{"id":4224,"date":"2017-02-18T10:28:57","date_gmt":"2017-02-18T12:28:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4224"},"modified":"2017-02-20T10:33:29","modified_gmt":"2017-02-20T13:33:29","slug":"juros-da-ousadia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/juros-da-ousadia\/","title":{"rendered":"Juros da ousadia"},"content":{"rendered":"<p>A determina\u00e7\u00e3o clara do presidente Michel Temer \u00e9 que ningu\u00e9m fale, oficialmente, sobre a reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central marcada para a pr\u00f3xima semana. Mas, nos corredores do Pal\u00e1cio do Planalto, sobretudo na ala pol\u00edtica, o assunto est\u00e1 na ordem do dia. Em busca de boas not\u00edcias na economia para tentar reverter a baixa popularidade do governo, aumentou \u2014 e muito \u2014 a tens\u00e3o para que o time liderado por Ilan Goldfajn surpreenda mais uma vez o mercado e acelere o corte na taxa b\u00e1sica de juros (Selic) para um ponto percentual, de 13% para 12% ao ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assessores palacianos reconhecem que Ilan assumiu, publicamente, o discurso de que o ritmo de redu\u00e7\u00e3o da Selic ser\u00e1 de 0,75 ponto por reuni\u00e3o do Copom. Afirmam, por\u00e9m, que, desde tal declara\u00e7\u00e3o, todos os indicadores monitorados pelo BC para definir a taxa b\u00e1sica s\u00f3 melhoraram. No encontro de janeiro do Comit\u00ea, o d\u00f3lar estava cotado a R$ 3,25. Ontem, fechou a R$ 3,09, mas muitos especialistas veem a moeda norte-americana abaixo de R$ 3 nas pr\u00f3ximas semanas, diante do grande volume de recursos estrangeiros que est\u00e1 entrando no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 as expectativas de infla\u00e7\u00e3o cederam, no mesmo per\u00edodo, de 4,80% para 4,47%. Essa queda est\u00e1 se dando, principalmente, pela forte retra\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos alimentos, como mostra a segunda quadrissemana do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo da Fipe (IPC-Fipe). Enquanto o indicador geral ficou em 0,02%, o grupo alimenta\u00e7\u00e3o desabou 0,40%. O mesmo comportamento foi observado na segunda pr\u00e9via do \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os \u2014 Mercado (IGP-M), de apenas 0,02%. No mesmo per\u00edodo de janeiro, a taxa havia sido de 0,76%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3, como ressaltam integrantes do governo. Os pre\u00e7os dos servi\u00e7os, os quais o BC sempre aponta como os mais resistentes e que mais contaminam a infla\u00e7\u00e3o futura, est\u00e3o nos n\u00edveis mais baixos desde 2002 para meses de janeiro: subiram apenas 0,36%. Quando descontados todos os fatores at\u00edpicos, resultando no que o BC chama de n\u00facleo, a infla\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os acumulada em 12 meses cedeu de 9,40%, em outubro de 2015, para 5,74% em janeiro \u00faltimo. Ou seja, os argumentos da autoridade monet\u00e1ria para ir mais devagar no corte dos juros est\u00e3o se desmanchando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vis\u00e3o parcial<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro do governo, todos reconhecem a capacidade acad\u00eamica dos atuais diretores do BC comandados por Ilan Goldfajn, mas ressaltam que falta uma vis\u00e3o de mercado para equilibrar o jogo. Por isso, ressaltam assessores do Pal\u00e1cio do Planalto, ser\u00e1 preciso que os analistas privados ampliem o coro de que o melhor a ser feito neste momento \u00e9 reduzir a Selic em um ponto, para 12% ano. O BC, segundo os assessores palacianos, n\u00e3o pode carregar a pecha de que est\u00e1 segurando uma retomada mais forte da economia, depois de sete trimestres seguidos de recess\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo entre t\u00e9cnicos do BC que coletam informa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o repassadas \u00e0 diretoria da institui\u00e7\u00e3o, a vis\u00e3o \u00e9 de que h\u00e1 espa\u00e7o de sobra para que a Selic caia de 13% para 12% na pr\u00f3xima semana. Alegam que a recess\u00e3o foi t\u00e3o profunda e que h\u00e1 tanta dificuldade para a retomada da atividade que h\u00e1 o risco de a infla\u00e7\u00e3o surpreender para baixo, isto \u00e9, encerrar o ano aqu\u00e9m dos 4,5% definidos como centro da meta pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN). Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 por que esperar pela reuni\u00e3o de abril. Quanto antes o BC agir, mais a economia sentir\u00e1 os efeitos do custo menor do dinheiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00e9cnicos do BC reconhecem que a atual diretoria do banco \u00e9 muito cautelosa, extremamente preocupada com a reputa\u00e7\u00e3o. Teme cometer erros na gest\u00e3o de pol\u00edtica monet\u00e1ria como os que minaram a confian\u00e7a da administra\u00e7\u00e3o anterior, comandada por Alexandre Tombini. O BC de Ilan, reconhecem os t\u00e9cnicos, prefere errar pelo excesso de conservadorismo, mesmo que isso signifique uma demora maior para um crescimento mais robusto da atividade. \u201cN\u00e3o se pode esquecer que, em m\u00e9dia, o efeito da pol\u00edtica monet\u00e1ria demora de seis a nove meses para ser sentido\u201d, destaca um dos t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Custo real<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do economista Carlos Thadeu Filho, s\u00f3cio da consultoria MacroAgro, como a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 em queda \u2014 ele projeta 3,9% para todo o ano \u2014, se o BC cortar a Selic em 0,75 ponto na pr\u00f3xima semana, a taxa real de juros vai aumentar mais, um veneno para a economia. \u201cN\u00e3o h\u00e1 motivo para o BC frustrar a economia. Uma redu\u00e7\u00e3o de um ponto percentual agora, para 12%, \u00e9 perfeitamente normal. V\u00e1rios economistas de peso dizem isso\u201d, refor\u00e7a. Uma postura mais cautelosa do BC s\u00f3 interessa aos bancos, que poder\u00e3o aumentar um pouco mais os lucros, pois s\u00e3o grandes detentores de t\u00edtulos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A perspectiva de infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o favor\u00e1vel que h\u00e1 analistas falando em um \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) entre 0,20% e 0,25% em mar\u00e7o. Se isso ocorrer, a taxa acumulada no primeiro trimestre encostar\u00e1 em 1%, o que n\u00e3o se v\u00ea h\u00e1 muito tempo. \u201cA economia pede medidas urgentes de est\u00edmulos, como um corte maior dos juros. O bom de tudo \u00e9 que a flexibiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria poder\u00e1 ser feita sem o risco de a infla\u00e7\u00e3o voltar a subir. N\u00e3o h\u00e1 demanda para isso. As fam\u00edlias est\u00e3o superendividadas e as empresas est\u00e3o dispostas a desovar os estoques\u201d, refor\u00e7a Thadeu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portanto, est\u00e1 nas m\u00e3os do BC explicitar o quanto est\u00e1 confiante no controle da infla\u00e7\u00e3o e no compromisso do governo com o equil\u00edbrio fiscal. O mercado financeiro j\u00e1 deu seu voto de apoio. Tanto que o d\u00f3lar est\u00e1 derretendo e a bolsa de valores bate recordes. Os juros precisam cair mais r\u00e1pido. O momento \u00e9 de ousadia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 10h28min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A determina\u00e7\u00e3o clara do presidente Michel Temer \u00e9 que ningu\u00e9m fale, oficialmente, sobre a reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central marcada para a pr\u00f3xima semana. Mas, nos corredores do Pal\u00e1cio do Planalto, sobretudo na ala pol\u00edtica, o assunto est\u00e1 na ordem do dia. 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