{"id":4293,"date":"2017-03-03T06:30:19","date_gmt":"2017-03-03T09:30:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4293"},"modified":"2017-03-03T09:21:39","modified_gmt":"2017-03-03T12:21:39","slug":"para-investidores-o-que-importa-e-preservar-temer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/para-investidores-o-que-importa-e-preservar-temer\/","title":{"rendered":"Para investidores, o que importa \u00e9 preservar Temer"},"content":{"rendered":"<p>Apesar das boas not\u00edcias vindas do Banco Central, que admitiu, tardiamente, a possibilidade de acelerar os cortes da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), o Pal\u00e1cio do Planalto teme que o fantasma Odebrecht possa azedar o humor dos investidores. Se o presidente Michel Temer conseguiu, nesse primeiro momento, sair ileso do depoimento de Marcelo Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), j\u00e1 que o empres\u00e1rio n\u00e3o o associou a qualquer pedido de caixa dois para financiamento de campanhas, os riscos de o governo ser solapado pelas dela\u00e7\u00f5es de executivos da construtora continuam latentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A maior preocupa\u00e7\u00e3o dos donos do dinheiro \u00e9 que den\u00fancias concretas contra Temer reduzam a for\u00e7a dele no Congresso, inviabilizando a aprova\u00e7\u00e3o de reformas importantes, como a da Previd\u00eancia Social e a trabalhista. A aposta dos investidores em uma vit\u00f3ria do governo \u00e9 pesada. Muitos acreditam que o projeto que prop\u00f5e mudan\u00e7as no sistema previdenci\u00e1rio ser\u00e1 aprovado at\u00e9 o fim deste m\u00eas na Comiss\u00e3o Especial da C\u00e2mara, seguindo para avalia\u00e7\u00e3o, em dois turnos, no plen\u00e1rio. Qualquer ru\u00eddo nesse cronograma ser\u00e1 precificado pelo mercado e pode reverter o otimismo com o qual o Planalto tanto conta para a retomada da economia. Temer fala em crescimento superior a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os investidores, pouco importa se Temer decidiu sacrificar seu amigo e ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que est\u00e1 encrencado at\u00e9 o pesco\u00e7o com as dela\u00e7\u00f5es da Odebrecht. Afastado do governo por quest\u00e3o de sa\u00fade, Padilha j\u00e1 \u00e9 tratado como ex-ministro por muitos aliados do presidente da Rep\u00fablica. O sinal mais forte disso, dizem assessores de Temer, foi o fato de o chefe da Casa Civil ter sido jogado no centro da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato pelo primeiro amigo do presidente, Jos\u00e9 Yunes. Ele disse ter sido \u201cmula de Padilha\u201d, ao receber um envelope em seu escrit\u00f3rio entregue por L\u00facio Funaro, que est\u00e1 preso. O pacote estaria recheado de parte dos R$ 10 milh\u00f5es repassados pela Odebrecht ao PMDB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA movimenta\u00e7\u00e3o de Yunes teve o claro intuito de livrar Temer de qualquer acusa\u00e7\u00e3o\u201d, diz um integrante do Planalto. \u201cN\u00e3o h\u00e1 como imaginar uma pessoa t\u00e3o pr\u00f3xima do presidente \u2014 eles s\u00e3o amigos h\u00e1 50 anos \u2014 fazendo uma den\u00fancia t\u00e3o grave contra um ministro com tanta for\u00e7a dentro do governo\u201d, refor\u00e7a. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que \u00e9 melhor sacrificar Padilha do que correr o risco de enfraquecer o presidente. \u201cCaso o ministro seja afastado definitivamente, o governo perder\u00e1 uma pe\u00e7a muito importante, pois \u00e9 a pessoa que melhor se relaciona com o Congresso. Mas n\u00e3o ser\u00e1 o fim\u201d, complementa o assessor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Fim da anomalia<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Economista-chefe da gestora de recursos Quantitas, Ivo Chermont se diz otimista. \u201cO risco pol\u00edtico existe, mas, se nada chegar a Temer, n\u00e3o haver\u00e1 problemas. O presidente precisa se manter forte para levar adiante as reformas. \u00c9 isso que os investidores querem\u201d, ressalta. As mudan\u00e7as no sistema previdenci\u00e1rio s\u00e3o t\u00e3o importantes, destaca Chermont, que o Banco Central condiciona a aprova\u00e7\u00e3o delas para que o Brasil possa conviver com juros reais estruturais muito mais baixos. As taxas, que descontam a infla\u00e7\u00e3o, podem chegar a 3,5%, corrigindo uma anomalia que tanto prejudica o crescimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o do economista da Quantitas \u00e9 de que, com a infla\u00e7\u00e3o em queda e sem estresse envolvendo Temer, o BC pisar\u00e1 mais forte no corte da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) na reuni\u00e3o de abril do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom). A redu\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser de um ponto percentual, de 12,25% para 11,25%. \u201cA minha aposta \u00e9 de que a Selic fechar\u00e1 2017 em 8,25%. Para isso, contundo, \u00e9 preciso que o quadro pol\u00edtico se mantenha dentro do previsto e as reformas sejam aprovadas\u201d, ressalta. Pelos c\u00e1lculos dele, a infla\u00e7\u00e3o deste ano ficar\u00e1 em 4%, n\u00edvel que n\u00e3o se v\u00ea desde 2009.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para M\u00e1rcio Fontes, s\u00f3cio da Itaim Asset, o BC est\u00e1 focado em dar est\u00edmulos extras \u00e0 economia, que enfrenta a maior recess\u00e3o da hist\u00f3ria. Na opini\u00e3o dele, enquanto a pol\u00edtica permitir e as reformas avan\u00e7arem, a autoridade monet\u00e1ria se sentir\u00e1 confort\u00e1vel para acelerar no processo de diminui\u00e7\u00e3o dos juros. \u201cSe compararmos o momento atual da economia com o observado no primeiro trimestre de 2009, quando o Brasil sentiu o baque do estouro da bolha imobili\u00e1ria nos Estados Unidos, vivemos uma situa\u00e7\u00e3o muito mais dif\u00edcil agora. Naquele per\u00edodo, a Selic caiu 3,75 pontos percentuais. Ent\u00e3o, h\u00e1 espa\u00e7o de sobra para o BC apressar os passos na redu\u00e7\u00e3o dos juros\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fontes destaca ainda que nem mesmo um poss\u00edvel estresse provocado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ou pelo Federal Reserve (Fed), o BC norte-americano, ser\u00e1 suficiente para impedir o BC de levar adiante a queda da Selic. Por uma simples raz\u00e3o: a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 caindo mais r\u00e1pido do que se imaginava e a economia demorando mais tempo para reagir. \u00c9 o quadro cl\u00e1ssico em que os bancos centrais precisam ser mais ousados para evitar que a popula\u00e7\u00e3o arque com uma fatura maior. N\u00e3o se pode esquecer de que o ex\u00e9rcito de 13 milh\u00f5es de desempregados s\u00f3 come\u00e7ar\u00e1 a ser revertido quando a ind\u00fastria voltar a produzir e o com\u00e9rcio, a vender. Por enquanto, infelizmente, isso \u00e9 mais desejo do que realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Bras\u00edlia, 06h30min<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar das boas not\u00edcias vindas do Banco Central, que admitiu, tardiamente, a possibilidade de acelerar os cortes da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), o Pal\u00e1cio do Planalto teme que o fantasma Odebrecht possa azedar o humor dos investidores. 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