{"id":408,"date":"2016-01-22T08:30:40","date_gmt":"2016-01-22T10:30:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=408"},"modified":"2016-01-22T12:23:08","modified_gmt":"2016-01-22T14:23:08","slug":"infelicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/infelicidade\/","title":{"rendered":"INFELICIDADE"},"content":{"rendered":"<p>Quem ainda n\u00e3o se deu conta, pode anotar: a decis\u00e3o do Banco Central de manter a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 14,25% ao ano foi a primeira medida do pacote que a presidente Dilma Rousseff pretende anunciar no pr\u00f3ximo dia 28, com a reinaugura\u00e7\u00e3o do Conselho de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social, o Conselh\u00e3o. O Pal\u00e1cio do Planalto acredita que juros est\u00e1veis, incentivos ao cr\u00e9dito, apoio \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o e um programa de infraestrutura requentado v\u00e3o seduzir o empresariado que nunca esteve t\u00e3o desconfiado em rela\u00e7\u00e3o ao governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como bem define o professor Jo\u00e3o Lu\u00eds Mascolo, da escola de neg\u00f3cios Insper, ser\u00e1 o pacote da felicidade que, em pouco tempo, trar\u00e1 mais infelicidade ao pa\u00eds, por embutir todos os erros que levaram a economia a mergulhar na mais profunda recess\u00e3o desde o in\u00edcio dos anos 1930. \u201cSer\u00e1 o ressurgimento da velha nova matriz econ\u00f4mica\u201d, afirma. Para ele, \u00e9 inconceb\u00edvel que, diante de tudo o que se est\u00e1 vendo, com mais de 1,5 milh\u00e3o de pessoas perdendo o emprego em 2015 e o d\u00f3lar atingindo a maior cota\u00e7\u00e3o desde o Plano Real, o governo insista em cometer os mesmos erros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pacote de Dilma ser\u00e1 a terceira vers\u00e3o daquele anunciado pelo ent\u00e3o presidente Lula em 2008 e 2009, logo depois do estouro da crise mundial, focado no aumento do consumo e n\u00e3o dos investimentos produtivos, que est\u00e3o em queda livre. Os incentivos \u00e0 demanda foram t\u00e3o fortes naquele per\u00edodo, que levaram o pa\u00eds a crescer 7,6% em 2010 e garantiram a elei\u00e7\u00e3o da petista apresentada como gerentona, o que, mais tarde, se mostrou uma fal\u00e1cia. Assim que tomou posse, Dilma reembalou as medidas, mas n\u00e3o obteve o sucesso de Lula. Colheu apenas recess\u00e3o e infla\u00e7\u00e3o nas alturas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De arrepiar<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O hist\u00f3rico das interven\u00e7\u00f5es de Dilma na economia \u00e9 assustador. Ela conseguiu destruir todas as bases que sustentavam a estabilidade do pa\u00eds. O ajuste fiscal se transformou em desajuste. Por dois anos consecutivos, o pa\u00eds registrou deficit prim\u00e1rio, mesmo com todas as manobras para esconder a gastan\u00e7a, entre elas, as pedaladas que quase lhe custaram o mandato. O sistema de metas de infla\u00e7\u00e3o virou obra de fic\u00e7\u00e3o. O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2015 em 10,67% e h\u00e1 o risco de se manter em dois d\u00edgitos por todo este ano. No c\u00e2mbio, o Banco Central vem torrando bilh\u00f5es de reais para conter uma alta mais forte da moeda norte-americana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m se tornou pr\u00f3digo em destruir reputa\u00e7\u00f5es. Em 2012, na sua cruzada contra os juros altos \u2014 um fiasco, ressalte-se \u2014, Dilma obrigou o BC a reduzir a Selic ao menor n\u00edvel da hist\u00f3ria, 7,25%, o que resultaria em taxa real (descontada a infla\u00e7\u00e3o) de 2% ao ano. A fa\u00e7anha durou apenas seis meses, mas foi t\u00e3o desastrosa que nunca mais a autoridade monet\u00e1ria conseguiu convencer os agentes econ\u00f4micos de que o combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o era para valer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o da petista no BC se repetiu nesta semana, quando o presidente da institui\u00e7\u00e3o, Alexandre Tombini, passou pelo vexame de soltar uma nota no dia da reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) dizendo o contr\u00e1rio do que pregava havia dois meses. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. H\u00e1 a incompet\u00eancia generalizada no governo. O caso mais s\u00e9rio \u00e9 o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que n\u00e3o sabe como enfrentar uma praga, o Aedes Aegypti, que est\u00e1 destruindo o sonho de muitas fam\u00edlias ao provocar a microcefalia por meio da zika.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vis\u00e3o do atraso<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dilma e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, acreditam que o pacote a ser anunciado na semana que vem ser\u00e1 um sopro de renova\u00e7\u00e3o num pa\u00eds mergulhado no pessimismo. O mais certo, por\u00e9m, \u00e9 que as medidas apontadas como salvadoras s\u00f3 ampliem as incertezas. \u201cN\u00e3o veremos mais cr\u00e9dito nem a retomada do crescimento\u201d, diz o professor Mascolo. \u201cProvavelmente, teremos mais infla\u00e7\u00e3o, mais desemprego e um tombo maior do Produto Interno Bruto (PIB)\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>A bolha da felicidade, complementa o economista, s\u00f3 dever\u00e1 agradar os integrantes do PT, que veem nas medidas populistas a reden\u00e7\u00e3o para garantir mais votos nas elei\u00e7\u00f5es municipais e enterrar de vez o processo de impeachment da presidente Dilma. Isso, para os petistas, \u00e9 mais importante do que o controle da infla\u00e7\u00e3o e a arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. Eles acreditam que h\u00e1 exagero demais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carestia e Estado foi feito para gastar.<\/p>\n<p>\u201cEsse tipo de pensamento s\u00f3 traz preju\u00edzos. Os empres\u00e1rios continuar\u00e3o reticentes e o que a economia mais precisa para voltar a crescer, os investimentos, se manter\u00e3o travados\u201d, frisa Mascolo. Portanto, em vez de se deixar enganar por pacotes bem embalados, a popula\u00e7\u00e3o deve se preparar para o pior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem ainda n\u00e3o se deu conta, pode anotar: a decis\u00e3o do Banco Central de manter a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 14,25% ao ano foi a primeira medida do pacote que a presidente Dilma Rousseff pretende anunciar no pr\u00f3ximo dia 28, com a reinaugura\u00e7\u00e3o do Conselho de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social, o Conselh\u00e3o. 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