{"id":4287,"date":"2017-03-02T03:01:15","date_gmt":"2017-03-02T06:01:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4287"},"modified":"2017-03-02T09:36:20","modified_gmt":"2017-03-02T12:36:20","slug":"juros-reais-no-brasil-podem-cair-para-4-ao-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/juros-reais-no-brasil-podem-cair-para-4-ao-ano\/","title":{"rendered":"Juros reais no Brasil podem cair para 4% ao ano"},"content":{"rendered":"<h2>A grande discuss\u00e3o hoje, no mercado financeiro, \u00e9 sobre o tamanho de juro real de equil\u00edbrio que o Brasil pode conviver sem que a infla\u00e7\u00e3o saia do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%. O debate se justifica diante da perspectiva de que a taxa b\u00e1sica da economia (Selic), que est\u00e1 em 12,25% ao ano, poder\u00e1 chegar ao fim de 2017 a um d\u00edgito, entre 9% e 9,5%. Da \u00faltima vez em que o pa\u00eds viu a Selic abaixo de 10%, no governo de Dilma Rousseff, um surto inflacion\u00e1rio deu as caras, destruindo boa parte das riquezas constru\u00eddas nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. O descontrole de pre\u00e7os foi imperativo para empurrar o Brasil para a mais severa recess\u00e3o da hist\u00f3ria.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os juros reais de equil\u00edbrio s\u00e3o resultado do desconto da infla\u00e7\u00e3o da Selic. \u00c9 o que efetivamente importa para a tomada de decis\u00f5es de investimentos, sobretudo os produtivos, que fazem a m\u00e1quina da economia girar. Nas contas de analistas, os juros reais de equil\u00edbrio no pa\u00eds seriam, hoje, de 4% a 4,5% \u2014 baixas para o hist\u00f3rico brasileiro, mas ainda distantes das que se veem no mundo civilizado. Com taxas nesse patamar, acreditam os especialistas, o Brasil conseguir\u00e1 caminhar tranquilamente sem que o custo de vida se torne um problema. Isso, \u00e9 claro, desde que haja responsabilidade na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que sustenta o discurso dos analistas sobre os juros reais de equil\u00edbrio \u00e9 o tamanho da recess\u00e3o brasileira. Como o potencial de crescimento do pa\u00eds diminuiu muito, mesmo que, neste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) retome o f\u00f4lego e avance, em m\u00e9dia, entre 2% e 2,5% nos pr\u00f3ximos tr\u00eas ou quatro anos, n\u00e3o haver\u00e1 impacto sobre a infla\u00e7\u00e3o. Essa percep\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o clara, que todas as proje\u00e7\u00f5es do mercado para o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) est\u00e3o ancoradas no centro da meta. Muitos especialistas acreditam, inclusive, que a infla\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos pode se acomodar abaixo de 4%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Energia e combust\u00edvel<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A perspectiva para a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o favor\u00e1vel, que as cinco institui\u00e7\u00f5es que mais acertam as pesquisas semanais realizadas pelo BC, os Top Five, j\u00e1 est\u00e3o estimando IPCA neste ano abaixo do centro da meta. A proje\u00e7\u00e3o est\u00e1 em 4,07%, mesmo com a Selic encerrando o ano em 9,25%. Ou seja, independentemente de os juros ca\u00edrem a um d\u00edgito, o custo de vida n\u00e3o ser\u00e1 problema para a autoridade monet\u00e1ria. Muito pelo contr\u00e1rio. Os mesmos Top Five acreditam que, em 2018, quando a taxa b\u00e1sica dever\u00e1 recuar para 8,50%, a infla\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 pr\u00f3xima de 4,5%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nem mesmo a decis\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel) de retomar a bandeira amarela na conta de luz, o que implicar\u00e1 em reajuste m\u00e9dio de 4% nas tarifas, muda a percep\u00e7\u00e3o dos analistas. O impacto dessa medida no IPCA ser\u00e1 de 0,16 ponto percentual na infla\u00e7\u00e3o. Esse efeito, por\u00e9m, ser\u00e1 praticamente anulado pela redu\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis e nas contas de telefone, que, juntos, devem tirar 0,15 ponto do custo de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro do governo, h\u00e1 quem acredite que o IPCA deste ano esteja mais pr\u00f3ximo de 3% do que de 4%. Por isso, muitos n\u00e3o escondem a decep\u00e7\u00e3o com o fato de o BC n\u00e3o ter acelerado, na semana passada, o corte da Selic de 0,75 para um ponto percentual. Um assessor do presidente Michel Temer ressalta que, quando abril chegar, o Copom concluir\u00e1, em sua reuni\u00e3o, que errou ao n\u00e3o ter agido com um pouco mais de ousadia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cPor sinal, estamos ansiosos pela ata do Copom da semana passada, quando os juros ca\u00edram de 13% para 12,25% ao ano. Queremos entender os reais motivos que resultaram no comedimento da diretoria comandada por Ilan Goldfajn\u201d, diz o assessor presidencial. A ata ser\u00e1 divulgada hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 03h01min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A grande discuss\u00e3o hoje, no mercado financeiro, \u00e9 sobre o tamanho de juro real de equil\u00edbrio que o Brasil pode conviver sem que a infla\u00e7\u00e3o saia do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%. 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