{"id":4465,"date":"2017-03-23T06:30:46","date_gmt":"2017-03-23T09:30:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4465"},"modified":"2017-03-23T10:12:06","modified_gmt":"2017-03-23T13:12:06","slug":"investidores-estao-inquietos-com-fragilidade-fiscal-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/investidores-estao-inquietos-com-fragilidade-fiscal-do-pais\/","title":{"rendered":"Investidores inquietos com rombo fiscal que pode ir a R$ 192 bi"},"content":{"rendered":"<h2>A quest\u00e3o fiscal est\u00e1 na base de todos os problemas econ\u00f4micos enfrentados pelo Brasil. Acreditava-se, contudo, que, com Henrique Meirelles \u00e0 frente do Minist\u00e9rio da Fazenda e uma gest\u00e3o eficiente das contas p\u00fablicas, esse tema fosse, aos poucos, saindo de cena e a agenda do pa\u00eds, ocupada pela retomada do crescimento. Quase um ano depois da posse do ministro, n\u00e3o se v\u00ea nem uma coisa nem outra. O avan\u00e7o da atividade continua sendo apenas um desejo e o rombo nas finan\u00e7as federais s\u00f3 faz crescer. Para que o governo n\u00e3o extrapole o deficit previsto neste ano, de R$ 139 bilh\u00f5es, ser\u00e1 preciso cobrir um buraco de R$ 58,2 bilh\u00f5es. Ou seja, se nada for feito, o rombo potencial das contas p\u00fablicas ser\u00e1 de R$ 197,2 bilh\u00f5es.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A justificativa do governo para esse quadro assustador \u00e9 de que a recess\u00e3o econ\u00f4mica ainda est\u00e1 fazendo estragos na arrecada\u00e7\u00e3o. As empresas, sobretudo, enfrentam s\u00e9rias dificuldades para cumprir seus compromissos com a Receita Federal. Endividadas, mal conseguem pagar as folhas de sal\u00e1rios. A equipe liderada por Meirelles acreditava, por\u00e9m, que essa situa\u00e7\u00e3o seria revertida neste in\u00edcio de ano, com um desempenho mais forte do Produto Interno Bruto (PIB). A confian\u00e7a era tanta que o governo chegou a prever crescimento, na Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO), de 1,6% em 2017. Depois, diante das dificuldades, passou a estimar um salto de 1% no PIB. Ontem, empurrou essa proje\u00e7\u00e3o para 0,5%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel que o governo tente passar otimismo aos agentes econ\u00f4micos projetando n\u00fameros melhores para a economia. O que n\u00e3o d\u00e1 para assimilar \u00e9 a continuidade da gastan\u00e7a no setor p\u00fablico. Mesmo tendo sido aprovado, no Congresso, um teto para os gastos, as despesas continuam crescentes, especialmente no Judici\u00e1rio e no Legislativo, que, sistematicamente, v\u00eam extrapolando os limites com pessoal. No Executivo, os acordos para reajustes de sal\u00e1rios tamb\u00e9m contribuem para que o buraco nas finan\u00e7as s\u00f3 aumente. Com isso, o discurso da austeridade est\u00e1 ainda pelos ares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Colo dos contribuintes<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como sempre acontece em casos de frustra\u00e7\u00e3o de receitas, a conta acaba caindo no colo dos contribuintes. Est\u00e1 praticamente certo que, para cobrir parte dos R$ 58,2 bilh\u00f5es, o governo aumentar\u00e1 impostos. Fala-se em alta do PIS, da Cofins e do IOF. O correto seria o governo cortar os gastos para fechar as contas. Mas o Or\u00e7amento est\u00e1 t\u00e3o comprometido, que o espa\u00e7o para passar a tesoura \u00e9 m\u00ednimo. O jeito, portanto, \u00e9 avan\u00e7ar sobre o caixa das empresas e o bolso dos cidad\u00e3os, independentemente de a carga tribut\u00e1ria no pa\u00eds ser um acinte, especialmente quando se avalia a qualidade dos servi\u00e7os prestados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O discurso preparado pelo governo \u00e9 de que o aumento