{"id":4228,"date":"2017-02-21T07:03:40","date_gmt":"2017-02-21T10:03:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4228"},"modified":"2017-02-21T10:08:03","modified_gmt":"2017-02-21T13:08:03","slug":"bancos-viram-entrave-para-que-financiamento-da-casa-propria-deslanche","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/bancos-viram-entrave-para-que-financiamento-da-casa-propria-deslanche\/","title":{"rendered":"Bancos viram entrave para que financiamento da casa pr\u00f3pria deslanche"},"content":{"rendered":"<p>O governo anunciou, nas \u00faltimas semanas, uma s\u00e9rie de medidas para incrementar a constru\u00e7\u00e3o civil, setor que representa 9% do Produto Interno Bruto (PIB) e que tem um grande efeito multiplicador, mas de pouco adiantar\u00e1 se o pacote n\u00e3o vier acompanhado de uma forte queda nas taxas de juros. Al\u00e9m de os financiamentos estarem caros, os bancos t\u00eam restringido o acesso ao cr\u00e9dito. Preferem ficar com os recursos aplicados em t\u00edtulos p\u00fablicos, que rendem pelo menos 13% ao ano, sem nenhum esfor\u00e7o, do que financiar a casa pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do presidente da C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o (Cbic), Jos\u00e9 Carlos Martins, chegou a hora de o Banco Central dar sua contribui\u00e7\u00e3o para que o setor saia do atoleiro. \u201cAssim como o Minist\u00e9rio da Fazenda tomou uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es para facilitar os neg\u00f3cios no mercado de im\u00f3veis, o BC precisa reduzir os juros rapidamente para for\u00e7ar os bancos a liberarem cr\u00e9dito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o\u201d, diz. Isso, acrescenta ele, passa pelo corte da taxa b\u00e1sica (Selic) de 13% para 12% ao ano na reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), que come\u00e7a hoje e termina amanh\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Martins conta que os bancos v\u00eam impondo condi\u00e7\u00f5es pesadas \u00e0s construtoras para liberar empr\u00e9stimos. \u201cAs linhas de cr\u00e9dito, que eram renovadas automaticamente nas datas de vencimento, est\u00e3o sendo cortadas em muito casos. Quando algum dinheiro \u00e9 liberado, as taxas de juros s\u00e3o muito maiores do que nas opera\u00e7\u00f5es anteriores. Passam de 9% para 19% ao ano\u201d, diz. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3. As exig\u00eancias de garantias ficaram maiores, pois as institui\u00e7\u00f5es subavaliam os im\u00f3veis, e os prazos de car\u00eancia para o in\u00edcio dos pagamentos diminu\u00edram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOs bancos est\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o muito confort\u00e1vel. Se aproveitam dos juros altos dos t\u00edtulos p\u00fablicos para engordar os lucros. Enquanto isso, o setor produtivo, que movimenta a economia, cria empregos, sofre com as restri\u00e7\u00f5es ao cr\u00e9dito\u201d, frisa Martins. Essa insensibilidade do sistema banc\u00e1rio, destaca ele, pode enterrar todas as chances de a constru\u00e7\u00e3o civil se recuperar nos pr\u00f3ximos meses. \u201cMantido o quadro atual, quando chegarmos \u00e0 t\u00e3o esperada taxa de juros de um d\u00edgito, muitas empresas estar\u00e3o mortas\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Porta de entrada<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o presidente da Cbic, n\u00e3o \u00e9 por acaso que o governo tem procurado facilitar o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) para a compra da casa pr\u00f3pria. O total de recursos bancados pelo fundo saltou de R$ 40 bilh\u00f5es para R$ 50 bilh\u00f5es entre 2014 e 2016 e deve atingir R$ 65 bilh\u00f5es neste ano. J\u00e1 o volume desembolsado pelos bancos, com base em dinheiro depositado na caderneta de poupan\u00e7a, desabou, no mesmo per\u00edodo, de R$ 117 bilh\u00f5es para R$ 39 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cHouve uma combina\u00e7\u00e3o de fatores para a retra\u00e7\u00e3o dos financiamentos com recursos da poupan\u00e7a. Al\u00e9m da falta de disposi\u00e7\u00e3o dos bancos, os juros subiram muito e as fam\u00edlias decidiram adiar a compra de im\u00f3veis. Historicamente, quem recorre a essas linhas n\u00e3o est\u00e1 comprando o primeiro im\u00f3vel. Normalmente, est\u00e1 trocando por algo melhor\u201d, explica Martins. Os recursos do FGTS, por sua vez, s\u00e3o a porta de entrada para a t\u00e3o sonhada casa pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por isso, ressalta o executivo, foi importante o governo ter ampliado as faixas de renda do Minha Casa Minha Vida. Agora, os benefici\u00e1rios poder\u00e3o conjugar subs\u00eddios maiores e juros mais acess\u00edveis. \u201cN\u00e3o podemos esquecer que os bancos n\u00e3o ligam muito para as fam\u00edlias com renda de at\u00e9 R$ 9 mil, porque elas n\u00e3o usam muitos servi\u00e7os banc\u00e1rios. As institui\u00e7\u00f5es querem fidelizar os clientes por 30 anos, para que paguem todo tipo de tarifa, usem cart\u00e3o de cr\u00e9dito. Os bancos querem rentabilidade. Incluem tudo na hora de definir quanto v\u00e3o cobrar de juros da clientela\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Crise diferente<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar dos movimentos feitos pelo governo, o PIB da constru\u00e7\u00e3o civil dever\u00e1 crescer este ano entre 0,2% e 0,3%, abaixo do 0,5% projetado para toda a economia. O estrago no setor nos \u00faltimos tr\u00eas anos foi enorme. Nos c\u00e1lculos mais conservadores, o PIB da constru\u00e7\u00e3o encolheu 10%. Foram fechadas, em igual per\u00edodo, mais de 1 milh\u00e3o de vagas. \u201cPara crescer, \u00e9 preciso mais do que foi feito. N\u00e3o se pode esquecer que a crise que enfrentamos \u00e9 a maior desde 1901, como diz o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Ou seja, crise diferente tem que ser tratada de forma diferente\u201d, afirma Martins.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele destaca que a amplia\u00e7\u00e3o, para R$ 1,5 milh\u00e3o, do teto do valor dos im\u00f3veis nos quais os compradores podem usar FGTS veio em boa hora, pois permitir\u00e1 que as construtoras desovem estoques e possam retomar os lan\u00e7amentos. Ele ressalta, por\u00e9m, que a medida precisa ser tempor\u00e1ria, para que os recursos do fundo sejam destinados aos trabalhadores de menor renda, que s\u00e3o relegados pelos bancos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 07h03min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo anunciou, nas \u00faltimas semanas, uma s\u00e9rie de medidas para incrementar a constru\u00e7\u00e3o civil, setor que representa 9% do Produto Interno Bruto (PIB) e que tem um grande efeito multiplicador, mas de pouco adiantar\u00e1 se o pacote n\u00e3o vier acompanhado de uma forte queda nas taxas de juros. 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