{"id":3995,"date":"2017-01-13T06:05:36","date_gmt":"2017-01-13T08:05:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=3995"},"modified":"2017-01-13T08:21:52","modified_gmt":"2017-01-13T10:21:52","slug":"governo-torce-para-que-bc-repita-2009-e-corte-35-pontos-dos-juros-em-tres-reunioes-do-copom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/vicente\/governo-torce-para-que-bc-repita-2009-e-corte-35-pontos-dos-juros-em-tres-reunioes-do-copom\/","title":{"rendered":"Governo torce para que BC repita 2009 e corte 3,5 pontos dos juros em tr\u00eas reuni\u00f5es do Copom"},"content":{"rendered":"<p>Entusiasmado com a decis\u00e3o do Banco Central de acelerar o passo e cortar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, para 13% ao ano, o governo est\u00e1 apostando alto que o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) repetir\u00e1 o que se viu no in\u00edcio de 2009. Em apenas tr\u00eas reuni\u00f5es daquele ano \u2014 janeiro, mar\u00e7o e abril \u2014, o BC reduziu os juros em 3,5 pontos percentuais. Coincidentemente, a taxa Selic come\u00e7ou 2009 em 13,75%, como agora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, por\u00e9m, o objetivo do Copom era vacinar a economia brasileira, que estava num momento muito bom, contra os efeitos da crise mundial, detonada pelo estouro da bolha imobili\u00e1ria nos Estados Unidos. Era muito mais uma a\u00e7\u00e3o preventiva. O movimento, que levou os juros para um d\u00edgito em junho \u2014 9,25% \u2014, foi t\u00e3o exitoso que, j\u00e1 no fim de 2009, a atividade havia retomado o f\u00f4lego. Lula ainda estava no comando do pa\u00eds e Henrique Meirelles era o presidente do BC<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, a hist\u00f3ria \u00e9 outra. Os problemas s\u00e3o internos. \u00c9 a economia brasileira que est\u00e1 gravemente doente, enquanto o mundo cresce sem grandes transtornos. Em vez de uma a\u00e7\u00e3o preventiva, os juros em baixa funcionar\u00e3o como antibi\u00f3ticos pesad\u00edssimos para tentar tirar a atividade do coma. Resta saber se a atual diretoria do BC, liderada por Ilan Goldfajn, ter\u00e1 a mesma ousadia de 2009. Instrumentos para agir a institui\u00e7\u00e3o tem de sobra. E a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 desabando diante da recess\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para auxiliares de Michel Temer, \u00e9 poss\u00edvel o BC repetir o que se viu oito anos atr\u00e1s. Ilan e companhia, no entender do Pal\u00e1cio do Planalto, t\u00eam reputa\u00e7\u00e3o de sobra para conduzir um movimento agressivo de corte de juros e levar a Selic para abaixo de 10% ainda no primeiro semestre. Os assessores presidenciais acreditam que, se necess\u00e1rio, o Copom pode parar de cortar a taxa b\u00e1sica ou mesmo elev\u00e1-la, caso a infla\u00e7\u00e3o volte a se assanhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando sentiu que o est\u00edmulo monet\u00e1rio j\u00e1 estava passando da conta, em abril de 2010, o BC, em plena campanha de Dilma Rousseff \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, decidiu aumentar a Selic. O processo de eleva\u00e7\u00e3o se estendeu at\u00e9 julho de 2011, quando, j\u00e1 no poder e descompromissada em rela\u00e7\u00e3o ao controle da infla\u00e7\u00e3o, a petista optou por baixar o custo do dinheiro na marra. A partir dali, come\u00e7aram todos os problemas que nos levaram \u00e0 grav\u00edssima situa\u00e7\u00e3o atual, de tr\u00eas anos de economia em retra\u00e7\u00e3o, mais de 12 milh\u00f5es de desempregados e um longo per\u00edodo inflacion\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Servi\u00e7o sujo<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ex-diretor da \u00c1rea Externa do BC, Tony Volpon v\u00ea espa\u00e7o de sobra para os juros ca\u00edrem muito. Para ele, todo o trabalho sujo de combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o