{"id":4525,"date":"2017-03-30T06:30:21","date_gmt":"2017-03-30T09:30:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4525"},"modified":"2017-03-30T11:34:36","modified_gmt":"2017-03-30T14:34:36","slug":"arrocho-maior-juros-em-queda-mais-rapida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/arrocho-maior-juros-em-queda-mais-rapida\/","title":{"rendered":"Arrocho maior, juros em queda mais r\u00e1pida"},"content":{"rendered":"<h2>O governo anunciou um corte no Or\u00e7amento maior do que o desejado pelo Pal\u00e1cio do Planalto. Mas espera que o arrocho de R$ 42,1 bilh\u00f5es seja diminu\u00eddo nos pr\u00f3ximos meses, se conseguir aval da Justi\u00e7a para usar recursos vinculados a precat\u00f3rios e, claro, se a recupera\u00e7\u00e3o da economia melhorar a arrecada\u00e7\u00e3o.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do ponto de vista dos precat\u00f3rios, que somam at\u00e9 R$ 8,7 bilh\u00f5es e se referem a d\u00edvidas reconhecidas pela Uni\u00e3o, mas que n\u00e3o foram requisitadas pelos benefici\u00e1rios, a confian\u00e7a da equipe econ\u00f4mica em botar a m\u00e3o no dinheiro \u00e9 grande. Quanto \u00e0 retomada do crescimento, as d\u00favidas s\u00e3o enormes. O ritmo da atividade continua muito fraco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A expectativa do governo era de que, neste primeiro trimestre do ano, a economia estivesse rodando numa velocidade que sustentasse a proje\u00e7\u00e3o de crescimento de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB), prevista na Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO). Se tal previs\u00e3o se confirmasse, o arrocho seria de, no m\u00e1ximo, R$ 20 bilh\u00f5es, evitando o desgaste do presidente Michel Temer de ter que acabar com quase toda a desonera\u00e7\u00e3o na folha de sal\u00e1rios num momento de desemprego recorde.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O maior temor do Pal\u00e1cio do Planalto \u00e9 de que, com a economia patinando, a frustra\u00e7\u00e3o de receitas seja maior do que o previsto, e, em vez de o corte de gastos diminuir, a equipe econ\u00f4mica seja obrigada a recorrer a aumento de impostos. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, diz que prefere n\u00e3o falar sobre hip\u00f3teses, inclusive de a arrecada\u00e7\u00e3o aumentar. Mas, entre seus subordinados, a eleva\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria est\u00e1 no radar. E mais perto do que se imagina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Muni\u00e7\u00e3o aos cr\u00edticos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre assessores de Michel Temer, o arrocho vai dar muni\u00e7\u00e3o aos cr\u00edticos do governo, pois muitos v\u00e3o acusar o presidente de cortar verbas de \u00e1reas essenciais, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, o peso da tesoura usada por Meirelles poder\u00e1 dar a coragem que est\u00e1 faltando ao Banco Central para acelerar ainda mais a redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) na reuni\u00e3o de abril do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O consenso entre os investidores \u00e9 de que a Selic cair\u00e1 um ponto percentual, de 12,25% para 11,25% ao ano. Contudo, com a forte diminui\u00e7\u00e3o de despesas, a equipe econ\u00f4mica esta tirando de cena um importante foco de press\u00e3o sobre a infla\u00e7\u00e3o, que, se ressalte, est\u00e1 em queda livre. Assim, acreditam integrantes do Pal\u00e1cio do Planalto, o BC poder\u00e1 ir al\u00e9m do que imagina o mercado, derrubando os juros em 1,25 ou mesmo em 1,5 ponto percentual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cCom certeza, os modelos usados pelo BC para projetar a infla\u00e7\u00e3o e os juros n\u00e3o contemplam um corte t\u00e3o forte de despesas do governo\u201d, diz um dos assessores de Temer. Para ele, diante do an\u00fancio feito por Meirelles e pelo ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, o Relat\u00f3rio Trimestral de Infla\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 liberado hoje pela autoridade monet\u00e1ria j\u00e1 estar\u00e1 defasado. \u201cN\u00e3o h\u00e1 como o BC ter feito proje\u00e7\u00f5es se o tamanho do arrocho no Or\u00e7amento foi definido pouco antes de seu an\u00fancio\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Impacto forte<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O economista Carlos Thadeu Filho, da consultoria MacroAgro, ressalta que a perspectiva de um corte maior da Selic se fortalece ante a decis\u00e3o do governo de n\u00e3o elevar impostos. \u201cSe a carga tribut\u00e1ria subisse, certamente haveria repasse para os pre\u00e7os e, consequentemente, para a infla\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. O impacto seria mais forte se a op\u00e7\u00e3o fosse por elevar a Cide, que incide sobre os combust\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele acredita que os analistas v\u00e3o rever, imediatamente, para baixo, as previs\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o para este ano. Na m\u00e9dia, elas est\u00e3o em 4,15%, inferior, portanto, ao centro da meta de 4,5% definida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN). \u201cUma redu\u00e7\u00e3o de 1,25 ponto na Selic em abril ficou muito mais plaus\u00edvel\u201d, destaca Thadeu. Ele, por sinal, acredita que o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrar\u00e1 2017 entre 3,5% e 3,7%. \u201cNesse cen\u00e1rio, o corte de um ponto nos juros me parece bastante conservador\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo anunciou um corte no Or\u00e7amento maior do que o desejado pelo Pal\u00e1cio do Planalto. 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