{"id":4650,"date":"2017-04-11T09:30:07","date_gmt":"2017-04-11T12:30:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4650"},"modified":"2017-04-11T19:49:22","modified_gmt":"2017-04-11T22:49:22","slug":"para-temer-passou-da-hora-de-os-bancos-reduzirem-juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/para-temer-passou-da-hora-de-os-bancos-reduzirem-juros\/","title":{"rendered":"Para Temer, passou da hora de os bancos reduzirem juros"},"content":{"rendered":"<p>Mais do que uma acelera\u00e7\u00e3o no corte da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) nesta quarta-feira, o que o Pal\u00e1cio do Planalto realmente espera \u00e9 que o Banco Central conven\u00e7a os bancos a reduzirem os encargos cobrados de empresas e consumidores. Na avalia\u00e7\u00e3o do presidente Michel Temer, de nada adiantar\u00e1 o BC derrubar mais uma vez a Selic \u2014 a aposta majorit\u00e1ria do mercado \u00e9 de diminui\u00e7\u00e3o de um ponto percentual, de 12,25% para 11,25% \u2014 se o cr\u00e9dito n\u00e3o ficar mais barato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A retomada do crescimento precisa que as institui\u00e7\u00f5es financeiras liberem empr\u00e9stimos e financiamentos a taxas mais baixas. No entender do governo, os juros menores permitir\u00e3o, por um lado, que as empresas e as fam\u00edlias possam renegociar suas d\u00edvidas a um custo menor, abrindo espa\u00e7o tanto para os investimentos produtivos quanto para o consumo. De outro lado, aqueles que j\u00e1 conseguiram equilibrar o or\u00e7amento se sentir\u00e3o mais confort\u00e1veis para tomar algum tipo de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTemos que fazer a economia girar. Hoje, muitas empresas e consumidores est\u00e3o asfixiados por d\u00edvidas car\u00edssimas. A manuten\u00e7\u00e3o desse quadro inibe uma recupera\u00e7\u00e3o mais acentuada da economia\u201d, destaca um auxiliar de Temer. Ele conta que o pr\u00f3prio presidente tem conversado, sempre que poss\u00edvel, com os principais banqueiros do pa\u00eds e ressaltando a import\u00e2ncia de eles abrirem a torneira do cr\u00e9dito. \u201cOs apelos est\u00e3o sendo feitos. Mas os bancos ainda se mant\u00eam na retaguarda\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o governo, \u00e9 inaceit\u00e1vel que, mesmo com o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) tendo cortado, desde outubro do ano passado, dois pontos percentuais da Selic, as taxas cobradas pelos bancos tenham subido. O aumento foi observado, inclusive, entre as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Nas linhas de capital de giro para empresas com pagamento em at\u00e9 365 dias, os juros praticados pela Caixa Econ\u00f4mica Federal saltaram de 45,1% para 46,7% ao ano entre outubro e mar\u00e7o \u00faltimos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na mesma linha de cr\u00e9dito, os encargos fixados pelo Santander pularam de 32,5% para 39,2% ao ano. J\u00e1 as taxas do Bradesco subiram, no mesmo per\u00edodo, de 34,9% para 36,9% anuais. \u201cNesse ambiente t\u00e3o hostil, n\u00e3o h\u00e1 como as empresas pensarem em tomar cr\u00e9dito para refor\u00e7ar o caixa. Com as vendas em queda, como v\u00e3o assumir mais juros?