{"id":4268,"date":"2017-02-24T06:10:39","date_gmt":"2017-02-24T09:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4268"},"modified":"2017-02-24T10:50:50","modified_gmt":"2017-02-24T13:50:50","slug":"dolar-baixo-infla-tensao-nas-fabricas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/dolar-baixo-infla-tensao-nas-fabricas\/","title":{"rendered":"D\u00f3lar baixo infla tens\u00e3o nas f\u00e1bricas"},"content":{"rendered":"<h2>A reforma da Previd\u00eancia Social \u00e9 importante para o pa\u00eds, mas, na vis\u00e3o do empresariado, nada \u00e9 mais primordial para a retomada da economia do que a flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas e as mudan\u00e7as no sistema tribut\u00e1rio. Por terem efeito imediato na atividade, os industriais acreditam que o governo n\u00e3o deve abrir m\u00e3o de aprov\u00e1-las ainda neste ano. Sem um sistema que facilite as contrata\u00e7\u00f5es de trabalhadores e sem uma carga de impostos menos danosa, a recupera\u00e7\u00e3o do Brasil se dar\u00e1 em um ritmo muito lento, em que a cria\u00e7\u00e3o de empregos ficar\u00e1 aqu\u00e9m do necess\u00e1rio. Pelos c\u00e1lculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 24,3 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o desocupadas ou trabalham menos do que gostariam.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A press\u00e3o do empresariado sobre o governo e o Congresso ser\u00e1 grande daqui por diante, avisa Edson Campagnolo, vice-presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) e presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Paran\u00e1. Nos \u00faltimos dias, um grupo de industriais percorreu o Pal\u00e1cio do Planalto, a C\u00e2mara e o Senado para apresentar 10 pontos que o setor considera primordiais para o pa\u00eds sair do atoleiro. H\u00e1, no entender de Campagnolo, apoio dos donos do dinheiro \u00e0 administra\u00e7\u00e3o de Michel Temer, mas o governo deve apressar o passo para que os n\u00f3s que atrapalham a produ\u00e7\u00e3o sejam desatados num ritmo mais veloz. \u201cSem isso, n\u00e3o h\u00e1 como se falar em crescimento econ\u00f4mico superior a 1% neste ano\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio reconhece que h\u00e1 boa vontade do governo e do Congresso para p\u00f4r fim \u00e0 recess\u00e3o. Mas s\u00f3 isso n\u00e3o \u00e9 suficiente. Ele conta que ouviu do presidente do Senado, Eun\u00edcio Oliveira, um relato importante sobre uma conversa que o parlamentar teve com Temer no dia da sabatina de Alexandre Moraes para o Supremo Tribunal Federal (STF). \u201cO senador Eun\u00edcio disse ao presidente que o futuro do governo passa pela recupera\u00e7\u00e3o da economia. Portanto, a hora \u00e9 de se trabalhar pesado para a retomada do crescimento e a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda. Temer concordou com tudo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Concordar, no entanto, faz parte do jogo. \u00c9 preciso agir. O vice-presidente da CNI diz que o Planalto deveria come\u00e7ar seus movimentos por meio do programa de renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00e9bitos tribut\u00e1rios, o Refis. \u201cDo jeito que foi enviado ao Legislativo, o programa em nada favorece as empresas, sobretudo as pequenas e as m\u00e9dias, j\u00e1 que, no caso das micros, houve um sistema especial de renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00e9bitos, e, no das grandes, as regras atuais acabam se encaixando\u201d, ressalta. \u201cO governo se esqueceu de que s\u00e3o justamente as pequenas e as m\u00e9dias empresas que mais empregam. Se elas n\u00e3o conseguirem reorganizar suas finan\u00e7as, em vez de voltarem a contratar, fechar\u00e3o as portas\u201d, completa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refis direcionado<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Campagnolo explica que um Refis que n\u00e3o d\u00e1 desconto em multas e juros n\u00e3o funciona para as empresas. Mesmo o prazo definido para o parcelamento dos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u00c9 preciso, segundo ele, ampliar as parcelas de 120 para 180 meses. \u201cMostramos para os minist\u00e9rios da Fazenda e do Planejamento que, sem ajustes, o Refis n\u00e3o funcionar\u00e1. Pior, agravar\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o das empresas que n\u00e3o conseguirem aderir ao programa\u201d, frisa. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, do jeito que o projeto est\u00e1, ficou a impress\u00e3o de que tudo foi feito de forma direcionada, para atender grupos espec\u00edficos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio assinala que o n\u00e3o pagamento de tributos foi uma das \u00faltimas op\u00e7\u00f5es das empresas. Primeiro, reduziu-se custos. Depois, enxugou-se o quadro de pessoal. Como o faturamento s\u00f3 fazia cair por causa da recess\u00e3o, a sa\u00edda foi ficar em d\u00e9bito com a Receita Federal. \u201cDiante desse quadro dram\u00e1tico, estamos seguindo a recomenda\u00e7\u00e3o que nos foi dada por Henrique Meirelles e Dyogo Oliveira. Fomos para o que eles chamam de palco de negocia\u00e7\u00f5es\u201d, enfatiza. \u201cPor meio da CNI, apresentamos 50 emendas ao projeto do Refis. No total, s\u00e3o 350 emendas. Precisamos que o governo nos d\u00ea apoio\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com as mudan\u00e7as no Refis, a ind\u00fastria pede que o Congresso sacramente o principal ponto do projeto de reforma trabalhista encaminhado pelo Planalto: as conven\u00e7\u00f5es coletivas entre patr\u00f5es e empregados devem se sobrep\u00f4r \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio que deputados e senadores aprovem a terceiriza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o pontos, segundo Campagnolo, fundamentais para dar novo alento ao setor produtivo. A ind\u00fastria est\u00e1 encolhendo h\u00e1 quatro anos seguidos. Atualmente, na m\u00e9dia, um ter\u00e7o das f\u00e1bricas est\u00e1 ocioso. Ou seja, levar\u00e1 tempo para que as m\u00e1quinas sejam religadas e as contrata\u00e7\u00f5es, retomadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em meio \u00e0s demandas, ressalta Campagnolo, surgiu no horizonte um grande problema: o derretimento do d\u00f3lar. A moeda est\u00e1 caminhando rapidamente para os R$ 3, minando o que ainda resta de competitividade dos produtos brasileiros no exterior. Para o empres\u00e1rio, o Banco Central deveria ter reduzido, na quarta-feira, a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em um ponto percentual e n\u00e3o em 0,75 ponto. Com isso, inibiria um pouco a entrada de recursos estrangeiros no pa\u00eds e baratearia um pouco mais o custo do capital. \u201cJ\u00e1 nos frustramos no in\u00edcio do governo Temer, quando se acreditou que, com o impeachment, a economia melhoraria rapidamente. N\u00e3o podemos nos frustrar de novo\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h10min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma da Previd\u00eancia Social \u00e9 importante para o pa\u00eds, mas, na vis\u00e3o do empresariado, nada \u00e9 mais primordial para a retomada da economia do que a flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas e as mudan\u00e7as no sistema tribut\u00e1rio. 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