{"id":4350,"date":"2017-03-11T06:30:52","date_gmt":"2017-03-11T09:30:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4350"},"modified":"2017-03-11T13:45:41","modified_gmt":"2017-03-11T16:45:41","slug":"nao-restou-alternativa-ao-bc-nao-ser-apressar-corte-dos-juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/nao-restou-alternativa-ao-bc-nao-ser-apressar-corte-dos-juros\/","title":{"rendered":"N\u00e3o restou alternativa ao BC a n\u00e3o ser apressar o corte dos juros"},"content":{"rendered":"<h2>Auxiliares pr\u00f3ximos do presidente Michel Temer se assanharam com o resultado da infla\u00e7\u00e3o de fevereiro, que ficou em 0,33%, abaixo de todas as estimativas de mercado e o menor \u00edndice para o m\u00eas em 17 anos. Todos acreditam que acabaram as desculpas usadas pelo Banco Central para n\u00e3o acelerar o processo de cortes da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 12,25% ao ano. H\u00e1 quem acredite que o excesso de conservadorismo da autoridade monet\u00e1ria pode fazer com que o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) feche este ano bem abaixo do centro da meta, de 4,5% \u2014 algo entre 3,5% e 4%.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO nosso temor, hoje, \u00e9 de que o BC erre para baixo, que a infla\u00e7\u00e3o caia muito, sem que isso resulte em um pouco mais de crescimento\u201d, diz um dos assessores presidenciais. N\u00e3o se pode esquecer, no entender dele, que, como a infla\u00e7\u00e3o vem caindo muito mais r\u00e1pido que a Selic, os juros reais est\u00e3o subindo. \u201cTeoricamente, est\u00e1 havendo um aperto monet\u00e1rio e n\u00e3o um al\u00edvio\u201d, frisa. Em outubro do ano passado, quando a taxa b\u00e1sica baixou para 14%, os juros reais estavam em 5,7%. Agora, com a Selic a 12,25%, os juros reais atingiram 7,1%. \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que o BC n\u00e3o esteja vendo isso\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Pal\u00e1cio do Planalto, a aposta majorit\u00e1ria \u00e9 de que o Banco Central reduzir\u00e1 a Selic em, pelo menos, um ponto percentual na reuni\u00e3o de abril do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom). J\u00e1 em fevereiro, acreditava-se que o BC seria mais ousado, mas a diretoria comandada por Ilan Goldfajn preferiu n\u00e3o avan\u00e7ar muito o passo e optou por uma queda de 0,75 ponto. Entre os auxiliares de Temer, a vis\u00e3o \u00e9 de que, agora, o corte de um ponto nos juros virou piso. Ou seja, ser\u00e1 o m\u00ednimo a ser cogitado pela autoridade monet\u00e1ria, que tirou a camisa de for\u00e7a \u00e0 qual havia se amarrado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7os<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o vem surpreendendo para baixo o BC e o mercado desde outubro do ano passado, quando os pre\u00e7os come\u00e7aram a desabar com for\u00e7a, sobretudo os dos alimentos. A recess\u00e3o econ\u00f4mica, que muitos acreditavam que estava sendo revertida, ficou mais forte. O desemprego se acentuou, minando de vez o poder de compra das fam\u00edlias. O fechamento de empresas bateu recorde e o endividamento n\u00e3o deu tr\u00e9gua. \u201cNesse ambiente, n\u00e3o h\u00e1 como a infla\u00e7\u00e3o se sustentar\u201d, explica o economista Carlos Thadeu Filho, s\u00f3cio da consultoria MacroAgro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O consumo est\u00e1 t\u00e3o travado, ressalta Thadeu, que a infla\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, fundamental para as decis\u00f5es de pol\u00edtica monet\u00e1ria do BC, n\u00e3o resistiu. De janeiro para fevereiro, baixou de 5,87% para 5,46%. Tudo indica que esse indicador encerrar\u00e1 este ano no n\u00edvel mais baixo em, pelo menos, uma d\u00e9cada e meia. E mais: ao longo de fevereiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o \u00edndice de difus\u00e3o, que mede a varia\u00e7\u00e3o de produtos e servi\u00e7os que tiveram reajustes, cedeu de 63,3% para 50,9%. Para o BC, um \u00edndice confort\u00e1vel \u00e9 sempre abaixo de 60%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os dados da infla\u00e7\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o favor\u00e1veis, que a grande maioria das institui\u00e7\u00f5es financeiras reduziu as estimativas para este ano, fato que se refletir\u00e1 na pesquisa semanal Focus realizada pelo BC. Maior banco privado do pa\u00eds, o Ita\u00fa Unibanco diminuiu a proje\u00e7\u00e3o para o IPCA de 4,4% para 4,1%. Pelos c\u00e1lculos do Bank of America Merril Lynch, a varia\u00e7\u00e3o do custo de vida ser\u00e1 de 4,4%. Thadeu, da MacroAgro, prev\u00ea 3,8%. \u201cDificilmente, a infla\u00e7\u00e3o ficar\u00e1 acima da meta. A probabilidade maior \u00e9 de que encerre 2017 bem pr\u00f3xima de 4%\u201d, afirma o economista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Agressividade<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mercado acredita que a tend\u00eancia \u00e9 de que, at\u00e9 \u00e0s v\u00e9speras da pr\u00f3xima reuni\u00e3o do Copom, o BC reforce o discurso de que acelerar\u00e1 o corte dos juros. Esse movimento come\u00e7ou a ser constru\u00eddo no comunicado p\u00f3s-reuni\u00e3o do Comit\u00ea, dias antes do carnaval. Agora, de posse de n\u00fameros mais consistentes da infla\u00e7\u00e3o e diante de perspectiva de lenta recupera\u00e7\u00e3o da economia, n\u00e3o ser\u00e1 problema para a institui\u00e7\u00e3o empurrar o mercado para um quase consenso de queda de um ponto dos juros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Marcos Casarin, economista-chefe para a Am\u00e9rica Latina da Oxford Economics, aposta que a maior agressividade do BC resultar\u00e1 em duas redu\u00e7\u00f5es seguidas da Selic de um ponto percentual, uma, em abril, outra, em maio. Os juros cederiam, portanto, para 10,25% ao ano. Essa aposta se baseia na necessidade de o BC dar uma sacudida na atividade, que se mant\u00e9m muito fraca. T\u00e3o debilitada que ele foi obrigado a rever as proje\u00e7\u00f5es de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 de 0,4% para 0,1%. Isso, depois de dois anos seguidos de recess\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Andr\u00e9 Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, um corte de 0,75 ponto nos juros n\u00e3o se justifica no quadro atual, de infla\u00e7\u00e3o em forte queda e de profunda deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. \u201cEssa leitura vai contra o que v\u00ednhamos argumentando. Acredit\u00e1vamos que o BC deixaria o mercado cortar os juros sozinho e ficaria, de maneira propositada, atr\u00e1s da curva para ter espa\u00e7o para agir em caso de necessidade. Mas as press\u00f5es no sentido de redu\u00e7\u00f5es maiores dos juros s\u00e3o substanciais. S\u00e3o press\u00f5es te\u00f3ricas, de ordem pol\u00edtica e de mercado\u201d, frisa. Todas com argumentos fortes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Auxiliares pr\u00f3ximos do presidente Michel Temer se assanharam com o resultado da infla\u00e7\u00e3o de fevereiro, que ficou em 0,33%, abaixo de todas as estimativas de mercado e o menor \u00edndice para o m\u00eas em 17 anos. 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