{"id":4923,"date":"2017-05-26T06:30:54","date_gmt":"2017-05-26T09:30:54","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4923"},"modified":"2017-05-26T11:09:44","modified_gmt":"2017-05-26T14:09:44","slug":"comercio-teme-que-crise-politica-aborte-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/comercio-teme-que-crise-politica-aborte-crescimento\/","title":{"rendered":"Com\u00e9rcio teme que crise pol\u00edtica aborte crescimento"},"content":{"rendered":"<h2>At\u00e9 17 de maio, antes das dela\u00e7\u00f5es dos irm\u00e3os Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS, as perspectivas para os com\u00e9rcio eram bastante positivas. Depois de enfrentar tr\u00eas anos seguidos de retra\u00e7\u00e3o, o mais longo per\u00edodo da hist\u00f3ria, indicadores importantes mostravam que, enfim, o varejo come\u00e7ava a recuperar musculatura para sair do atoleiro. Na frieza dos n\u00fameros, eram vis\u00edveis os sinais de retomada da confian\u00e7a de empres\u00e1rios e de consumidores.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A perspectiva era t\u00e3o positiva que os lojistas come\u00e7aram a refor\u00e7ar os estoques, na expectativa de aumento das vendas, sobretudo no segundo semestre do ano. N\u00e3o por acaso, o \u00cdndice de Investimentos em Estoques, apurado pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio(CNC), avan\u00e7ou 2,8% em maio ante o mesmo per\u00edodo do ano passado. Foi a segunda alta anual consecutiva. Na compara\u00e7\u00e3o com abril, o aumento chegou a 1%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde 17 de maio, por\u00e9m, um clima de suspense pairou sobre o com\u00e9rcio. \u201cJ\u00e1 n\u00e3o temos hoje mais a certeza da recupera\u00e7\u00e3o. Dependendo da dura\u00e7\u00e3o da crise pol\u00edtica, a retomada da economia e das vendas do varejo, que estava contratada, ser\u00e1 adiada, e n\u00e3o se sabe por quanto tempo\u201d, diz a economista Izis Ferreira, da CNC. Ela afirma que o maior aumento na inten\u00e7\u00e3o de refor\u00e7ar as prateleiras estava no ramo de bens dur\u00e1veis, isto \u00e9, eletr\u00f4nicos, eletrodom\u00e9sticos e m\u00f3veis, com alta de 4,6% em maio frente ao m\u00eas anterior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Izis acredita que \u00e9 poss\u00edvel manter a recupera\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 preciso que o quadro pol\u00edtico fique mais claro, com a perman\u00eancia ou n\u00e3o de Michel Temer no poder. \u201cPrecisamos chegar a um denominador comum, isso exige um esfor\u00e7o generalizado\u201d, destaca. Para a economista, o pa\u00eds n\u00e3o pode perder o rumo. \u201cV\u00ednhamos caminhando bem. O \u00edndice que mede os investimentos em estoques do varejo cresceu por dois meses seguidos pela primeira vez desde o segundo semestre de 2014, quando a economia mergulhou na recess\u00e3o\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Juros e infla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos indicadores ser\u00e3o importantes para medir o real impacto das dela\u00e7\u00f5es dos irm\u00e3os Batista sobre o varejo. Na avalia\u00e7\u00e3o de Izis, h\u00e1 argumentos bons para manter o otimismo. Ainda que lentamente, o cr\u00e9dito est\u00e1 ficando mais barato, o que \u00e9 vital para o com\u00e9rcio. Pelos c\u00e1lculos do Banco Central, a taxa m\u00e9dia de juros cobrada dos consumidores recuou de 72,7%, em ma\u00e7o, para 68,1% ao ano, no m\u00eas seguinte. Essa queda est\u00e1 atrelada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica da economia (Selic), que vem cedendo desde outubro do ano passado. \u00c9 poss\u00edvel que, na pr\u00f3xima semana, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria volte a cortar a Selic entre um e 1,25 ponto percentual, dos atuais 11,25% para at\u00e9 10% ao ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, lembra a economista da CNC, a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 no menor n\u00edvel desde 2009, aliviando o or\u00e7amento das fam\u00edlias. Em 12 meses, at\u00e9 maio, o IPCA-15, pr\u00e9via da taxa oficial, cravou alta de 3,77%. O custo de vida menor acaba minimizando os estragos no mercado de trabalho. O Brasil registra 14,2 milh\u00f5es de desempregados. Se, nas contas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), forem inclu\u00eddos os subempregados, estamos falando de mais de 26 milh\u00f5es de pessoas incapacitadas para o consumo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do ponto de vista dos investimentos feitos pelos lojistas, os juros menores tamb\u00e9m t\u00eam papel preponderante: barateiam o financiamento de estoques. Por isso, mais comerciantes est\u00e3o refor\u00e7ando as prateleiras apostando, que mais \u00e0 frente, as vendas v\u00e3o aumentar. \u201c\u00c9 por isso que a crise pol\u00edtica n\u00e3o pode se prolongar\u201d, alerta Izis. O empresariado precisa continuar acreditando que o ciclo de recupera\u00e7\u00e3o da economia n\u00e3o ser\u00e1 abortado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A economista da CNC assinala ainda que, mesmo com toda a melhora dos \u00faltimos dois meses, os estoques do com\u00e9rcio est\u00e3o longe do ideal. Os lojistas sofreram demais com a recess\u00e3o. Com a brutal queda das vendas, tiveram um gasto pesado para financiar as mercadorias encalhadas. Por isso, o ajuste levou tempo. Felizmente, o pior ficou para tr\u00e1s. \u201cApesar da volta da incerteza, mantemos a previs\u00e3o de crescimento do varejo de 1,5% em 2017, depois de tr\u00eas anos seguidos de forte queda\u201d, diz. A torcida \u00e9 grande.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 17 de maio, antes das dela\u00e7\u00f5es dos irm\u00e3os Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS, as perspectivas para os com\u00e9rcio eram bastante positivas. Depois de enfrentar tr\u00eas anos seguidos de retra\u00e7\u00e3o, o mais longo per\u00edodo da hist\u00f3ria, indicadores importantes mostravam que, enfim, o varejo come\u00e7ava a recuperar musculatura para sair do atoleiro. 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