{"id":4750,"date":"2017-05-02T13:01:33","date_gmt":"2017-05-02T16:01:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4750"},"modified":"2017-05-02T13:16:59","modified_gmt":"2017-05-02T16:16:59","slug":"ricardo-nao-vai-virar-estatistica-diz-fabricia-viuva-de-morto-em-acidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/ricardo-nao-vai-virar-estatistica-diz-fabricia-viuva-de-morto-em-acidente\/","title":{"rendered":"&#8220;Ricardo n\u00e3o vai virar estat\u00edstica&#8221;, diz Fabr\u00edcia, vi\u00fava de morto em acidente"},"content":{"rendered":"<h2>A dor \u00e9 dilacerante, mas Fabr\u00edcia Gouveia, 48 anos, n\u00e3o vai entregar os pontos. Pelo contr\u00e1rio. Ela est\u00e1 disposta a transformar a trag\u00e9dia que tirou a vida de seu marido, Ricardo Clemente Cayres, 46, e da m\u00e3e dele, Cleusa, 69, em uma luta contra a impunidade. Ricardo e Cleusa morreram na noite de domingo, 30 de abril. Eles estavam indo para casa depois de uma confraterniza\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia. O Fiesta vermelho no qual estavam foi atingido em cheio na traseira. Os dois morreram na hora. O ve\u00edculo respons\u00e1vel pelo acidente, segundo testemunhas, participava de um racha com mais dois carros. Os motoristas, conforme agentes de tr\u00e2nsito, mostravam sinais de embriagues.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fabr\u00edcia sabe que precisar\u00e1 juntar todos os cacos para se reconstruir. O desejo de Justi\u00e7a ser\u00e1 seu grande sustent\u00e1culo. &#8220;Ricardo n\u00e3o vai virar estat\u00edstica. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que pessoas que destroem fam\u00edlias de forma t\u00e3o violenta fiquem impunes&#8221;, afirma. A revisora de textos que atua no Banco Central vai levar at\u00e9 o final a sua luta para provar que o marido e a sogra foram v\u00edtimas de um crime sem perd\u00e3o, provocado &#8220;por pessoas irrespons\u00e1veis, que apostam na impunidade para ficar livres&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesta ter\u00e7a-feira, 2 de maio, foi dia de Fabr\u00edcia cremar os corpos do marido e da m\u00e3e dele. S\u00f3 se manteve de p\u00e9 gra\u00e7as ao apoio que vem recebendo de amigos e familiares. Desde a \u00faltima vez que viu Ricardo, pouco antes do acidente, a vida tem sido uma batalha que parece imposs\u00edvel de ser vencida. Ele havia feito uma promessa a ela pouco antes de entrar no Fiesta, com o qual deixaria a m\u00e3e em casa. &#8220;Nega, me espera que volto pela te buscar. Te amo&#8221;. Ricardo n\u00e3o voltou, nem voltar\u00e1 mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Dois pesos, duas medidas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 ver Ricardo, j\u00e1 morto, foi uma caminhada desumana para Fabr\u00edcia. Ela chegou ao Instituto M\u00e9dico Legal (IML) \u00e0s 11h de segunda-feira, 1\u00ba de maio. Estava tudo certo para que o corpo do marido fosse liberado rapidamente. A burocracia, no entanto, fez quest\u00e3o de lhe dilacerar o que ainda restava de seu cora\u00e7\u00e3o. Foi obrigada a percorrer o mundo da burocracia, Defensoria P\u00fablica, Minist\u00e9rio P\u00fablico, Justi\u00e7a, cart\u00f3rio. \u00c0s 19h, ainda n\u00e3o havia conseguido ver o marido desde a promessa que ele havia lhe feito. A cada questionamento, ouvia que faltava alguma informa\u00e7\u00e3o ou mais um carimbo. Somente antes das 20h, ou seja, nove horas depois de tanto sofrimento, conseguiu levar o corpo de Ricardo para a \u00faltima despedida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto Fabr\u00edcia enfrentava o mart\u00edrio da burocracia e do desrespeito, dois dos acusados de terem provocado a trag\u00e9dia que tirou as vidas de Ricardo e da m\u00e3e dele, Cleusa, estavam \u00a0livres para decidir a que horas dariam depoimento ao delegado respons\u00e1vel pelo caso, Ataliba Neto. Isso mesmo, o advogado Eraldo Jos\u00e9 Cavalcante Pereira, 34, e o bombeiro No\u00e9 Albuquerque Oliveira, 42, tinham a prerrogativa de escolher onde e quando prestariam contas \u00e0 pol\u00edcia. Mais que isso: voltaram \u00e0 rotina e caber\u00e1 ao poder p\u00fablico encontrar provas para incrimin\u00e1-los.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fabr\u00edcia e Ricardo, que era design gr\u00e1fico, se conheceram no Banco Central, onde os dois trabalhavam. Foi amor \u00e0 primeira vista. Logo come\u00e7aram a namorar. Um ano depois, estavam casados. Os planos mais recentes deles eram de comprar ou mesmo construir uma casa. S\u00e1bado, 29, um dia antes da trag\u00e9dia, Fabr\u00edcia e Ricardo haviam pesquisado muitos im\u00f3veis. J\u00e1 tinham em mente o que queriam. Todos esses sonhos foram destru\u00eddos na noite de domingo, por volta da 19h30, quando o carro dirigido por Eraldo Pereira atingiu em cheio \u00a0o Fiesta que levava Ricardo e Cleusa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 13h01min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dor \u00e9 dilacerante, mas Fabr\u00edcia Gouveia, 48 anos, n\u00e3o vai entregar os pontos. Pelo contr\u00e1rio. Ela est\u00e1 disposta a transformar a trag\u00e9dia que tirou a vida de seu marido, Ricardo Clemente Cayres, 46, e da m\u00e3e dele, Cleusa, 69, em uma luta contra a impunidade. 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