de impostos pode ser tempor\u00e1rio. Ainda que seja, \u00e9 inaceit\u00e1vel. A m\u00e1quina p\u00fablica continua inchada, ineficiente, loteada por indica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Em troca de apoio no Congresso, o Pal\u00e1cio do Planalto mant\u00e9m benesses que custam caro. Ent\u00e3o, enquanto n\u00e3o houver uma mudan\u00e7a de cultura, os contribuintes sempre ser\u00e3o chamados a arcar com a fatura. \u00c9 preciso deixar claro, no entanto, que o pa\u00eds est\u00e1 no limite. N\u00e3o aguenta mais sustentar grupos espec\u00edficos que se aproveitam do governo de plant\u00e3o para garantir regalias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O aumento de impostos deve ser anunciado na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira, 28. At\u00e9 l\u00e1, o ministro da Fazendo e sua equipe v\u00e3o repetir um mantra de que n\u00e3o h\u00e1 outro caminho a n\u00e3o ser elevar a carga tribut\u00e1ria, mas que, desta vez, a promessa de ajuste fiscal ser\u00e1 seguida \u00e0 risca. A despeito da confian\u00e7a que Meirelles e subordinados nutrem no mercado, o clima de insatisfa\u00e7\u00e3o come\u00e7a a ficar latente. Est\u00e1 se formando a percep\u00e7\u00e3o de que, entre o discurso e a pr\u00e1tica, h\u00e1 uma dist\u00e2ncia enorme quando o assunto \u00e9 o ajuste fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Manancial de d\u00favidas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Eduardo Velho, economista-chefe da gestora de recursos INVX Global, os investidores est\u00e3o temerosos de que o governo acabe abrindo brechas demais no ajuste fiscal. Um sinal importante de que isso pode ocorrer veio do presidente Michel Temer, ao retirar da proposta da reforma da Previd\u00eancia os servidores de estados e munic\u00edpios. J\u00e1 havia sido feita uma concess\u00e3o aos militares, que ter\u00e3o tratamento diferenciado. O risco, portando, de a reforma ser desfigurada, aumentou muito. E sem mudan\u00e7as efetivas no sistema previdenci\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 como se falar em ajuste fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cAo abrir exce\u00e7\u00f5es, o governo pavimenta um caminho para a judicializa\u00e7\u00e3o da Previd\u00eancia. Mesmo que aprove a idade m\u00ednima para a aposentadoria de 65 anos para homens e mulheres e regras de transi\u00e7\u00e3o, pode haver questionamentos em tribunais por parte de trabalhadores cobrando isonomia\u201d, diz Velho. Quer dizer: pessoas que forem atingidas pelas mudan\u00e7as tendem a requerer o mesmo tratamento dado a grupos espec\u00edficos, alegando terem sido prejudicadas. \u201cA judicializa\u00e7\u00e3o pode enfraquecer muito os efeitos da reforma. Por isso, \u00e9 importante evitar diferencia\u00e7\u00f5es\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o economista, a hora \u00e9 de o governo reduzir as incertezas e n\u00e3o de alimentar d\u00favidas. At\u00e9 agora, acrescenta ele, os investidores t\u00eam sido complacentes com a administra\u00e7\u00e3o de Temer. Os vacilos, entretanto, est\u00e3o abrindo um fosso na blindagem que prevaleceu desde que o presidente substituiu Dilma Rousseff no comando do pa\u00eds. \u201c\u00c9 preciso que haja um reordenamento das expectativas de curto prazo do mercado. Se o governo continuar emitindo sinais contradit\u00f3rios, o amplo apoio pode se reduzir\u201d, assinala. A inquieta\u00e7\u00e3o dos agentes financeiros j\u00e1 come\u00e7a a ficar vis\u00edvel. E os resultados, todos sabem, s\u00e3o imprevis\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quest\u00e3o fiscal est\u00e1 na base de todos os problemas econ\u00f4micos enfrentados pelo Brasil. 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