{"id":4076,"date":"2017-02-01T00:50:23","date_gmt":"2017-02-01T02:50:23","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=4076"},"modified":"2017-02-01T12:46:30","modified_gmt":"2017-02-01T14:46:30","slug":"contradicoes-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/contradicoes-brasileiras\/","title":{"rendered":"Contradi\u00e7\u00f5es brasileiras"},"content":{"rendered":"<p>Se a infla\u00e7\u00e3o tem dando boas not\u00edcias nos \u00faltimos meses, o desemprego continua massacrando o pa\u00eds. Os 12,3 milh\u00f5es de desempregado, que correspondem a 12% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa \u2014 um recorde \u2014, s\u00f3 ratificam que a retomada da economia ainda est\u00e1 distante, a despeito de o governo dizer que o pior da crise j\u00e1 passou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo com o al\u00edvio nos reajustes de pre\u00e7os, as fam\u00edlias sofrem com o forte encolhimento da renda. N\u00e3o h\u00e1 como acreditar em um salto do consumo nos pr\u00f3ximos meses, apesar de o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) estar caminhando rapidamente para o centro da meta, de 4,5%, e de as taxas de juros apontarem para baixo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dado o estrago provocado na economia, as demiss\u00f5es continuar\u00e3o superando as contrata\u00e7\u00f5es ao longo deste ano. Muitas empresas ainda pretendem reduzir o quadro de pessoal, mas n\u00e3o o fazem porque n\u00e3o t\u00eam dinheiro suficiente para arcar com os encargos trabalhistas. A maior parte dos recursos est\u00e1 sendo usada para o pagamento de juros das d\u00edvidas. A partir do momento em que os d\u00e9bitos forem abrindo brechas no or\u00e7amento, as companhias mandar\u00e3o para casa mais uma parcela de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os economistas mais pessimistas acreditam que a taxa de desemprego pode subir at\u00e9 os 13% nos pr\u00f3ximos meses. Isso implicar\u00e1 em pelo menos 1 milh\u00e3o a mais de trabalhadores engrossando o ex\u00e9rcito de desocupados. Por isso, mesmo que a infla\u00e7\u00e3o continue caindo e os bancos comecem a, efetivamente, cortar os juros dos empr\u00e9stimos, ser\u00e1 dif\u00edcil ver de volta a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim como foi um dos \u00faltimos atingidos pela mais grave recess\u00e3o da hist\u00f3ria, o mercado de trabalho ser\u00e1 o derradeiro a responder \u00e0 retomada da atividade. Por isso, \u00e9 importante que o governo n\u00e3o perca o rumo. O crescimento vir\u00e1 \u00e0 medida que a confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos for se fortalecendo. E isso passa pelo compromisso com o ajuste fiscal e a aprova\u00e7\u00e3o das reformas. \u00c9 preciso dirimir todas as d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o ao equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Romantismo monet\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas Gomes diz que, mantido o ritmo atual, a infla\u00e7\u00e3o poder\u00e1 cair abaixo de 4% nos pr\u00f3ximos meses. A aposta \u00e9 que o IPCA fique entre 3,6% e 3,8% pelo menos at\u00e9 agosto. Al\u00e9m de amenizar o sufoco das fam\u00edlias, provocado pelo desemprego, o custo de vida menor permitir\u00e1 que o Banco Central mantenha firme a promessa de reduzir a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual por reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom). \u201cA infla\u00e7\u00e3o deixou de ser um problema. A bola j\u00e1 est\u00e1 no gol\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele ressalta que, nos dois primeiros meses do ano, pode ser que os \u00edndices de pre\u00e7os mostrem ligeira subida, mas ser\u00e1 um movimento passageiro, sustentado pelas despesas tradicionais de in\u00edcio de ano, como impostos e mensalidades escolares, que tiveram pesado reajuste. \u201cTudo est\u00e1 conspirando a favor da queda da infla\u00e7\u00e3o. A recess\u00e3o ainda est\u00e1 forte, h\u00e1 uma safra agr\u00edcola expressiva e o d\u00f3lar, apesar do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caminha para os R$ 3.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Thadeu, esse quadro benigno refor\u00e7a que o BC precisa acabar com o romantismo monet\u00e1rio, ou seja, manter os juros altos demais por um prazo muito longo. \u201cIsso s\u00f3 contribui para aumentar a d\u00edvida p\u00fablica\u201d, frisa. O momento, portanto, \u00e9 de o BC tamb\u00e9m dar sua contribui\u00e7\u00e3o para o ajuste fiscal. Os gastos com juros da d\u00edvida totalizaram R$ 407 bilh\u00f5es em 2016. \u00c9 dinheiro demais para um pa\u00eds com tantas car\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Pal\u00e1cio do Planalto, o discurso \u00e9 que o desemprego vai se estabilizar no segundo semestre, quando a economia come\u00e7ar\u00e1 a mostrar rea\u00e7\u00e3o. Assessores do presidente Michel Temer dizem que tudo est\u00e1 sendo feito para reverter a grav\u00edssima recess\u00e3o. \u201cA infla\u00e7\u00e3o caiu e os juros est\u00e3o baixando. \u00c9 preciso ter um pouco mais de paci\u00eancia\u201d, afirma um dos t\u00e9cnicos. Ele acrescenta que, t\u00e3o logo o crescimento econ\u00f4mico retorne, as empresas voltar\u00e3o a contratar. Dif\u00edcil \u00e9 fazer os milh\u00f5es de desempregados acreditarem nisso. Muitos sequer t\u00eam dinheiro para alimentar os filhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 00h50min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a infla\u00e7\u00e3o tem dando boas not\u00edcias nos \u00faltimos meses, o desemprego continua massacrando o pa\u00eds. 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