{"id":4313,"date":"2017-03-07T09:30:11","date_gmt":"2017-03-07T12:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4313"},"modified":"2017-03-07T11:07:48","modified_gmt":"2017-03-07T14:07:48","slug":"aguenta-coracao-retomada-da-economia-sera-lenta-e-dolorosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/aguenta-coracao-retomada-da-economia-sera-lenta-e-dolorosa\/","title":{"rendered":"Aguenta, cora\u00e7\u00e3o: retomada da economia ser\u00e1 lenta e dolorosa"},"content":{"rendered":"<h2>O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou hoje o Produto Interno Bruto (PIB) de 2016, e o resultado n\u00e3o poderia ser mais dram\u00e1tico. A economia encolheu 3,6%, o segundo ano seguido de contra\u00e7\u00e3o, fato sem precedentes em quase um s\u00e9culo. Para os especialistas, por\u00e9m, apesar de muito ruim, esse dado \u00e9 passado. O que todos est\u00e3o se perguntando \u00e9 qual ser\u00e1 o ritmo de retomada da atividade. As proje\u00e7\u00f5es apontam para incremento de 0,5% em 2017 e de 2,4% em 2018. Ainda que esses n\u00fameros deem um certo al\u00edvio, as incertezas s\u00e3o muitas, sobretudo na seara pol\u00edtica.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os investidores reconhecem que as dela\u00e7\u00f5es premiadas da Odebrecht t\u00eam poder de sobra para fazer um grande estrago no governo. N\u00e3o \u00e0 toa, \u00e9 latente a tens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lista dos pol\u00edticos que ser\u00e3o denunciados pela Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica (PRG) ao Supremo Tribunal Federal (STF) e que poder\u00e3o ser alvos de inqu\u00e9ritos caso o ministro Edson Fachin aceite os argumentos de Rodrigo Janot. A expectativa \u00e9 de que ao menos 30 pol\u00edticos dos 170 listados pela Odebrecht como benefici\u00e1rios de propinas oriundas de contratos com a Petrobras estejam no radar do procurador-geral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que conforta os investidores \u00e9 a lentid\u00e3o do STF para tomar decis\u00f5es. A demora, acreditam os donos do dinheiro, dar\u00e1 uma importante margem de manobra ao governo de Michel Temer para levar adiante a promessa de aprovar, ainda no primeiro semestre do ano, as reformas da Previd\u00eancia e trabalhista. Desde mar\u00e7o de 2015, ou seja, h\u00e1 exatos dois anos, dos 47 pol\u00edticos denunciados pela PGR ao Supremo, apenas quatro viraram r\u00e9us: a senadora Gleisi Hoffmann, os deputados An\u00edbal Gomes e Nelson Meurer e o ex-presidente da C\u00e2mara Eduardo Cunha, que perdeu o foro privilegiado e est\u00e1 preso em Curitiba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNunca se torceu tanto, no mercado, para que o STF seja moroso em suas decis\u00f5es. O governo vai balan\u00e7ar com a nova lista de Janot, mas a nossa cren\u00e7a \u00e9 de que o presidente conseguir\u00e1 manter sua for\u00e7a no Congresso\u201d, diz um operador de um banco estrangeiro. Para ele, \u00e9 essencial que Temer entregue as reformas rapidamente, especialmente a da Previd\u00eancia, para que se tenha a certeza de que o ajuste das contas p\u00fablicas ser\u00e1 para valer. \u201cAt\u00e9 agora, temos um conjunto de boas inten\u00e7\u00f5es. O limite de teto para os gastos \u00e9 importante, mas s\u00f3 ter\u00e1 efeito se houver mudan\u00e7as na Previd\u00eancia\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Blindagem<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A despeito das enormes preocupa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao governo, o mercado financeiro decidiu blindar Temer. Os analistas acreditam que somente uma administra\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria, sem votos, ser\u00e1 capaz de aprovar no Congresso medidas t\u00e3o impopulares quanto as reformas trabalhista e previdenci\u00e1ria. \u201cMesmo tendo pouco apoio da popula\u00e7\u00e3o, Temer tem muita for\u00e7a no Legislativo. E \u00e9 isso o que importa. Tivemos