{"id":4184,"date":"2017-02-15T06:16:38","date_gmt":"2017-02-15T08:16:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4184"},"modified":"2017-02-15T08:19:15","modified_gmt":"2017-02-15T10:19:15","slug":"por-sobrevivencia-governo-vai-acelerar-novas-medidas-economicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/por-sobrevivencia-governo-vai-acelerar-novas-medidas-economicas\/","title":{"rendered":"Por sobreviv\u00eancia, governo vai acelerar novas medidas econ\u00f4micas"},"content":{"rendered":"<p>A forte rea\u00e7\u00e3o positiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 libera\u00e7\u00e3o dos saques de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) refor\u00e7ou a convic\u00e7\u00e3o dentro do Pal\u00e1cio do Planalto de que a sobreviv\u00eancia do governo est\u00e1 na economia. N\u00e3o por acaso, o presidente Michel Temer pediu aos ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, que acelerem a prepara\u00e7\u00e3o de medidas para refor\u00e7ar a retomada do crescimento, que come\u00e7a a se desenhar no horizonte. A meta \u00e9, sobretudo, permitir que, at\u00e9 o fim do ano, dois n\u00f3s sejam desatados: o do desemprego e o do endividamento. \u201cS\u00e3o problemas que levam mais tempo para serem superados\u201d, diz um ministro com tr\u00e2nsito livre no Planalto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A equipe econ\u00f4mica tem monitorado diariamente os indicadores econ\u00f4micos e boa parte deles, ainda que timidamente, v\u00eam apontando para o fim da recess\u00e3o. A mesma percep\u00e7\u00e3o \u00e9 colhida em conversas de t\u00e9cnicos e do pr\u00f3prio Meirelles com agentes de mercado. Ningu\u00e9m espera um sinal forte de recupera\u00e7\u00e3o da atividade neste primeiro semestre, at\u00e9 porque o desemprego ainda vai piorar um pouco mais e o excesso de d\u00edvidas das fam\u00edlias segurar\u00e1 o consumo. A boa not\u00edcia \u00e9 que, com a infla\u00e7\u00e3o e os juros em queda, os consumidores est\u00e3o levando um pouco mais de produtos para casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A convic\u00e7\u00e3o dentro do governo \u00e9 de que a melhora da economia \u00e9 irrevers\u00edvel. O Planalto cr\u00ea que os sinais mais frequentes de que o pa\u00eds est\u00e1 saindo do fundo do po\u00e7o v\u00e3o compensar as poss\u00edveis turbul\u00eancias no campo da pol\u00edtica. Por isso, daqui por diante, a equipe econ\u00f4mica usar\u00e1 o mantra de que 2017 ser\u00e1 o ano da recupera\u00e7\u00e3o, com chance de revers\u00e3o no desemprego e de melhora da renda. \u201cO neg\u00f3cio est\u00e1 indo t\u00e3o bem na economia que at\u00e9 o d\u00f3lar, que todos acreditavam que explodiria com o (Donald) Trump (presidente dos Estados Unidos), est\u00e1 em queda\u201d, refor\u00e7a o mesmo ministro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Trem nos trilhos<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os bons ventos que t\u00eam soprado na economia ajudar\u00e3o, inclusive, o governo a aprovar as reformas trabalhista e da Previd\u00eancia no Congresso dentro do prazo previsto \u2014 at\u00e9 junho pr\u00f3ximo \u2014, avalia o Planalto. \u201cO presidente Temer est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o muito confort\u00e1vel para levar as reformas adiante. Tem maioria na C\u00e2mara e no Senado e uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que est\u00e1 muito longe da observada durante o governo de Dilma Rousseff\u201d, afirma um assessor presidencial. \u201cO trem, agora, est\u00e1 embicando para cima, na dire\u00e7\u00e3o correta, e n\u00e3o para o precip\u00edcio. Deputados e senadores querem manter esse trem no trilho.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo sabe, contudo, que est\u00e1 longe de levantar o trof\u00e9u. \u201cAs incertezas s\u00e3o muitas. A batalha fiscal ainda est\u00e1 longe do fim. Os estados, em grande maioria, est\u00e3o quebrados, e isso bate forte na Uni\u00e3o. H\u00e1 uma crise pesad\u00edssima na seguran\u00e7a p\u00fablica e, claro, tem as dela\u00e7\u00f5es do fim do mundo da Odebrecht\u201d, ressalta o assessor. \u201cIsso s\u00f3 aumenta a urg\u00eancia de a economia dar certo\u201d, emenda. \u201cO presidente est\u00e1 totalmente fechado com Meirelles e Dyogo. N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de crise nessa seara. N\u00e3o h\u00e1 fio desencapado na rela\u00e7\u00e3o desses tr\u00eas\u201d, garante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Esp\u00edrito animal<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo acredita que a agenda positiva da economia ser\u00e1 endossada por empres\u00e1rios e investidores. Por uma raz\u00e3o simples: eles precisam que a administra\u00e7\u00e3o Temer d\u00ea certo. A perspectiva \u00e9 de que projetos de expans\u00e3o de neg\u00f3cios comecem a sair das gavetas, fazendo movimentar a m\u00e1quina das contrata\u00e7\u00f5es. Os empres\u00e1rios dizem estar dispostos a cooperar. Mas, antes de ampliar as f\u00e1bricas, ser\u00e1 preciso reduzir a capacidade ociosa. Em m\u00e9dia, 30% dos parques produtivos est\u00e3o parados. \u00c9 muito. Fica dif\u00edcil, ent\u00e3o, esperar por an\u00fancios de investimentos por agora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um cacique da ind\u00fastria diz que o esp\u00edrito animal dos empres\u00e1rios est\u00e1 come\u00e7ando a abrir os olhos depois de anos adormecido. \u201cEsse esp\u00edrito ainda precisa se espregui\u00e7ar, esticar os m\u00fasculos, olhar para os lados, mapear o horizonte. Mas nada disso ocorre da noite para o dia. Faz parte do jogo o governo esperar uma a\u00e7\u00e3o do empresariado. Tem que entender, no entanto, que muita gente est\u00e1 machucada\u201d, diz. Para o industrial, assim como as fam\u00edlias, o setor produtivo est\u00e1 endividad\u00edssimo. H\u00e1 empresas que nem sequer conseguem gerar caixa para pagar sal\u00e1rios e impostos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fato que o governo est\u00e1 se esfor\u00e7ando para reconstruir as bases do crescimento. Mesmo com a pol\u00edtica dando p\u00e9ssimas not\u00edcias, na economia, as coisas est\u00e3o come\u00e7ando a andar. \u00c9 um bom sinal\u201d, complementa o industrial. Ele acredita que, se n\u00e3o houver nenhum terremoto em Bras\u00edlia nos pr\u00f3ximos meses, ser\u00e1 poss\u00edvel o Produto Interno Bruto (PIB) crescer at\u00e9 1% neste ano. \u201cE o dinheiro liberado do FGTS ter\u00e1 papel importante nisso. Permitir\u00e1 que muitos trabalhadores reduzam ou mesmo zerem d\u00edvidas, abram espa\u00e7o para o consumo, o que, por tabela, favorecer\u00e1 o com\u00e9rcio, que poder\u00e1 desovar os estoques e refor\u00e7ar as encomendas \u00e0 ind\u00fastria\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A forte rea\u00e7\u00e3o positiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 libera\u00e7\u00e3o dos saques de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) refor\u00e7ou a convic\u00e7\u00e3o dentro do Pal\u00e1cio do Planalto de que a sobreviv\u00eancia do governo est\u00e1 na economia. 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