{"id":4742,"date":"2017-04-29T09:30:46","date_gmt":"2017-04-29T12:30:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4742"},"modified":"2017-04-29T13:10:03","modified_gmt":"2017-04-29T16:10:03","slug":"o-banco-central-os-juros-e-o-desemprego-recorde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o-banco-central-os-juros-e-o-desemprego-recorde\/","title":{"rendered":"O Banco Central, os juros e o desemprego recorde"},"content":{"rendered":"<p>O Banco Central entrou com tudo no radar do Pal\u00e1cio do Planalto. Assessores do presidente Michel Temer andam se perguntando por que a autoridade monet\u00e1ria est\u00e1 impondo um custo t\u00e3o alto \u00e0 economia. Os questionamentos ganharam for\u00e7a ontem, depois que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) mostrou novo recorde no desemprego no trimestre terminado em mar\u00e7o. A desocupa\u00e7\u00e3o atingiu 13,7% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, totalizando 14,2 milh\u00f5es de pessoas. Para auxiliares de Temer, o conservadorismo do BC, sob o comando de Ilan Goldfajn, est\u00e1 contribuindo para atrasar a recupera\u00e7\u00e3o da economia. Os juros, dizem eles, deveriam ter ca\u00eddo mais r\u00e1pido. A taxa b\u00e1sica (Selic) est\u00e1 em 11,25% ao ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Planalto, todos reconhecem os bons servi\u00e7os prestados por Ilan e seus subordinados no controle da infla\u00e7\u00e3o. A credibilidade da diretoria do BC foi fundamental para controlar as expectativas de infla\u00e7\u00e3o dos agentes de mercado. Mas a vis\u00e3o un\u00e2nime entre os auxiliares de Temer \u00e9 de que o BC precisa dar uma cota maior para a retomada do crescimento. Quanto mais a autoridade monet\u00e1ria demorar para levar os juros ao que o mercado chama de taxa de equil\u00edbrio, algo entre 8% e 9% ao ano, mais tempo o pa\u00eds demorar\u00e1 para sair do atoleiro. Os juros muito altos inibem, principalmente, a renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas de empresas e das fam\u00edlias, travando tr\u00eas pilares do Produto Interno Bruto (PIB): produ\u00e7\u00e3o, investimentos e consumo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A demora para a recupera\u00e7\u00e3o da economia tamb\u00e9m tem um custo pol\u00edtico, destacam assessores presidenciais. Eles acreditam que o desemprego maior engrossa a gritaria dos que s\u00e3o contra as reformas trabalhista e da Previd\u00eancia e d\u00e3o f\u00f4lego para os que est\u00e3o indo \u00e0s ruas em manifesta\u00e7\u00f5es contra o governo. \u201cCertamente, os juros mais baixos dariam \u00e2nimo novo aos empres\u00e1rios. Criariam um ambiente mais favor\u00e1vel. H\u00e1 uma ansiedade grande para que o crescimento econ\u00f4mico volte. Talvez, se o BC tivesse derrubado mais r\u00e1pido a Selic, a chave j\u00e1 teria sido virada\u201d, diz um ministro muito ligado a Temer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Defla\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo acreditava que a taxa de desemprego se estabilizaria em torno dos 12%, com a economia mostrando for\u00e7a no primeiro trimestre. A significativa queda da infla\u00e7\u00e3o seria fundamental para que esse quadro se confirmasse. O problema foi que a atividade n\u00e3o se recuperou como o esperado e o desemprego continuou firme. A cada ponto percentual de aumento da taxa de desocupa\u00e7\u00e3o, pelo menos 1 milh\u00e3o de pessoas engrossam o ex\u00e9rcito de pessoas sem trabalho. \u00c9 muita coisa. Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, a taxa de desemprego ainda continuar\u00e1 aumentando e deve passar de 14%. Na melhor das hip\u00f3teses, o mercado de trabalho s\u00f3 dever\u00e1 mostrar rea\u00e7\u00e3o no \u00faltimo trimestre do ano. Mas \u00e9 mais torcida do que um fato concreto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 para dizer que o BC errou na condu\u00e7\u00e3o dos juros. Por\u00e9m, se pode afirmar que o excesso de conservadorismo est\u00e1 resultando em uma fatura pesada. O pr\u00f3prio BC aponta em seus documentos que discutiu, em todas as reuni\u00f5es do Copom (Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria), um corte maior da Selic. Ou seja, havia espa\u00e7o para mais ousadia\u201d, diz um integrante do gabinete presidencial. \u201cA infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 derretendo. E n\u00e3o somente por causa do BC. A queda decorre, sobretudo, da forte recess\u00e3o e do desemprego\u201d, emenda. Ele lembra que os n\u00fameros da atividade s\u00e3o desanimadores. Tanto que a arrecada\u00e7\u00e3o de impostos voltou a cair em mar\u00e7o, assim como as vendas de supermercados, que encolheram 3,9% ante o mesmo m\u00eas de 2016.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo espera que o BC apresse os passos nos cortes dos juros. Um dos argumentos usados para justificar uma queda maior da Selic \u00e9 o IGP-M, que registrou defla\u00e7\u00e3o de 1,10% em abril. O indicador revela que, se h\u00e1 press\u00e3o sobre o custo de vida, \u00e9 para baixo. O recuo dos pre\u00e7os no atacado dever\u00e1 ser repassado ao varejo. Como explica o economista Carlos Thadeu Filho, da consultoria MacroAgro, o IGP-M est\u00e1 captando a desvaloriza\u00e7\u00e3o das commodities agr\u00edcolas, isto \u00e9, gr\u00e3os e prote\u00edna animal. \u00c9 um movimento mais duradouro. \u201cA infla\u00e7\u00e3o aos consumidores vinha captando, principalmente, a queda dos pre\u00e7os de alimentos produzidos apenas para o mercado interno. Por isso, aposto em IPCA de 3,5% neste ano\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 09h30min<br \/>\n<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Banco Central entrou com tudo no radar do Pal\u00e1cio do Planalto. Assessores do presidente Michel Temer andam se perguntando por que a autoridade monet\u00e1ria est\u00e1 impondo um custo t\u00e3o alto \u00e0 economia. 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