{"id":4560,"date":"2017-04-01T06:30:22","date_gmt":"2017-04-01T09:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4560"},"modified":"2017-04-01T15:45:37","modified_gmt":"2017-04-01T18:45:37","slug":"governo-admite-que-pais-ainda-esta-no-fundo-do-poco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/governo-admite-que-pais-ainda-esta-no-fundo-do-poco\/","title":{"rendered":"Governo admite que pa\u00eds ainda est\u00e1 no fundo do po\u00e7o"},"content":{"rendered":"<h2>O governo vinha apostando tudo na retomada da economia para fazer uma travessia menos turbulenta em meio ao caos pol\u00edtico no qual o pa\u00eds est\u00e1 mergulhado. Em alto e bom som, tanto o presidente Michel Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, trataram, nas \u00faltimas semanas, de alardear que, depois de dois anos de recess\u00e3o \u2014 a mais profunda da hist\u00f3ria \u2014, finalmente, o Brasil estava reencontrando a rota do crescimento. Os indicadores divulgados ao longo desta semana, por\u00e9m, desautorizam qualquer discurso de euforia. A economia se mant\u00e9m firme no fundo do po\u00e7o.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O dado mais emblem\u00e1tico da fragilidade do pa\u00eds \u00e9 a taxa recorde de desemprego. No trimestre terminado em fevereiro, o \u00edndice de desocupados atingiu 13,2%, n\u00edvel sem precedentes desde 2012, quando a Pnad Cont\u00ednua passou a ser divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Dias atr\u00e1s, o governo fez um alarde monstruoso sobre o resultado do emprego formal em fevereiro. O saldo entre contrata\u00e7\u00f5es e demiss\u00f5es ficou positivo em 35 mil vagas. Temer fez quest\u00e3o de anunciar o n\u00famero em pomposa entrevista no Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A verdade, por\u00e9m, \u00e9 que os brasileiros ainda v\u00e3o demorar muito para ver a melhora do mercado de trabalho. Os economistas projetam que o n\u00famero de desempregados, hoje, de 13,5 milh\u00f5es, passar\u00e1 dos 14 milh\u00f5es nos pr\u00f3ximos meses. As empresas est\u00e3o muito longe de refor\u00e7ar o quadro de pessoal. Basta ver o resultado de dois segmentos imprescind\u00edveis para a gera\u00e7\u00e3o de vagas. O setor de servi\u00e7os registrou queda de 2,2% de dezembro para janeiro, recuo muito maior do que o tombo de 0,5% projetado. J\u00e1 o varejo apontou retra\u00e7\u00e3o de 7% na compara\u00e7\u00e3o entre janeiro deste ano e o mesmo m\u00eas de 2016.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A fraqueza da economia foi confirmada pelo pr\u00f3prio Banco Central. O IBC-Br, indicador calculado pela institui\u00e7\u00e3o que funciona como uma pr\u00e9via do Produto Interno Bruto (PIB), sinalizou derretimento de 0,26% da atividade. Com isso, a economia voltou aos n\u00edveis de 2009. Nem mesmo a queda da infla\u00e7\u00e3o, que, teoricamente, daria um al\u00edvio no or\u00e7amento das fam\u00edlias, est\u00e1 ajudando a economia a melhorar. Pelo contr\u00e1rio, o que estamos vendo, m\u00eas a m\u00eas, \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de pessoas empregadas: agora, s\u00e3o 89,3 milh\u00f5es, o menor contingente desde maio de 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Rejei\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso, portanto, que a rejei\u00e7\u00e3o a Temer est\u00e1 aumentando de forma muito r\u00e1pida. Pesquisa da CNI Ibope aponta que a reprova\u00e7\u00e3o ao governo saltou, entre dezembro do ano passado e mar\u00e7o \u00faltimo, de 46% para 55%. Apenas 10% dos entrevistados consideram boa ou \u00f3tima a administra\u00e7\u00e3o do peemedebista. A economia aparece no topo dos motivos para a impopularidade do presidente. Para 85% dos entrevistados, os impostos pagos no pa\u00eds s\u00e3o inaceit\u00e1veis e 80% reclamam das elevadas taxas de juros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As queixas dos eleitores bateram fundo no Pal\u00e1cio do Planalto, que n\u00e3o esconde a ansiedade em rela\u00e7\u00e3o ao conservadorismo com que o Banco Central vem conduzindo a pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica da economia (Selic). Com a forte queda da infla\u00e7\u00e3o, o governo esperava uma a\u00e7\u00e3o mais contundente do BC para reanimar a produ\u00e7\u00e3o e, sobretudo, o consumo. Mas a diretoria comandada por Ilan Goldfajn tem optado por cortes graduais, contribuindo para o des\u00e2nimo do empresariado e o descontentamento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agora, o BC vem dizendo que vai acelerar o passo na redu\u00e7\u00e3o da Selic, mas o far\u00e1 moderadamente. O corte nos juros deve ficar em um ponto percentual, para 11,25% ao ano, taxa ainda elevad\u00edssima para a gravidade da situa\u00e7\u00e3o da economia. H\u00e1 analistas dizendo que o melhor seria o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) derrubar a taxa b\u00e1sica em pelo menos 1,5 ponto na reuni\u00e3o marcada para abril. Mesmo assim, poucos acreditam que a a\u00e7\u00e3o do BC seria suficiente para reverter o encolhimento da atividade. Por uma raz\u00e3o simples: o impacto dos juros na economia demora entre seis e nove meses para ser sentido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quanto aos impostos, o governo evitou, ao anunciar o corte de R$ 42,1 bilh\u00f5es no Or\u00e7amento deste ano, divulgar aumento de tributos. Mas, sob o discurso de cortar incentivos, elevou o custo das empresas para manter seus empregados. A equipe econ\u00f4mica praticamente acabou com a desonera\u00e7\u00e3o que existia sobre a folha de sal\u00e1rios. Os empres\u00e1rios avisam que, com esse baque, em vez de contratarem, v\u00e3o demitir. H\u00e1 companhias que sequer faturam o suficiente para cobrir gastos imprescind\u00edveis, como os com a remunera\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante desse quadro cruel, ser\u00e1 dif\u00edcil para o governo manter o discurso de que o pior da crise econ\u00f4mica ficou para tr\u00e1s. \u00c9 verdade que os \u00edndices de confian\u00e7a melhoraram, mas at\u00e9 que isso se traduza em reativa\u00e7\u00e3o da atividade h\u00e1 um longo caminho pela frente. O risco de o pa\u00eds ter crescimento zero neste ano \u00e9 enorme. N\u00e3o custa lembrar que, em 2014, a economia ficou praticamente estagnada. Em 2015, o PIB encolheu 3,8% e, no ano passado, recuou 3,6%. Mais um ano sem crescimento ser\u00e1 o pior dos mundos. Infelizmente, \u00e9 o que pode acontecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Resta saber como o Congresso reagir\u00e1 ao descontentamento da popula\u00e7\u00e3o com o governo. Temer precisa manter a base unida para aprovar projetos importantes e totalmente impopulares, como a reforma da Previd\u00eancia. No Planalto, v\u00e1rios assessores do presidente admitem que o Executivo est\u00e1 perdendo a guerra da comunica\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as que precisam ser feitas no sistema previdenci\u00e1rio. No Nordeste, a vis\u00e3o sobre o governo \u00e9 a pior poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h30min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo vinha apostando tudo na retomada da economia para fazer uma travessia menos turbulenta em meio ao caos pol\u00edtico no qual o pa\u00eds est\u00e1 mergulhado. 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