\u201d, questiona um integrante da equipe econ\u00f4mica. \u201cSem cr\u00e9dito, fica dif\u00edcil falar em mais investimentos produtivos e consumo\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nada por decreto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Banco Central, o diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania, Isaac Sidney Menezes Ferreira, garante que tudo est\u00e1 sendo feito para que os bancos reduzam os juros. \u201cTemos observado uma postura colaborativa das institui\u00e7\u00f5es\u201d, ressalta. Ele admite, por\u00e9m, que as taxas cobradas de empresas e consumidores est\u00e3o longe do que se pode chamar de normais. Ele frisa que os bancos t\u00eam apontado o aumento da inadimpl\u00eancia como o principal motivo para o encarecimento do cr\u00e9dito num momento em que se esperava justamente o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos do BC, a inadimpl\u00eancia corresponde a 55,7% do spread banc\u00e1rio, diferen\u00e7a entre o que as institui\u00e7\u00f5es pagam aos investidores e o que cobram dos devedores. Em 2011, o spread m\u00e9dio estava em 18%. Caiu para 14% anos depois, mas voltou a subir, atingindo 22,5%. Nesse per\u00edodo, o \u00edndice de calote realmente subiu, mas nada demais. Agora, est\u00e1 em queda. Entre as pessoas f\u00edsicas, recuou de 5,7% para 5,6%. Ou seja, o argumento usado pelos banqueiros para restringir e encarecer o cr\u00e9dito n\u00e3o se sustenta. O aumento do spread, na verdade, s\u00f3 serviu para inflar os ganhos dos bancos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O diretor do BC enfatiza que n\u00e3o h\u00e1 como reduzir \u201cjuros por decreto\u201d nem por meio de medidas voluntaristas ou simpl\u00f3rias. \u201cTemos atuado para corrigir todas as distor\u00e7\u00f5es e dar mais seguran\u00e7a ao sistema. A nossa agenda prev\u00ea cr\u00e9dito mais barato\u201d, afirma. Para Isaac, \u00e9 importante ressaltar que, do ponto de vista macroecon\u00f4mico, o BC vem promovendo um afrouxamento consistente da pol\u00edtica monet\u00e1ria, movimento que est\u00e1 sendo poss\u00edvel pela forte queda da infla\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso, portanto, que as a\u00e7\u00f5es da autoridade monet\u00e1ria sejam acompanhadas pelo sistema financeiro, barateando o cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Decep\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assessores de Temer t\u00eam a convic\u00e7\u00e3o de que os fracos resultados do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre do ano, quando se esperava um ritmo mais forte da atividade, decorrem da escassez e do encarecimento do cr\u00e9dito. A ind\u00fastria, que depende de capital de giro, ficou praticamente \u00e0 m\u00edngua. Com as pessoas f\u00edsicas n\u00e3o foi diferente. Diante desse quadro, o governo n\u00e3o descarta mais uma queda do PIB entre janeiro e mar\u00e7o. \u201cO nosso cen\u00e1rio principal \u00e9 de aumento da produ\u00e7\u00e3o de ao menos 0,3%. \u00c9 quase nada, mas, pelo menos, significar\u00e1 o fim oficial da recess\u00e3o\u201d, destaca outro integrante da equipe econ\u00f4mica. \u201cSe houvesse mais cr\u00e9dito barato, produ\u00e7\u00e3o e consumo teriam resultados melhores\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do governo, \u00e0 medida que os bancos forem repassando \u00e0 clientela os cortes da Selic, a roda da economia passar\u00e1 a girar com maior for\u00e7a. \u201cVai demorar um pouco, mas esses repasses ser\u00e3o inevit\u00e1veis. N\u00e3o haver\u00e1 desculpas para os bancos\u201d, acrescenta um ministro da \u00e1rea pol\u00edtica. Ele diz que, no entorno do presidente Temer, a aposta majorit\u00e1ria \u00e9 de que o Banco Central reduzir\u00e1 os juros amanh\u00e3 em um ponto percentual. \u201cO bom mesmo seria a Selic cair 1,5 ponto, para menos de 11%. Mas, infelizmente, n\u00e3o veremos isso\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 09h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais do que uma acelera\u00e7\u00e3o no corte da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) nesta quarta-feira, o que o Pal\u00e1cio do Planalto realmente espera \u00e9 que o Banco Central conven\u00e7a os bancos a reduzirem os encargos cobrados de empresas e consumidores. 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