{"id":4319,"date":"2017-03-08T06:10:04","date_gmt":"2017-03-08T09:10:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4319"},"modified":"2017-03-08T10:59:02","modified_gmt":"2017-03-08T13:59:02","slug":"um-pais-em-frangalhos-e-com-futuro-incerto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/um-pais-em-frangalhos-e-com-futuro-incerto\/","title":{"rendered":"Um pa\u00eds em frangalhos e com futuro incerto"},"content":{"rendered":"<h2>POR ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>A maior recess\u00e3o da hist\u00f3ria da economia brasileira acabou com os sonhos de milh\u00f5es de brasileiros. A queda acumulada de 7,2% nos \u00faltimos dois anos destruiu 3,5 milh\u00f5es de postos de trabalho e levou o Produto Interno Bruto (PIB) aos n\u00edveis de setembro de 2010. Para piorar, o PIB per capita em 2016 registrou redu\u00e7\u00e3o real 4,4%, para R$ 30.407, superior \u00e0 retra\u00e7\u00e3o de 3,6% da gera\u00e7\u00e3o de riquezas no pa\u00eds. Significa dizer que somos um pa\u00eds mais pobre e as dificuldades para recuperar o que foi perdido s\u00e3o enormes diante da renova\u00e7\u00e3o da crise pol\u00edtica no pa\u00eds.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os sinais pol\u00edticos e econ\u00f4micos s\u00e3o contradit\u00f3rios. A infla\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, por exemplo, parece estar controlada e o Banco Central (BC) reduz os juros para tentar aliviar o sofrimento de consumidores e empresas que est\u00e3o com a corda no pesco\u00e7o. Entretanto, as den\u00fancias de que ministros do PMDB e o pr\u00f3prio presidente Michel Temer teriam participado de negociatas para financiamento de campanha podem levar o pa\u00eds \u00e0 paralisia semelhante a que ocorreu em 2016, durante o processo de impeachment de Dima Rousseff.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 de piora, j\u00e1 que, ministro Herman Benjamin, relator do processo de cassa\u00e7\u00e3o da chapa Dilma\/Temer, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcou para a pr\u00f3xima sexta-feira uma acarea\u00e7\u00e3o entre os delatores Marcelo Odebrecht, Cl\u00e1udio Melo Filho e Hilberto Mascarenhas. Os tr\u00eas deram vers\u00f5es distintas sobre o repasse de recursos da Odebrecht para a campanha presidencial de 2014 e ser\u00e3o ouvidos para que as d\u00favidas sejam dissipadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Integrantes da equipe econ\u00f4mica t\u00eam se esfor\u00e7ado para passar a mensagem de que a recess\u00e3o \u00e9 passado, mas sabem que os riscos de nova turbul\u00eancia crescem a cada semana, com o vazamento de dela\u00e7\u00f5es que comprometem Temer e seus principais auxiliares. Enquanto o quadro pol\u00edtico permanece turvo, os investidores nacionais e estrangeiros ficam em compasso de espera. Apesar da valoriza\u00e7\u00e3o da Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo (BM&amp;FBovespa), pr\u00f3xima dos 70 mil pontos, e da acomoda\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar em R$ 3,10, o fechamento de vagas no mercado de trabalho continua a todo vapor e a renda dos brasileiros continua a despencar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Somente nos \u00faltimos 12 meses encerrados em janeiro de 2017, 1,3 milh\u00e3o de pessoas deixam o mercado formal, conforme dados do Minist\u00e9rio do Trabalho. At\u00e9 janeiro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) estimou em 12,9 milh\u00f5es o n\u00famero de pessoas desocupadas. Para piorar, o rendimento real, atualmente em R$ 2.047 est\u00e1 longe dos n\u00edveis hist\u00f3ricos j\u00e1 registrados, que chegam a R$ 2.113. A diferen\u00e7a num\u00e9rica parece pequena, mas representa uma queda expressiva da massa de assalariados no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sem op\u00e7\u00e3o, muitos trabalhadores t\u00eam migrado para a informalidade. Com isso, perdem a cobertura do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em casos de acidente de trabalho ou doen\u00e7a. Muitos voltaram para as filas dos hospitais p\u00fablicos ap\u00f3s perder os planos de sa\u00fade. Nos \u00faltimos 12 meses encerrados em janeiro, 2,5 milh\u00f5es de pessoas perderam os conv\u00eanios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Arrocho<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o da economia brasileira ainda n\u00e3o est\u00e1 garantida, avalia o economista Alexandre Cabral, professor da escola de neg\u00f3cios FIA. Ele destaca que o desemprego em massa n\u00e3o permitir\u00e1 que as fam\u00edlias, que representam 60% da oferta, consumam. Para piorar, a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o precisar\u00e1 de pouca m\u00e3o de obra para voltar a produzir diante da ociosidade recorde da capacidade instalada. Na pr\u00e1tica, a gera\u00e7\u00e3o de postos de trabalho demorar\u00e1 significativamente para voltar aos n\u00edveis hist\u00f3ricos de novembro de 2014, quando o desemprego estava abaixo de 5%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No melhor dos cen\u00e1rios, que significa a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia no Congresso Nacional e melhora do ambiente pol\u00edtico, Cabral avalia que a economia brasileira n\u00e3o registrar\u00e1 crescimento em 2017, mas o ambiente para 2018 seria favor\u00e1vel diante da entrada significativa de investimentos estrangeiros. \u201cA gera\u00e7\u00e3o de empregos aos n\u00edveis hist\u00f3ricos ficar\u00e1 para daqui tr\u00eas anos. Not\u00edcia ruim vem r\u00e1pido, e as boas demoram a chegar\u201d, resumiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo aposta em uma agenda de concess\u00f5es para tentar tirar o pa\u00eds do atoleiro e gerar empregos, mas sabe que os desafios s\u00e3o enormes. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, j\u00e1 avisou que se for necess\u00e1rio, o Executivo enviar\u00e1 ao Congresso propostas para aumentar impostos para cumprir a meta fiscal, de um deficit de R$ 139 bilh\u00f5es. No mercado, os analistas ainda mant\u00eam a confian\u00e7a de que o Executivo manter\u00e1 a base aliada unida para aprovar as reformas e com isso manter o pa\u00eds nos trilhos para recupera\u00e7\u00e3o da economia. Enquanto isso, milh\u00f5es de brasileiros desolados aguardam o fim desse imbr\u00f3glio para voltar a ter renda e pagar as contas em dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h10min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR ANTONIO TEM\u00d3TEO A maior recess\u00e3o da hist\u00f3ria da economia brasileira acabou com os sonhos de milh\u00f5es de brasileiros. 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