foi feito pela diretoria anterior da autoridade monet\u00e1ria, que teve de aumentar a Selic mesmo com a economia mergulhada na recess\u00e3o. \u201cOu se dava aquele arrocho, ou a infla\u00e7\u00e3o sairia totalmente do controle\u201d, afirma. Ele lembra que, em 2015, o BC teve que lidar com um choque de pre\u00e7os relativos, uma forte recupera\u00e7\u00e3o das tarifas p\u00fablicas, sobretudo as de energia el\u00e9trica, que foram reduzidas a canetada, e pesado aumento do d\u00f3lar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cQuando entregamos o BC para a atual diretoria, a infla\u00e7\u00e3o j\u00e1 vinha caindo. Portanto, o que o time de Ilan tem que fazer agora \u00e9 controlar o movimento de queda dos juros e monitorar os riscos inflacion\u00e1rios, que, neste momento, s\u00e3o m\u00ednimos. A tarefa \u00e9 bem mais simples\u201d, assinala Volpon. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, o Copom j\u00e1 deveria ter acelerado a redu\u00e7\u00e3o dos juros na \u00faltima reuni\u00e3o do ano passado, no fim de novembro. \u201cUm corte de 0,5 ponto l\u00e1 atr\u00e1s teria dado uma boa ajuda \u00e0 economia. Mas n\u00e3o adianta ficar falando do passado. O importante \u00e9 que h\u00e1 muito espa\u00e7o para a Selic baixar\u201d, completa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Volpon assume que, assim como o BC de Ilan foi comedido no processo de corte dos juros, a diretoria da qual ele fez parte, comandada por Alexandre Tombini, pecou ao n\u00e3o aumentar um pouco mais a Selic, que acabou estacionada em 13,75%. Ele votou, em v\u00e1rias reuni\u00f5es, para mais aumentos da taxa b\u00e1sica como forma de colocar a infla\u00e7\u00e3o nos eixos mais rapidamente, mas sempre foi derrotado nas vota\u00e7\u00f5es. \u201cForam muitas as cr\u00edticas e persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, mas o servi\u00e7o sujo foi feito, criando as bases para uma pol\u00edtica monet\u00e1ria mais flex\u00edvel neste momento\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Preocupa\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Euforia \u00e0 parte, a preocupa\u00e7\u00e3o entre os t\u00e9cnicos da equipe econ\u00f4mica \u00e9 de que o governo leve adiante o ajuste fiscal. E a reforma da Previd\u00eancia Social \u00e9 o ponto principal para manter as portas abertas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos juros e, sobretudo, permitir ao Banco Central que mantenha a Selic em um d\u00edgito por um longo per\u00edodo. O custo do dinheiro no Brasil \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 como se falar em recupera\u00e7\u00e3o da economia com juros reais (descontada a infla\u00e7\u00e3o) acima de 8%, como prevalecia at\u00e9 ontem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO governo n\u00e3o pode se acomodar. Se isso ocorrer, ser\u00e1 um pecado que custar\u00e1 muito caro \u00e0 economia\u201d, alerta um dos t\u00e9cnicos mais pr\u00f3ximos de Henrique Meirelles, ministro da Fazenda. \u201cExcesso de confian\u00e7a costuma ser fatal. A redu\u00e7\u00e3o dos juros \u00e9 apenas uma pe\u00e7a dentro de uma engrenagem enorme para botar o Brasil novamente nos trilhos. Um ajuste fiscal s\u00e9rio \u00e9 vital para o sucesso do BC\u201d, emenda. Os exemplos do excesso de confian\u00e7a est\u00e3o a\u00ed. Vivemos a maior recess\u00e3o da hist\u00f3ria. Portanto, ju\u00edzo \u00e9 bom e todo mundo gosta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h05min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entusiasmado com a decis\u00e3o do Banco Central de acelerar o passo e cortar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, para 13% ao ano, o governo est\u00e1 apostando alto que o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) repetir\u00e1 o que se viu no in\u00edcio de 2009. 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