presidentes superpopulares, mas que n\u00e3o conseguiram avan\u00e7ar com as reformas. Por isso, o mercado est\u00e1 dando um voto de confian\u00e7a ao atual governo, independentemente dos rumos da Lava-Jato\u201d, ressalta o mesmo operador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os investidores t\u00eam a exata no\u00e7\u00e3o de que Temer ter\u00e1 de entregar alguns de seus mais fi\u00e9is aliados, como o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, pego com tudo pela Lava-Jato, mas chegar\u00e1 de p\u00e9 em 2018, quando, efetivamente, a economia dar\u00e1 sinais mais claros de retomada do crescimento. \u201cOs pr\u00f3ximos quatro meses ser\u00e3o decisivos para o governo. Se conseguir aprovar as reformas, ter\u00e1 todo o apoio dos agentes econ\u00f4micos para levar o pa\u00eds adiante. Contudo, passado esse prazo sem vit\u00f3rias no Congresso, ser\u00e1 dif\u00edcil acalmar os \u00e2nimos. A crise voltar\u00e1 com tudo\u201d, enfatiza um executivo de um grande banco brasileiro. \u201cN\u00e3o vamos, por\u00e9m, pensar no pior agora. \u00c9 preciso manter sangue-frio\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mercado est\u00e1 t\u00e3o fixado na aprova\u00e7\u00e3o das reformas que n\u00e3o consegue enxergar mais adiante do ponto de vista pol\u00edtico. Dada \u00e0 confus\u00e3o geral que se tem no pa\u00eds, seria normal que j\u00e1 se especulasse sobre as elei\u00e7\u00f5es de 2018 e sobre qual pol\u00edtica econ\u00f4mica vigorar\u00e1 ap\u00f3s a posse do futuro presidente da Rep\u00fablica. Mas, como afirma a economista-chefe da CM Capital, Camila Abdelmalack, os tempos n\u00e3o s\u00e3o de normalidade. \u201cVivemos um quadro de muita incerteza, que requer o m\u00e1ximo de cautela, inclusive nas proje\u00e7\u00f5es para a economia. A vari\u00e1vel pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 mensur\u00e1vel\u201d, destaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nas m\u00e3os do Congresso<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Camila, uma coisa \u00e9 certa: a economia andar\u00e1 muito devagar. Nem mesmo a acelera\u00e7\u00e3o dos cortes da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) pelo Banco Central ser\u00e1 suficiente para reanimar a atividade para o n\u00edvel desejado. Ela afirma que o mercado de trabalho est\u00e1 muito debilitado, minando uma das principais alavancas do crescimento: o consumo das fam\u00edlias. As empresas, acrescenta a economista, n\u00e3o est\u00e3o apenas demitindo. Est\u00e3o fechando as portas. Isso significa dizer que, mesmo que a atividade reaja, haver\u00e1 menos empregadores para absorver a massa de 13 milh\u00f5es de desocupados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos da economista da CM Capital, o PIB subir\u00e1 0,5% neste ano e 1,5% em 2018. \u00c9 muito pouco para um pa\u00eds que, apenas nos dois \u00faltimos anos, encolheu mais de 7%. A severa recess\u00e3o fez com que o PIB voltasse aos n\u00edveis de 2012. \u201cA queda dos juros \u00e9 \u00f3tima, assim como a infla\u00e7\u00e3o convergindo para o centro da meta, de 4,5%. Mas n\u00e3o d\u00e1 para acreditar que a economia crescer\u00e1 rapidamente\u201d, diz. Na avalia\u00e7\u00e3o dela, os n\u00f3s s\u00f3 come\u00e7ar\u00e3o a ser desatados de verdade quando o Congresso, altamente rejeitado pela popula\u00e7\u00e3o, aprovar as reformas. \u00c9 o Legislativo, e n\u00e3o o governo, que dar\u00e1 o tom da recupera\u00e7\u00e3o da atividade daqui por diante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 09h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou hoje o Produto Interno Bruto (PIB) de 2016, e o resultado n\u00e3o poderia ser mais dram\u00e1tico. A economia encolheu 3,6%, o segundo ano seguido de contra\u00e7\u00e3o, fato sem precedentes em quase um s\u00e9culo. Para os especialistas, por\u00e9m, apesar de muito ruim, esse dado \u00e9 passado. 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