{"id":4635,"date":"2017-04-08T09:30:40","date_gmt":"2017-04-08T12:30:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4635"},"modified":"2017-04-08T12:56:41","modified_gmt":"2017-04-08T15:56:41","slug":"juizo-e-bom-e-todo-mundo-gosta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/juizo-e-bom-e-todo-mundo-gosta\/","title":{"rendered":"O governo que se atente: Ju\u00edzo \u00e9 bom e todo mundo gosta"},"content":{"rendered":"<h2>O governo decidiu correr o risco de sacrificar parte da credibilidade da equipe econ\u00f4mica para tentar dar um g\u00e1s no fraqu\u00edssimo n\u00edvel da atividade. Seguindo o modelo adotado pelos pa\u00edses desenvolvidos logo depois do estouro da crise financeira mundial de 2008, o setor p\u00fablico assumir\u00e1 o custo do processo de redu\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas do setor privado. Isso significar\u00e1 deficits fiscais maiores e aumento do endividamento federal. O governo acredita que, gastando mais agora e permitindo que empresas e fam\u00edlias quitem parte de suas d\u00edvidas, a economia conseguir\u00e1, finalmente, sair do atoleiro.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil explicar isso para os cidad\u00e3os leigos, mas o governo percebeu que, se mantiver uma pol\u00edtica fiscal mais apertada neste momento, prolongar\u00e1 o sofrimento proporcionado pela recess\u00e3o, pois, concentrados em reduzir o endividamento, agentes privados n\u00e3o ter\u00e3o como investir nem como consumir. Sendo assim, ao aumentar em R$ 50 bilh\u00f5es o rombo nas contas p\u00fablicas de 2018, de R$ 79 bilh\u00f5es para R$ 129 bilh\u00f5es, e ampliar o buraco de 2019, de zero para R$ 65 bilh\u00f5es, a equipe econ\u00f4mica cr\u00ea que conseguir\u00e1 fazer a roda girar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Rafael Cardoso, economista-chefe da Daycoval Investimentos, a a\u00e7\u00e3o do governo na \u00e1rea fiscal ser\u00e1 potencializada pelo processo de redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) pelo Banco Central. \u201cSer\u00e1 a primeira vez, em muitos anos, que veremos as pol\u00edticas fiscal e monet\u00e1ria caminhando na mesma dire\u00e7\u00e3o\u201d, diz. A aposta dele \u00e9 de que, com a infla\u00e7\u00e3o caindo rapidamente, o BC poder\u00e1 fazer tr\u00eas cortes seguidos de um ponto percentual cada na Selic, sendo que a primeira redu\u00e7\u00e3o ocorrer\u00e1 na pr\u00f3xima semana, quando a Selic dever\u00e1 cair de 12,25% para 11,25% ao ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Prazo de validade<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cardoso reconhece que, para muitos, \u00e9 dif\u00edcil entender como um governo que assumiu pregando um ajuste fiscal forte venha contabilizando deficits enormes. Foram mais de R$ 150 bilh\u00f5es em 2016. Ser\u00e3o ao menos R$ 139 bilh\u00f5es neste ano e quase R$ 200 bilh\u00f5es entre 2018 e 2019. \u201cO problema \u00e9 que, se o governo tentar poupar neste momento, dificultar\u00e1 ainda mais a retomada da economia. \u00c9 por entender esse diagn\u00f3stico que o mercado v\u00ea com bons olhos a flexibiliza\u00e7\u00e3o da meta fiscal\u201d, assinala. Para ele, quando as receitas voltarem a crescer com a melhora da economia, o governo poder\u00e1 fazer o ajuste esperado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O economista pesquisou as pol\u00edticas fiscais de 150 pa\u00edses para compreender os movimentos do governo. \u201cPercebemos que, quando h\u00e1 cortes de despesas no Or\u00e7amento p\u00fablico, as receitas caem\u201d, frisa. \u00c9 preciso, por\u00e9m, que os deficits fiscais se limitem a um curto espa\u00e7o de tempo, ou seja, durem, em m\u00e9dia, cinco anos. No Brasil, pelos c\u00e1lculos do mercado, as contas p\u00fablicas ficar\u00e3o no vermelho por oito anos, com o rombo come\u00e7ando em 2014 e sendo zerado somente em 2021 \u2014 o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, promete que os superavits voltar\u00e3o em 2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo, portanto, deve dar demonstra\u00e7\u00f5es claras de que n\u00e3o est\u00e1 viciado em deficits p\u00fablicos. Esse pecado pode ser mortal para a economia. Se perceberem que a gastan\u00e7a est\u00e1 descontrolada, os investidores jogar\u00e3o no lixo o voto de confian\u00e7a que v\u00eam dando ao presidente Michel Temer. Durante a administra\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff, com os cofres escancarados, a d\u00edvida p\u00fablica saltou de 53% para quase 70% do Produto Interno Bruto (PIB). A farra fiscal desencadeou a maior recess\u00e3o da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sendo assim, a principal prova que o governo poder\u00e1 dar para explicitar que mant\u00e9m o ju\u00edzo ser\u00e1 a aprova\u00e7\u00e3o de uma reforma da Previd\u00eancia que realmente estanque a sangria dos cofres federais. Se estiver mais preocupado em agradar \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es, pode ir se preparando para jogar a p\u00e1 de cal na economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 09h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo decidiu correr o risco de sacrificar parte da credibilidade da equipe econ\u00f4mica para tentar dar um g\u00e1s no fraqu\u00edssimo n\u00edvel da atividade. 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