{"id":4839,"date":"2017-05-17T10:30:29","date_gmt":"2017-05-17T13:30:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4839"},"modified":"2017-05-17T17:50:45","modified_gmt":"2017-05-17T20:50:45","slug":"investimentos-terao-que-voltar-com-forca-para-sustentar-o-pib","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/investimentos-terao-que-voltar-com-forca-para-sustentar-o-pib\/","title":{"rendered":"Investimentos ter\u00e3o que voltar com for\u00e7a para sustentar o PIB"},"content":{"rendered":"<h2>ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>As reformas em debate no Congresso Nacional s\u00e3o essenciais para que o Brasil saia da beira do precip\u00edcio, mas os desafios para que o pa\u00eds volte a crescer e gerar empregos s\u00e3o enormes. Alterar as regras para concess\u00e3o de benef\u00edcios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com a imposi\u00e7\u00e3o de idade m\u00ednima para aposentadoria, al\u00e9m de modernizar as normas trabalhistas s\u00e3o apenas algumas das medidas necess\u00e1rias para que a economia saia do atoleiro e volte a atrair investidores.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando sindicatos, associa\u00e7\u00f5es de classe e figuras p\u00fablicas esperneiam contra as mudan\u00e7as, afirmando que os direitos dos trabalhadores ser\u00e3o extintos e reclamando da falta de emprego, omitem uma parte significativa do problema. Sem as reformas, a recupera\u00e7\u00e3o se dar\u00e1 a passos muitos lentos ou pode at\u00e9 n\u00e3o ocorrer. E os investimentos, essenciais para gera\u00e7\u00e3o de postos de trabalho, continuar\u00e3o minguando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o agravamento da crise fiscal, o setor p\u00fablico deixou de investir, restando ao setor privado ocupar essa lacuna. Entretanto, o desequil\u00edbrio nas contas p\u00fablicas se somou a um esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o que comprometeu o governo e afugentou investidores. Com isso, as taxas de investimento em rela\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB) n\u00e3o param de minguar. \u201cParadoxalmente, existe um forte vi\u00e9s anti-investimento privado em certos segmentos do setor p\u00fablico, uma manifesta\u00e7\u00e3o t\u00edpica do velho populismo latino-americano. As pessoas sabem que precisam, mas n\u00e3o gostam dele\u201d, alerta o economista Raul Velloso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro empecilho \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, diz Velloso, \u00e9 a estagna\u00e7\u00e3o da produtividade brasileira, explicada, em parte, pela retra\u00e7\u00e3o dos investimentos. Segundo ele, se o setor de infraestrutura puxasse o crescimento da economia, o cen\u00e1rio mudaria. Esses e outros temas ser\u00e3o debatidos no XXIX F\u00f3rum Nacional, presidido pelo especialista, que come\u00e7a amanh\u00e3. Na opini\u00e3o dele, o Executivo precisa mostrar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que as reformas s\u00e3o parte da solu\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Concess\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ele defende que o governo Michel Temer, em paralelo ao debate das reformas, tome medidas adicionais para retomada do investimento. Estender o prazo de contratos de concess\u00e3o antigos, nos quais h\u00e1 oportunidades, interesse dos administradores e recursos, seria uma solu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, alterar os contratos firmados a partir de 2013 \u00e9 essencial para que as empresas consigam executar as obras iniciadas. Velloso cita o caso da Via Dutra, no trecho da Serra das Araras, uma das primeiras concess\u00f5es desde 1995, na qual existe necessidade de investimentos estimados em R$ 3,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conforme ele, as obras seriam pagas sem aumento de ped\u00e1gio, sendo necess\u00e1rio apenas estender o prazo da concess\u00e3o. \u201cAutoridades governamentais abordadas sobre o assunto parecem dispostas a promover essa extens\u00e3o de prazo, mas, ao mesmo tempo, sinalizam temer a rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria da pr\u00f3pria m\u00e1quina, que \u00e9 basicamente a mesma da gest\u00e3o anterior. Ali, ainda prevalece a antiga filosofia dos governos do PT, que era orientada pela vis\u00e3o populista conhecida como \u2018modicidade tarif\u00e1ria\u2019\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No caso da readequa\u00e7\u00e3o dos contratos, o economista explica que a recess\u00e3o, a partir de 2014, inviabilizou os neg\u00f3cios. As receitas estimadas, por exemplo, s\u00e3o, pelo menos, 20% menores em v\u00e1rios casos. Ele destaca que o pre\u00e7o do asfalto, insumo mais importante em rodovias, fixado sob forte