{"id":4196,"date":"2017-02-16T06:57:26","date_gmt":"2017-02-16T08:57:26","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4196"},"modified":"2017-02-16T10:03:10","modified_gmt":"2017-02-16T12:03:10","slug":"os-riscos-dos-desarranjos-do-dolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/os-riscos-dos-desarranjos-do-dolar\/","title":{"rendered":"Os riscos dos desarranjos do d\u00f3lar"},"content":{"rendered":"<p>Que o Banco Central est\u00e1 usando o d\u00f3lar para derrubar a infla\u00e7\u00e3o ningu\u00e9m tem d\u00favidas. A grande pergunta que todos est\u00e3o se fazendo \u00e9 at\u00e9 onde a autoridade monet\u00e1ria deixar\u00e1 a moeda norte-americana derreter. Ontem, no in\u00edcio da noite, depois de a divisa cair para R$ 3,05, o BC anunciou que far\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o no c\u00e2mbio. Comprar\u00e1 US$ 300 milh\u00f5es no mercado futuro por meio de contratos de swap. De nada vai adiantar. O Brasil convive com uma grande distor\u00e7\u00e3o: as maiores taxas de juros do mundo. Se elas n\u00e3o ca\u00edrem rapidamente, o d\u00f3lar permanecer\u00e1 em queda livre. J\u00e1 se v\u00ea a moeda abaixo de R$ 3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O discurso que se ouve no BC \u00e9 de que o Brasil est\u00e1 recebendo uma enxurrada de recursos estrangeiros porque os investidores est\u00e3o convencidos de que o governo vem fazendo o dever de casa. \u201cO pa\u00eds voltou ao radar do capital externo\u201d, repetem t\u00e9cnicos da institui\u00e7\u00e3o. Mas parte desse dinheiro s\u00f3 est\u00e1 interessada em lucrar com os juros estratosf\u00e9ricos. O diferencial de taxas em rela\u00e7\u00e3o aos demais pa\u00edses \u00e9 inacredit\u00e1vel, sobretudo quando se leva em considera\u00e7\u00e3o as na\u00e7\u00f5es desenvolvidas, onde os investidores pagam para deixar o dinheiro no banco, isto \u00e9, os juros s\u00e3o negativos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O d\u00f3lar barato demais realmente \u00e9 bom para a infla\u00e7\u00e3o, mas provoca uma s\u00e9rie de distor\u00e7\u00f5es na economia, a come\u00e7ar pelo excesso de importa\u00e7\u00f5es. No passado recente, quando a administra\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff tentou segurar, artificialmente, o custo de vida por meio da moeda norte-americana, o rombo nas contas externas explodiu e passou de 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Foi preciso uma recess\u00e3o brutal para que o deficit nas transa\u00e7\u00f5es correntes desabasse. Mantido o atual derretimento do d\u00f3lar, a farra voltar\u00e1 com for\u00e7a, inclusive por meio de gastos maci\u00e7os com viagens ao exterior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Parab\u00e9ns a prazo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo vem falando em retomada do crescimento econ\u00f4mico. E um dos caminhos para a reativa\u00e7\u00e3o da atividade seria o aumento das exporta\u00e7\u00f5es. Contudo, n\u00e3o h\u00e1 como se falar em competitividade dos produtos nacionais no exterior com a moeda norte-americana no atual n\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 como competir sequer no mercado interno, uma vez que ficar\u00e1 mais barato trazer mercadorias de fora. \u00c9 tudo o que os concorrentes do pa\u00eds querem, um mercado consumidor amplo para despejarem seus produtos e criarem empregos em suas f\u00e1bricas em detrimento da gera\u00e7\u00e3o de vagas por aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1, dentro do governo, quem defenda que o BC volte a comprar d\u00f3lares no mercado \u00e0 vista. Mas as reservas internacionais j\u00e1 est\u00e3o elevadas demais e custam muito caro. Ao retirar os d\u00f3lares do mercado, o banco \u00e9 obrigado a usar t\u00edtulos p\u00fablicos, que pagam 13% de juros ao ano, para enxugar os reais que injeta na economia. Como o grosso das reservas internacionais est\u00e1 aplicado em pap\u00e9is do governo dos Estados Unidos, que rendem entre 0,25% e 0,50% ao ano, o Tesouro Nacional \u00e9 obrigado a arcar com a diferen\u00e7a de taxas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante disso, fica claro que o melhor caminho para conter o derretimento do d\u00f3lar \u00e9 cortando \u2014 e rapidamente \u2014 os juros. Na pr\u00f3xima quarta-feira, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) definir\u00e1 os rumos da taxa b\u00e1sica da economia (Selic), que est\u00e1 em 13%. A grande maioria dos analistas aposta em um corte de 0,75 ponto percentual. Por\u00e9m, dada a forte queda da infla\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 caminhando rapidamente para o centro da meta, de 4,5%, seria muito positivo para o pa\u00eds se o BC acelerasse o passo e derrubasse a Selic em pelo menos um ponto percentual, para 12%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, tem dito que o ritmo de corte por reuni\u00e3o do Copom ser\u00e1 de 0,75 ponto. Na opini\u00e3o do economista-chefe da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, o BC n\u00e3o deveria cantar parab\u00e9ns a prazo, mas, sim, \u00e0 vista. Ou seja, derrubar mais rapidamente a Selic. Para ele, a autoridade monet\u00e1ria poder\u00e1 se arrepender mais adiante por n\u00e3o ter sido mais ousada e por ter estimulado uma farra desnecess\u00e1ria com o d\u00f3lar. \u201cA quem interessa ver repetido o fracasso do passado? Ao BC?\u201d, indaga. \u201cD\u00f3lar barato demais sempre leva a desarranjos. N\u00e3o se espera, nem se deseja, que esse governo cometa os mesmos erros dos anteriores\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h57min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que o Banco Central est\u00e1 usando o d\u00f3lar para derrubar a infla\u00e7\u00e3o ningu\u00e9m tem d\u00favidas. A grande pergunta que todos est\u00e3o se fazendo \u00e9 at\u00e9 onde a autoridade monet\u00e1ria deixar\u00e1 a moeda norte-americana derreter. 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