mas n\u00e3o estamos vendo as ruas clamando pela mudan\u00e7a de governo, como se viu com Dilma Rousseff\u201d, afirma o t\u00e9cnico da equipe econ\u00f4mica. Ele diz que, no governo da petista, a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica estava se deteriorando numa velocidade muito r\u00e1pida. Agora, os indicadores est\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o oposta, mostrando que o pa\u00eds come\u00e7a a sair do atoleiro. \u201cCom a economia em melhores condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 dif\u00edcil ver mobiliza\u00e7\u00e3o popular para derrubar governos. N\u00e3o estou dizendo que n\u00e3o pode acontecer, mas sempre \u00e9 mais dif\u00edcil\u201d, assinala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que todos est\u00e3o torcendo no governo \u00e9 para que, depois do resultado do PIB do primeiro trimestre, os ventos comecem a soprar mais favoravelmente em dire\u00e7\u00e3o ao Pal\u00e1cio do Planalto. Esse desejo \u00e9 mais do que leg\u00edtimo. Mas \u00e9 preciso manter os p\u00e9s bem cravados no ch\u00e3o. O risco de uma bomba estourar em Bras\u00edlia \u00e9 enorme, sobretudo se o pedido de pris\u00e3o de Rodrigo Rocha Loures, feito pela Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica, for acatado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h03min<\/em><\/p>\n<p>***<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sim, o Brasil voltou a crescer depois de dois longos anos de recess\u00e3o, mas n\u00e3o h\u00e1 motivo para euforia. Ainda h\u00e1 um longo caminho a ser perseguido e a trajet\u00f3ria passa, sobretudo, pela pol\u00edtica. 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