interfer\u00eancia do governo, praticamente dobrou ap\u00f3s a assinatura dos contratos. \u201cAs licen\u00e7as ambientais, outro item sob total controle das autoridades, n\u00e3o foram entregues nas datas estipuladas. E, finalmente, o financiamento subsidiado, basicamente a cargo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social) e previsto para cobrir 70% das necessidades, n\u00e3o aconteceu\u201d, cita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Esfor\u00e7os<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Velloso lembra que, por determina\u00e7\u00e3o do governo Dilma, havia uma promessa formal dos bancos federais de conceder esses empr\u00e9stimos, com o objetivo declarado de viabilizar ped\u00e1gios bem mais baixos do que seria o normal, dentro da pol\u00edtica da modicidade tarif\u00e1ria. Ele comenta que esses projetos necessitam de financiamento de longo prazo, mas o mercado de capitais brasileiro n\u00e3o tem tradi\u00e7\u00e3o em investir nesses empreendimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSinceramente, n\u00e3o vejo muita dificuldade. L\u00e1 fora, a liquidez mundial \u00e9 abundante, com prazos adequados, e o Brasil vem, h\u00e1 muitos anos, captando um montante bastante elevado de recursos externos sem maiores problemas. \u00c9 tudo uma quest\u00e3o de custo. Ou seja, financiamento mais caro implica ped\u00e1gios mais elevados. S\u00f3 que \u00e9 preciso reequilibrar os contratos nessa dire\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Velloso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do especialista, a posi\u00e7\u00e3o do governo tem sido contr\u00e1ria tanto em estender o prazo de concess\u00f5es antigas, como a Dutra, quanto\u00a0em reequilibrar os contratos da safra de 2013. Os quase R$ 20 bilh\u00f5es que seriam investidos num prazo relativamente curto, destaca o economista, foram para o espa\u00e7o. \u201cTemo, inclusive, que isso afugente novos investimentos em concess\u00f5es no Brasil, aumentando o risco desse tipo de empreendimento. Ou seja, tudo isso contribui para o apag\u00e3o do investimento\u201d, alardeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estudo do Banco do Brasil (BB) mostra que o pa\u00eds vai precisar de R$ 4,05 trilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos 15 anos para construir e modernizar rodovias, ferrovias, aeroportos, portos e redes de saneamento. A abertura desses canteiros de obras nos diversos estados teria o potencial de adicionar at\u00e9 2,6 pontos percentuais ao Produto Interno Bruto (PIB) de 2020, que teria uma expans\u00e3o de 5,3%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Urg\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para que isso ocorra, diz o levantamento do BB, o pa\u00eds teria de elevar os investimentos em infraestrutura, em propor\u00e7\u00e3o do PIB, para 4%. Atualmente, apenas 2% da gera\u00e7\u00e3o de riquezas s\u00e3o destinados para obras. Esse aumento adicionaria, pelo menos, R$ 141 bilh\u00f5es \u00e0 estimativa de gastos com infraestrutura para 2020, que chega a \u00a0R$ 125,5 bilh\u00f5es se mantido o mesmo n\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Reformas, como a da Previd\u00eancia, s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o podem ser um objetivo em si, diz Velloso. \u00c9 importante encontrar uma sa\u00edda para que o tema seja discutido pela sociedade. \u201cO \u2018x\u2019 da quest\u00e3o \u00e9 a amea\u00e7a de apag\u00e3o do investimento, e tudo de ruim que ele implica, que precisa ser revertido com urg\u00eancia, sob pena de o desemprego n\u00e3o diminuir e o pa\u00eds n\u00e3o se preparar para oferecer as devidas oportunidades \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, ressalta Velloso, a pol\u00edtica econ\u00f4mica tem ido na dire\u00e7\u00e3o correta, mas a recupera\u00e7\u00e3o tem sido lenta. Como a atividade\u00a0desabou, a infla\u00e7\u00e3o caiu e a taxa de juros foi atr\u00e1s, ajudando a recupera\u00e7\u00e3o. \u201cPara continuar nadando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 costa, o governo-n\u00e1ufrago tem, agora, de aprovar a reforma da Previd\u00eancia sem que uma fatia relevante da proposta original v\u00e1 para o espa\u00e7o. Al\u00e9m disso, temos que mudar esse vi\u00e9s de sermos pobres e contra quem tem dinheiro. Isso \u00e9 uma esquizofrenia e precisa mudar. O pa\u00eds precisa de investimentos.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 10h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO As reformas em debate no Congresso Nacional s\u00e3o essenciais para que o Brasil saia da beira do precip\u00edcio, mas os desafios para que o pa\u00eds volte a crescer e gerar empregos s\u00e3o enormes. 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